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Casa Mocambo
Nasci em Moçambique, mas admito que não tenho uma ligação emocional forte ao país. Vim com quatro anos e guardo poucas memórias dessa fase. Ainda assim, sempre que alguém fala de um sítio onde se come comida moçambicana, fico imediatamente entusiasmado. Foi assim que, há dias, o meu primo, ao subir de carro a Rua do Vale de Santo António, descobriu um restaurante moçambicano. Avisou a família e, rapidamente, marcámos visita. Num domingo, à hora de almoço, levei a minha mãe para conhecer o espaço. Tive a sorte de estacionar a cerca de 20 metros da porta, o que, naquela zona, é um pequeno milagre. Mal entrei, a música africana fazia‑se ouvir com intensidade. O ambiente é descontraído e o empregado, muito simpático, recebeu‑nos com sentido de humor: “Subiram a rua a pé?”, pergunta justa, porque a subida não é fácil. Se quiserem visitar, aconselho mesmo irem de táxi. A…
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Nobody
No sábado à noite, já bastante cansado de um dia cheio, deitei‑me a fazer zapping, à procura de algo para embalar um bom sono. Acabei por parar no Canal Hollywood, que, confesso, já não via há décadas. Estava a começar um filme de que nunca tinha ouvido falar: Nobody. Um verdadeiro filme de ação à antiga. Um herói que não quer nada além de viver uma vida tranquila, mas que acaba arrastado para o centro da ação. Hutch Mansell leva uma existência monótona, ignorado pela mulher e pelo filho adolescente. Quando dois ladrões invadem a sua casa, decide não reagir, para evitar violência, o que o deixa desacreditado perante a família. Mas tudo muda quando, num autocarro, defende uma jovem de um grupo de marginais. Aí revela capacidades de combate que escondia… e entra na mira de um perigoso barão do crime russo. O que me prendeu foi o protagonista,…
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Quinta do Monte d’Oiro
Sexta‑feira, a preparar um jantar para o meu primo. Nada mais reconfortante, depois de uma longa semana de trabalho, do que relaxar com um branco bem fresco. Adoro cozinhar, conversar e ir bebicando um copo de vinho. Desta vez, escolhi um Quinta do Monte d’Oiro branco, um vinho que faz parte do portefólio da Enoteca Clube do Vinho. Produzido em Alenquer, este vinho destaca‑se pela sua suavidade e elegância, resultado da combinação de castas como Arinto, Viognier e Marsanne. No aroma, encontramos notas florais e de fruta cítrica, com um final mineral muito agradável. É um vinho biológico, com 12,5% de álcool, leve e equilibrado. Chega ao mercado por cerca de 10 € e é, sem dúvida, uma excelente escolha para começar uma refeição
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Rooster na HBO Max
Tenho passado os meus serões a ler, admito que vejo muito pouca televisão. Normalmente, só ligo a televisão à hora do jantar, e a escolha recai quase sempre nos canais de notícias. O mais curioso é que tenho várias plataformas de streaming, cheias de opções… mas a leitura tem ocupado o meu tempo. De vez em quando, sinto‑me quase “obrigado” a ver alguma coisa, nem que seja para justificar o que pago todos os meses. Neste fim de semana, tropecei numa série muito divertida e inteligente: Rooster, disponível na HBO Max. A história acompanha Greg Russo, um escritor de sucesso convidado a integrar, durante um semestre, o corpo docente de um campus universitário, onde também leciona a sua filha, com quem tem uma relação complicada. A série é realmente divertida: dei boas gargalhadas. O humor é inteligente, bem construído e foge ao óbvio. Rooster é já uma das estreias de…
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Bellus Grande Escolha Alicante Bouschet
O fim de semana começou com um grande vinho. Adoro estar na cozinha com amigos, cozinhar e desfrutar de uma boa garrafa. Foi nesse espírito que conheci, numa entrevista, João Tique, produtor alentejano. A conversa foi muito agradável e, no final, fui surpreendido com uma caixa de vinhos, onde se destacava o Bellus Grande Escolha Alicante Bouschet. Trata‑se de um vinho de baixa intervenção, elaborado com uma filosofia artesanal e minimalista. Apresenta uma cor intensa, fruto da utilização exclusiva da casta Alicante Bouschet. Na prova, estranhei inicialmente a ausência de notas de madeira, algo pouco comum num vinho do Alentejo, mas isso explica‑se porque não estagia em barrica de madeira.No aroma, destacam‑se notas de cereja, e na boca revela‑se um vinho aveludado, elegante e cheio de classe, muito fácil de beber. “Elegância” é, sem dúvida, a palavra que melhor o define. É um vinho que pede companhia de carnes grelhadas,…
