Coisas Boas em Alta
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    Aprovado por Bob Trevino

    Quando a Família Surge por Acaso Na minha tentativa de ver mais cinema, tropecei há dias em “Aprovado por Bob Trevino“. Não sabia bem ao que ia, mas nos primeiros minutos percebi que estava prestes a ver algo emocionalmente muito intenso. Admito: chorei várias vezes. O filme conta a história de Lily Trevino (interpretada por Barbie Ferreira), uma jovem de 20 anos, solitária e carente de afeto, que procura desesperadamente a aprovação e a atenção do pai biológico. Esse pai é, sem exagero, uma personagem detestável: manipulador, egoísta e incapaz de demonstrar qualquer empatia. É difícil encontrar qualidades numa figura tão tóxica. Depois de perder o contacto com ele, Lily tenta encontrá-lo no Facebook e acaba por enviar, por engano, uma mensagem a um desconhecido com exatamente o mesmo nome. É aí que surge o outro Bob Trevino (interpretado por John Leguizamo), um homem generoso que vive o seu próprio…

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    “A Casa da Rússia” de John le Carré

    Uma Segunda Oportunidade Falhada com John le Carré Este é apenas o segundo livro de John le Carré que leio. Já tinha ficado com algumas dúvidas depois da primeira experiência. Desta vez, também não me consegui concentrar totalmente. Tudo parecia servir de distração. No primeiro livro, achei que o problema era meu, que estava com a cabeça noutro sítio. Por isso, decidi dar uma nova oportunidade ao autor e escolher um dos seus clássicos, A Casa da Rússia. Lembrava-me de que o livro teve uma adaptação ao cinema, com algumas cenas filmadas em Lisboa, e por isso tinha tudo para me agradar. A história até começa de forma promissora. Numa feira do audiovisual, em Moscovo, uma mulher aborda um livreiro britânico com a missão de fazer chegar ao Ocidente um manuscrito que contém importantes segredos militares soviéticos. O documento revela fragilidades no sistema de defesa da União Soviética e pode…

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    Furia / Rage

    Um soco no estômago com um sorriso nos lábios Tropecei quase por acaso nesta série espanhola e fiquei completamente rendido. Furia / Rage parte de uma ideia desconfortável: todos carregamos alguma dose de maldade nos nossos comportamentos, muitas vezes sem sequer termos consciência disso. A série acompanha cinco mulheres que enfrentam dilemas muito atuais, da precariedade laboral ao idadismo, passando pela extorsão e pelas relações de poder. As suas histórias acabam por se cruzar de forma tensa e inesperada, criando um verdadeiro efeito borboleta que culmina numa catarse coletiva movida pela vingança, mas também pela sororidade. Ontem terminei a primeira temporada e foi como levar um soco no estômago… com um sorriso amarelo nos lábios. Há todo um mundo por descobrir na ficção produzida do outro lado da fronteira. Não conhecia nenhuma das atrizes e dei por mim completamente colado ao ecrã. Os episódios, com cerca de 30 minutos, veem-se…

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    “O Último Jurado” de John Grisham

    Não consigo explicar racionalmente porque gosto tanto dos livros de John Grisham. Creio que já li praticamente toda a sua obra, embora reconheça que alguns livros são mais conseguidos do que outros. Ainda assim, há algo na sua técnica narrativa que me conquista sempre: muitos diálogos, personagens bem construídas e uma ação que raramente abranda. O Último Jurado conta a história de Willie Traynor, um jovem de 23 anos que compra um jornal local quase falido numa pequena cidade do Mississippi, na década de 1970. O jornal ganha notoriedade ao acompanhar o julgamento de Danny Padgitt, membro de uma família influente e perigosa, condenado por um crime brutal e que promete vingar-se dos jurados caso seja enviado para a prisão. Achei particularmente interessante a forma como Grisham retrata a vida de um jornal semanal numa pequena comunidade onde quase nada acontece. A constante necessidade de encontrar notícias, temas e histórias…

