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Salgueiro Maia – O Implicado
O dia 25 de Abril de 1974 – final da ditadura em Portugal! Tinha apenas 3 anos e as minhas memórias desse dia são vagas. Lembro-me de ter faltado à escola, de algum burburinho e alvoroço nas ruas e dos adultos a falar sobre uma revolução, cujo significado não sabia qual era. Mas cedo percebi que fazia parte de uma geração onde liberdade e democracia tinham um significado bem diferente da geração dos meus pais e avós. Não pude por essa razão deixar de assistir ao novo filme de Sérgio Graciano, “Salgueiro Maia – O Implicado” que retrata as histórias que ainda não foram contadas sobre o Capitão de Abril. Com Tomás Alves no papel do jovem capitão de 29 anos o elenco conta ainda com Filipa Areosa, José Raposo, Tiago Teotónio Pereira, Diogo Martins e Catarina Wallenstein todos eles a dignificar o cinema português. No grande ecrã ficamos então…
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Capitão Fausto no Campo Pequeno
Estávamos no dia 7 de Março de 2020, havia a grande suspeita no ar que íamos todos para casa. A corrida ao papel higiénico tinha começado! Tinha pedido dois bilhetes para uns conhecidos para ver uma banda que tocava nos meus programas, mas sem grande entusiasmo. Os conhecidos acabaram por comprar bilhete e eu fiquei com dois bilhetes. Decidi em boa hora ir! A surpresa aconteceu logo ao sentir o Campo Pequeno esgotado. Mas isto não é uma banda de miúdos? Havia o suplemento da orquestra das Beiras que iam acompanhar esta banda de Indie Rock. Admito que conhecia os singles, e até tocava algumas das canções desta banda! O espetáculo começou e fui sentido a felicidade de estar a ver o nascimento de uma banda de primeira linha. Tudo o que acontecia em palco era profissional e rico do ponto de vista musical. Até a forma de cantar do…
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Vadio
“Timbuktu” é um extraordinário romance de Paul Auster e conta a história comovente da vida de Mr. Bones, o fiel companheiro de William um mendigo de Brooklyn. Adaptado deste romance, “VADIO” é um espetáculo acolhido no Teatro Meridional onde o criador e narrador humaniza e relata, durante 70 min, a história de Mr. Bones. Da simplicidade do cenário, composto apenas por grandes volumes de papel branco a contrastar com o pano de fundo escuro, à representação dramática e performativa do ator Diogo Andrade, a história é narrada com muita eloquência e emoção permitindo que o público possa, também ele, dar largas à imaginação e sentir-se nos locais que vão sendo descritos. De trela ao pescoço e explorando a expressão corporal e a imitação de sons e comportamentos caninos, o ator pretende representar um cão e transmitir ao público os pensamentos e sentimentos de um canino. E é assim que o…
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Aula Aberta com Rosangela Rennó
Aula Aberta é já amanhã, dia 28 de abril, às 18h30! A Escola das Artes da Universidade Católica abre as portas a Rosângela Rennó, artista plástica brasileira, que participará em mais uma Aula Aberta, desta vez sob o tema “Do analógico ao digital, sem preconceitos, sem hierarquias, contra a ignorância estrutural”. O evento irá decorrer em modo presencial, no Auditório Ilídio Pinho, e é aberto aos estudantes e a toda a comunidade. O trabalho da artista caracteriza-se pela apropriação de imagens descartadas, sendo a grande maioria encontradas em mercados e feiras, e pela investigação das relações entre a memória e o esquecimento. Nas suas fotografias, objetos, vídeos ou instalações, Rosângela Rennó trabalha com álbuns de família e imagens obtidas em arquivos públicos ou privados. Partindo da apropriação e releitura de arquivos fotográficos, públicos e particulares, ou através da reinvenção de modos de arquivo de imagens, a artista desenvolve o tema do…
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No Dia Seguinte Ninguém Morreu
