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“Acerto de Contas” de John Grisham
Para quem me conhece, sabe muito bem o fascínio que tenho por este autor. Talvez por ter estudado Direito, agrada-me imenso a atmosfera que John Grisham consegue criar. Afinal, é considerado o criador de um género literário muito próprio: o thriller jurídico. Já li muitos dos seus livros, mas arrisco dizer que este é, sem dúvida, um dos melhores. “Acerto de Contas” levanta uma mão-cheia de inquietações. A mais relevante para mim são as questões raciais, retratadas numa América da década de 1940, onde o racismo imperava sobretudo nos estados mais conservadores do sul do país. A história decorre em 1946, na cidade fictícia de Clanton, no Mississippi. Pete Banning é um herói da Segunda Guerra Mundial, um fazendeiro próspero e um dos pilares da comunidade local. Numa manhã aparentemente normal, entra calmamente na igreja metodista da cidade e mata o reverendo Dexter Bell com três tiros. O que terá…
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Os Maias de Eça de Queirós
No final de 2025 comprei as obras completas de Eça de Queirós. A versão digital custou-me apenas 0,99 €. São muitas horas de leitura e de descoberta de um Portugal que não conhecia. Ontem acabei de reler Os Maias, pela terceira vez. Li-o em miúdo, depois já casado, com outra maturidade, e agora novamente. Eça é um génio na forma como constrói as suas personagens, dando-lhes profundidade e dimensão emocional. Fico com a sensação de que o mundo que ele retrata não é produtivo: ninguém parece trabalhar. De que vive, afinal, a burguesia lisboeta? Em A Tragédia da Rua das Flores, Eça de Queirós já ensaia ideias e personagens que mais tarde desenvolve em Os Maias. Há figuras que transitam de um livro para o outro. O romance acompanha a trajetória e a decadência da família Maia ao longo de três gerações, constituindo uma crítica mordaz à sociedade lisboeta e…
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Euphoria
Nunca tinha ouvido falar da série Euphoria, mas o anúncio da terceira temporada foi feito com tanta pompa que acabei por tropeçar num spot de promoção. Por curiosidade, decidi começar a ver. Estão a ver os Morangos com Açúcar? Não tem absolutamente nada a ver. A história passa‑se num liceu nos Estados Unidos e acompanha um grupo de adolescentes, mas o que vemos está longe de ser leve. É tudo muito intenso e pesado. Há droga, sexo, violência, abuso… uma realidade crua que deixa um sinal claro para quem tem filhos nesta idade. Criada por Sam Levinson e baseada numa minissérie israelita, tornou‑se um fenómeno global precisamente pela forma como retrata a adolescência contemporânea sem filtros. A narrativa centra‑se em Rue Bennett, uma jovem de 17 anos que regressa a casa após uma overdose e uma passagem por reabilitação… mas rapidamente volta a consumir. Cada episódio mergulha na história de…
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Nobody
No sábado à noite, já bastante cansado de um dia cheio, deitei‑me a fazer zapping, à procura de algo para embalar um bom sono. Acabei por parar no Canal Hollywood, que, confesso, já não via há décadas. Estava a começar um filme de que nunca tinha ouvido falar: Nobody. Um verdadeiro filme de ação à antiga. Um herói que não quer nada além de viver uma vida tranquila, mas que acaba arrastado para o centro da ação. Hutch Mansell leva uma existência monótona, ignorado pela mulher e pelo filho adolescente. Quando dois ladrões invadem a sua casa, decide não reagir, para evitar violência, o que o deixa desacreditado perante a família. Mas tudo muda quando, num autocarro, defende uma jovem de um grupo de marginais. Aí revela capacidades de combate que escondia… e entra na mira de um perigoso barão do crime russo. O que me prendeu foi o protagonista,…
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Rooster na HBO Max
Tenho passado os meus serões a ler, admito que vejo muito pouca televisão. Normalmente, só ligo a televisão à hora do jantar, e a escolha recai quase sempre nos canais de notícias. O mais curioso é que tenho várias plataformas de streaming, cheias de opções… mas a leitura tem ocupado o meu tempo. De vez em quando, sinto‑me quase “obrigado” a ver alguma coisa, nem que seja para justificar o que pago todos os meses. Neste fim de semana, tropecei numa série muito divertida e inteligente: Rooster, disponível na HBO Max. A história acompanha Greg Russo, um escritor de sucesso convidado a integrar, durante um semestre, o corpo docente de um campus universitário, onde também leciona a sua filha, com quem tem uma relação complicada. A série é realmente divertida: dei boas gargalhadas. O humor é inteligente, bem construído e foge ao óbvio. Rooster é já uma das estreias de…