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Sabores de Goa, o Vinho
Sou cliente e grande fã do restaurante Sabores de Goa. Fica no badalado bairro dos Anjos e serve comida goesa tradicional, e diga‑se desde já, muito boa. Há dias, a minha mãe fez uma encomenda para casa e o Sérgio, proprietário do restaurante, decidiu surpreendê‑la com uma garrafa da marca da própria casa. Foi uma surpresa muito simpática, e fiquei à espera de uma ocasião especial para a abrir. Este fim de semana, em família, decidi fazê‑lo. Serviu de aperitivo, antes da refeição, a acompanhar uns queijos e boa conversa. É um vinho honesto, produzido na Adega de Vila Flor, com 13% de álcool. Equilibrado, simples e sem pretensões, mas sem desiludir. Percebe‑se que é um vinho pensado para consumo imediato, muitas vezes integrado em menus de grupo. Achei muito curioso e interessante este pequeno restaurante ter um vinho próprio com esta identidade. Muitos parabéns
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Espumante Júlia 2021
Nada como chegar ao fim de semana e relaxar. A caminho do Meco, com vontade de não pensar em mais nada, levava na mala do carro uma caixa gentilmente oferecida pelo mestre produtor da Bairrada, Luís Pato. Antes do jantar, tínhamos preparados alguns queijos e enchidos. Para acompanhar este pitéu, decidi abrir o Espumante Júlia 2021. Logo na abertura senti uma diferença: a rolha não saiu com a pressão habitual dos espumantes. Foi tudo feito de forma suave, delicada, um bom prenúncio do que aí vinha. Este espumante foi criado para assinalar o nascimento da sua neta, Júlia, e carrega essa dimensão afetiva. Depois do primeiro brinde, chegou o momento da prova.No aroma surgem notas de fruta, com destaque para maçã e laranja, acompanhadas por alguma acidez, embora seja a doçura que marca este Júlia 2021. É uma edição especial, que chega ao mercado por cerca de 85 €.Com 12%…
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Vinha Pan Espumante
Nada como começar uma refeição entre amigos com um bom espumante. Dá sempre um certo toque de requinte. O Vinha Pan Espumante é produzido pelo método tradicional, com estágio prolongado em garrafa de cerca de 120 meses, este espumante revela‑se logo na abertura: o gás faz‑se ouvir, naquele som clássico que antecede a celebração. É um espumante muito elegante, com notas de frutos secos, nozes e avelãs, e um delicado toque de casca de laranja.Na boca apresenta‑se meio seco, com boa persistência e equilíbrio. A cor é um amarelo luminoso, convidativo. Com 12,5% de álcool, chega ao mercado por cerca de 26 €, um valor que considero justo para a qualidade que oferece. Acompanhei o Vinha Pan Espumante com uns camarões cozidos, uma escolha acertada que valorizou ainda mais o conjunto. O espumante desapareceu rapidamente da mesa, sinal claro de que é muito fácil e prazeroso de beber. Uma excelente…
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Fernão Pires 2011 Tinto
É, sem exagero, uma das maiores, senão a maior, figuras da região da Bairrada.Luís Pato é um nome respeitado e consensual no mundo do vinho português. Numa época em que os vinhos da Bairrada tinham pouca projeção, foi Luís Pato quem lutou para que a região não perdesse identidade nem fôlego. O seu trabalho ajudou a colocar a Bairrada no mapa e a dar-lhe reconhecimento nacional e internacional. Há dias estivemos à conversa e, para mim, foi uma verdadeira aula de enologia. Luís defende que é possível fazer grandes vinhos sem intervenção química, os chamados vinhos biológicos, respeitando a terra, as uvas e o tempo. Para provar esse ponto, enviou‑me uma caixa com seis referências diferentes.Fiquei particularmente rendido ao Fernão Pires 2011 Tinto. Trata‑se de um vinho tinto feito a partir de uva branca, criado para assinalar o nascimento do neto do enólogo, também ele chamado Fernão Pires. Um vinho…