“No dia seguinte ninguém morreu” um acolhimento no Teatro Meridional. Assim inicia o romance “As intermitências da Morte” de José Saramago. E foi inspirada neste romance que a companhia Trimagisto, fundada em 2001 e com sede em Montemor-o-Novo, criou um espetáculo que intercala momentos de música rock, dança, pintura e narração. À entrada na sala de espetáculo fomos recebidos por dois atores e ficamos logo com a sensação de que esta seria uma peça cheia de movimento. E confirmou-se! O músico deu os primeiros acordes, a “Morte” surgiu vinda por entre o público, personificada por uma figura feminina e muito sensual, e a história começou a ser narrada. Trata-se de um texto que nos conduz à reflexão sobre a Morte, ou melhor sobre a Imortalidade e os efeitos colaterais da mesma. Uma greve da morte poderia provocar o caos em seguradoras, bancos, hospitais e em todos os negócios que provêm…
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As estações da vida
Faço parte de um grupo de pessoas que se reúnem uma vez por mês , para falar de um livro já previamente escolhido pela Dra. Helena Roldão que é Técnica Superior de Línguas e Literatura Modernas da Câmara Municipal de Lisboa que lidera este grupo. Nada é improvisado pois tudo está estruturado para ser um sessão interessante e o encontro é tao agradável que o tempo passa a correr. Quem quiser pude dar os seus pontos de vista sobre o livro e mesmo que não o tenha lido, rapidamente entra na conversa. Deste vez o Livro estudado foi “As Estações da Vida” da escritora Agustina Bessa-Luís que nasceu em Vila Meã, Amarante, em 1922. Um dos aspectos interessantes do percurso desta escritora foi o casamento em 1945, na cidade do Porto, com o estudante de Direito Alberto Luís. Ela decidiu colocar um anúncio no jornal O Primeiro de Janeiro, e no anúncio procurava um…
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Mundo Desconhecido, o teatro dentro do teatro.
O teatro mais marginal de Lisboa mora na Rua Costa do Castelo, em pleno centro urbano. Quando falo em marginal, quero dizer, nada convencional, com uma estética fora daquilo que estamos habituados a ver no chamado teatro tradicional. Em Mundo Desconhecido, temos as inquietações de um encenador que pretende montar o Ricardo III de Shakespeare. Paralelamente, desenvolve-se a história de uma atriz emocionalmente perturbada com o peso de uma vida familiar. Um casamento falhado, a maternidade independente e a dúvida do seu talento como atriz. Há uma mudança permanente entre a vida real e a representação, podendo criar no espectador uma certa confusão. Do ponto de vista plástico, todo o espetáculo está muito bem desenhado, mesmo com poucos recursos financeiros. Carlos Pessoa, encenador, ator e dramaturgo, questiona inúmeras vezes a importância do teatro para a cultura, mostrando os sacrifícios de quem o torna possível existir. O Teatro da Garagem faz…
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O Crime de Georgetown
Basedo numa história verídica, este filme, realizado e protagonizado por Christoph Waltz, conta a história de Ulrich Mott e de Elsa Breht. Com um passado obscuro, o misterioso e bem-falante Ulrich conquista o coração Elsa (Vanessa Redgrave), uma viúva rica e velha. Fascinado com a sua nova vida, ele inventa uma série de mentiras sobre si mesmo que o espectador começa a perceber que só pode acabar mal está história. Ficamos a pensar que é um homem sem escrúpulos e perturbado. Um filme que se vê bem mas não vai ficar na história. O trabalho dos actores é impecável mas a actriz Vanessa Redgrave essa velhíssima e devia retirar-se.
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Ballet: Cherkaoui / Ramalho
Gosto de Ballet mas nada sei sobre técnicas de bailarinos e nunca poderia escrever como crítica. Escrevo sobre aquilo que me causa emoção e sobre a nossa Companhia Nacional de Bailado. Fui ver mais uma tarde de bailado. Um espetáculo que reúne duas coreografias muito diferentes: Fall, de Sidi Larbi Cherkaoui e symphony of sorrows, de Miguel Ramalho. Nunca tinha ouvido falar de Sidi Larbi Cherkaoui. Dançarino, coreógrafo e diretor belga-marroquino. Assumido homosexual e vegan deixou-me encantada e pregada a cadeira com o bailado que apresentou. Já fez mais de 50 peças e recebeu muitos prémios. Os bailarinos vestidos de negro provocaram-me um misto de emoções muito grande. Depois do intervalo foi a vez do coreógrafo emergente e Bailarino Principal da CNB, Miguel Ramalho, mostrar a sua “symphony of sorrows”, com música de Henryk Górecki. Foi apresentada pela primeira vez após o primeiro período de confinamento, em 2020, e regressa agora ao…