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    I Love LA

    diversão, fama e a ilusão da era digital Procurava uma série que me divertisse, mas que também me deixasse a pensar. Foi assim que descobri I Love LA, disponível na HBO Max. É uma daquelas séries fáceis de acompanhar: episódios com cerca de 30 minutos, ritmo rápido e personagens que rapidamente despertam a nossa atenção. A história acompanha Maia (Rachel Sennott), uma agente de talentos sem clientes cuja vida pessoal e profissional dá uma volta inesperada quando se reencontra com a sua antiga melhor amiga, Tallulah (Odessa A’zion), agora uma influenciadora digital de sucesso. Ao grupo juntam-se ainda um criador de moda e a filha de um ator mediático, num retrato mordaz da vida em Los Angeles. Mais do que uma comédia, a série funciona como uma reflexão sobre a fama, a influência e as relações humanas na era digital. Quase todas as personagens parecem movidas por interesses próprios. Há…

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    Missão Inesperada

    Liam Neeson cumpre, mas o coração falha Estou a adorar esta nova fase da minha vida. Antes do jantar, em vez de ver os canais de notícias, e já bastante farto da interminável novela Ronaldo, tenho optado por ver um filme. Ontem foi a vez de Missão Inesperada. Fiquei bastante interessado pela sinopse: um viúvo e ex-fuzileiro vê-se na obrigação de proteger e levar uma criança de 11 anos para junto da família, em Chicago. Pelo caminho, é forçado a enfrentar assassinos implacáveis de um cartel de droga mexicano que perseguem a mãe (que morre nos início) e o filho. Para ajudar, há ainda um cão que acompanha o protagonista. Todos os ingredientes pareciam estar reunidos para uma história emocionalmente envolvente. Gosto particularmente de filmes em que, ao longo da narrativa, se vão criando laços afetivos entre as personagens. No entanto, apesar do potencial, pouco disso se sente. A componente…

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    Pesadelo em Elm Street (2010)

    O medo de adormecer voltou a Elm Street Era muito miúdo quando a versão original foi lançada. Em 1984, fiquei fã de imediato. Adorei a forma como a narrativa foi construída: os personagens eram impedidos de dormir. E haverá algo mais angustiante do que ser privado do sono? Ontem cheguei cedo a casa, depois de um longo dia de trabalho. Era feriado, mas, mesmo assim, tive de trabalhar. Ainda era cedo para jantar, por isso decidi sentar-me no sofá e escolher um filme para ver. Na HBO Max estava disponível Pesadelo em Elm Street (2010). Nem sequer sabia que existia uma nova versão deste clássico. A história acompanha um grupo de adolescentes que vive na rua Elm Street e começa a ter o mesmo pesadelo recorrente. Nos sonhos, são perseguidos por um homem desfigurado, vestido com uma camisola às riscas verdes e vermelhas e uma luva equipada com lâminas afiadas.…

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    O Agente Secreto

    Uma viagem fascinante ao Brasil de 1977 Não via televisão há algum tempo. No sábado tive um dia infernal e só cheguei a casa por volta das seis da tarde. Tomei um banho, sentei-me no sofá e apeteceu-me ver um filme. Abri a aplicação da HBO Max sem saber muito bem o que escolher e acabei por tropeçar no filme brasileiro O Agente Secreto. Assustei-me um pouco quando percebi que tinha quase três horas de duração, uma verdadeira aventura para quem já não está habituado a passar tanto tempo em frente à televisão. Mas revelou-se uma excelente surpresa. O filme está muito bem realizado, com momentos de cortar a respiração e uma carga emocional impressionante do princípio ao fim. A história decorre em 1977, em plena ditadura militar brasileira, e é precisamente aí que se nota um toque de génio. Tudo nos transporta para aquela época: o guarda-roupa, os cenários,…

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    Yesteryear de e Caro Claire Burke

    E se a vida perfeita nas redes sociais acabasse em 1855? Uma amiga falou-me deste livro, muito por causa de toda a atenção que tem recebido este ano. Decidi dar-lhe uma oportunidade. Lê-se muito bem: capítulos curtos, muitos diálogos e uma escrita simples e envolvente. Tem exatamente o formato que costuma conquistar os leitores atuais. Por isso, avancei na leitura com bastante rapidez. A história acompanha Natalie Heller Mills, uma influenciadora digital norte-americana que construiu uma carreira a vender uma imagem de vida rural perfeita, inspirada no conceito “tradwife”. A trama ganha verdadeiro interesse quando ela acorda subitamente em 1855, sem eletricidade, internet ou quaisquer dos confortos modernos, sendo obrigada a confrontar-se com a realidade dura, exigente e muitas vezes violenta da vida dos pioneiros. O livro tornou-se um enorme sucesso de vendas e já está a caminho do cinema. À medida que avançava na leitura, fui sentindo uma certa…