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O Clube dos Poetas Morto
No Dia da Mãe, decidi acompanhar a minha mãe ao teatro. Almoçámos em família e o programa prosseguiu no Teatro da Trindade. Ainda à mesa já se falava da dimensão política e humana do texto que íamos ver, o que aumentou a minha curiosidade. Estava, por isso, particularmente entusiasmado para assistir a O Clube dos Poetas Mortos, uma adaptação teatral do célebre filme dos anos 80. Um texto que nos alerta para a finitude da vida e para a urgência de a viver em pleno. Incentiva os jovens a seguirem as suas convicções, mesmo quando inseridos numa sociedade conservadora e conformista. A história acompanha alunos de um colégio de tradição rígida, cujo ano letivo é abalado pela chegada de um professor muito diferente, alguém que valoriza a individualidade, o pensamento crítico e a liberdade interior. Adorei a hora e meia que passei no Teatro da Trindade. Um elenco maioritariamente jovem…
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Reality (2023)
Ontem, depois do jantar, liguei a aplicação da MAX à procura de algo fácil de ver.Acabei por tropeçar em Reality (2023), um filme curto, mas que de simples não tem nada. Imagine‑se um interrogatório contínuo de uma hora e vinte minutos. É exatamente isso que o filme propõe. A história retrata o interrogatório realizado pelo FBI a Reality Winner, ex‑tradutora da NSA, responsável pela fuga de documentos confidenciais sobre a interferência russa nas eleições americanas de 2016. Do ponto de vista emocional, é um filme pesado. Reality vê a sua casa invadida por uma equipa do FBI que mexe em tudo, vasculha cada canto, enquanto a tensão cresce minuto após minuto. O guião utiliza a transcrição real e integral do interrogatório, gravado em áudio no dia da detenção, o que confere ao filme uma crueza e um realismo perturbadores. Há uma tensão permanente que me deixou verdadeiramente ansioso. Gostei muito…
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Lisbon Noir
Foi um fim de semana fora.A ideia era simples: praia, dormir, descansar e comer bem. Na sexta‑feira, depois do jantar, procurei uma série para ver. Acabei por descobrir, na Prime Video, uma mini‑série de quatro episódios, inspirada na figura do serial‑killer português Diogo Alves. Diogo Alves ficou para a história por ter empurrado cerca de 70 pessoas do Aqueduto das Águas Livres. A série parte dessa memória sombria para construir uma nova narrativa: alguém parece venerar o assassino e seguir as suas pisadas. Tudo começa quando a polícia investiga o homicídio de um diplomata, atirado do Aqueduto das Águas Livres. À medida que a história avança, encontramos várias personagens que remetem para os clássicos do género: o polícia mal‑disposto mas competente, e a investigadora talentosa que não é respeitada pela própria classe. No elenco destacam‑se Pêpê Rapazote, Beatriz Godinho e Luís Filipe Eusébio, todos com boas prestações. O maior problema…
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Hard Labour o disco não oficial dos Men at Work
Sem muitas ideias sobre o que ouvir enquanto preparava uma entrevista, acabei por ser levado até a um disco ao vivo de uma banda australiana que marcou a minha adolescência. Os Men at Work fizeram parte de uma fase muito importante da minha vida. Lembro‑me de passar horas a ouvi‑los: tinha todos os discos em vinil e tocavam sempre aos altos berros. Os meus vizinhos deviam achar graça, porque nunca tive uma única queixa. Hard Labour é um álbum ao vivo bootleg (não oficial) da banda australiana Men at Work, lançado comercialmente em plataformas de streaming como o Spotify em fevereiro de 2019. O disco percorre a carreira da banda e é precisamente isso que valorizo nos álbuns ao vivo: mostram o verdadeiro valor dos músicos, sem grandes recursos de produção. As coisas são cruas, reais, genuínas.Ou sabes tocar e cantar, ou então não gravas um disco ao vivo. Hard…