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“O Caso Alaska Sanders” de Joël Dicker
Provavelmente, este será o último livro que leio de Joël Dicker. O autor suíço domina a técnica: sabe prender o leitor, cria boas histórias cheias de reviravoltas e tem uma escrita muito fluida e fácil de acompanhar. Li O Caso Alaska Sanders num abrir e fechar de olhos, apesar das quase 500 páginas. Ainda assim, admito que o livro me deixou com alguma tristeza. É uma história sombria e perturbadora, que me deprimiu um pouco. Além disso, fiquei com a sensação de que o romance tem cerca de 100 páginas a mais do que precisava. Joël Dicker perde-se frequentemente em pormenores que pouco ou nada acrescentam à narrativa e que parecem servir apenas para aumentar o número de páginas. O Caso Alaska Sanders é a sequela de A Verdade sobre o Caso Harry Quebert, livro que não li. Voltamos a acompanhar Marcus Goldman e o sargento Perry Gahalowood na investigação…
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Pessoas Normais de Sally Rooney
O que tenho lido nestas férias! Pessoas Normais, de Sally Rooney, já me tinha sido recomendado por uma colega de trabalho, que, ao que parece, já leu toda a obra da escritora irlandesa. O sucesso deste romance foi tão grande que acabou por dar origem a uma série de televisão, que, confesso, ainda não vi. Pessoas Normais é um livro de leitura muito fácil. Li-o em apenas duas tardes. Os capítulos são curtos, há muito diálogo e a escrita de Sally Rooney prende-nos desde as primeiras páginas. No fundo, é um romance que retrata uma geração que não é a minha, mas cujas inquietações consigo compreender. Estão lá muitos dos temas que marcam os jovens adultos de hoje: o amor e o desamor, a entrada na universidade, a saúde mental, as diferenças sociais e, sobretudo, a dificuldade em comunicar aquilo que realmente se sente. A história acompanha a relação intensa,…
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“Tudo é Rio” de Carla Madeira
A leitura tem-me deixado muito feliz. Tenho descoberto livros verdadeiramente especiais. Nunca tinha ouvido falar de Carla Madeira, mas este Tudo è Rio foi-me recomendado por várias pessoas. Aproveitei uma promoção na aplicação da Kobo e comprei-o por apenas 6 €. Li-o num único dia, na praia. É um livro muito fácil de ler, mas impossível de esquecer. A escrita de Carla Madeira tem uma enorme carga poética. Brinca com as palavras de uma forma delicada e poderosa, fazendo com que cada frase tenha peso e significado. Publicado em 2014, tornou-se um verdadeiro fenómeno de popularidade, e percebe-se facilmente porquê. É daqueles livros que quase têm cheiro. A escrita é tão sensorial que consegui sentir o odor corporal de uma das personagens e visualizar cada cenário como se estivesse presente. A história acompanha três personagens marcantes: É um romance sobre o amor, e também sobre a sua ausência. Fala de…
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“Crónica dos Bons Malandros” de Mário Zambujal
As férias têm-me dado tempo para ler muito mais. Por curiosidade, decidi revisitar Crónica dos Bons Malandros, de Mário Zambujal. Já o tinha lido em miúdo, mas não me lembrava praticamente de nada. Apenas guardava uma vaga memória da adaptação cinematográfica. Foi, por isso, com prazer e um sorriso nos lábios que mergulhei novamente nesta obra de Mário Zambujal. É um livro profundamente divertido, escrito com enorme inteligência e um apurado sentido de humor. Logo nas primeiras páginas, Zambujal apresenta-nos os seus “bons malandros”, personagens que, apesar da vida à margem da lei, têm muito pouco de verdadeiramente maus. A história acompanha uma quadrilha de pequenos criminosos lisboetas contratada por um misterioso italiano para executar aquele que seria o maior assalto alguma vez planeado na capital: roubar a valiosa coleção de joias de René Lalique, exposta no Museu da Fundação Calouste Gulbenkian. O plano é um autêntico disparate, improvável do…
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“A Convocatória” de John Grisham
Não tenho dúvidas de que comprar o meu Kobo foi uma das melhores decisões que tomei nos últimos anos. Passo horas a ler e, agora que estou de férias, já vou no meu terceiro livro. Sou um grande fã de John Grisham. Nem sei bem como nasceu esta paixão pelos seus livros, mas acredito que já li quase toda a sua obra. Gosto da forma simples e envolvente como escreve e da capacidade que tem para nos surpreender até à última página. Há dias, na praia, terminei “A Convocatória“. A história acompanha Ray Atlee, um professor de Direito cuja vida muda completamente quando o pai, um juiz gravemente doente, o convoca, juntamente com o irmão, para discutir a herança. Mas quando chega à casa do pai, Ray encontra-o já sem vida. Antes de chamar as autoridades, decide percorrer a casa e faz uma descoberta inesperada: escondidos no escritório do juiz…
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Baile no Bosque dos Trovante
Fico sempre nostálgico quando desaparece alguém da dimensão de Luís Represas. Eu era ainda muito miúdo quando os Trovante surgiram na cena musical portuguesa. Numa época em que a esquerda vivia um período de afirmação e crescimento, os Trovante eram muitas vezes vistos como uma banda associada aos chamados “filhos da Revolução”. Lá por casa, era comum ouvir os seus discos. No dia da morte de Luís, decidi revisitar um dos álbuns que me deram a conhecer a banda: Baile no Bosque, lançado em 1981 e terceiro disco da carreira dos Trovante. É um álbum obrigatório na música portuguesa. Assente numa forte matriz tradicional, apresenta também sinais de modernidade, enquadrando-se naquilo que mais tarde veio a ser designado por “neotradicionalismo”. O disco é extremamente bem tocado, por músicos de enorme qualidade, e em alguns momentos há até uma abordagem quase sinfónica na construção das canções. Baile no Bosque foi um…
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Os One Vision a banda de tributo aos Queen
A minha mãe adora ir a concertos. Só não vai mais vezes porque já não tem grande paciência para passar horas em pé. Mas sempre que surge um espetáculo onde pode estar sentada, aproveita a oportunidade. Quando foi anunciado o concerto dos One Vision, banda de tributo aos Queen, comprou logo dois bilhetes. A ideia era ir com a irmã, mas ela acabou por não poder comparecer e lá fui eu. Nunca tinha ouvido falar dos One Vision, até porque também não sou propriamente um grande fã dos Queen. Na hora que antecedeu o espetáculo, passei algum tempo ao telefone a tentar perceber quem eram. Descobri então que são apontados por muitos como um dos melhores tributos à banda britânica. Com cerca de 20 anos de carreira, os One Vision mostram em palco toda a experiência acumulada. A rodagem é evidente, quer na forma como interpretam os temas, quer na…
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Baumgartner de Paul Auster
Estou totalmente rendido aos livros digitais. Sem dúvida, o meu Kobo foi a melhor compra que fiz nos últimos cinco anos. Voltei a ler e a um ritmo vertiginoso. Hoje em dia, praticamente não vejo televisão. Sou um grande admirador da obra de Paul Auster. Desde o dia em que li A Trilogia de Nova Iorque, fiquei rendido à sua forma de escrever, à maneira como constrói as personagens e entrega as emoções ao leitor. Ao longo da vida li quase todos os livros deste autor, sempre com enorme prazer. Desta vez, decidi pegar em Baumgartner, o último livro que Paul Auster escreveu antes de nos deixar. É claramente um livro de despedida. Um livro sobre o luto, a velhice, a memória e a forma como o tempo molda aquilo que somos. A história acompanha Sy Baumgartner, um professor de Filosofia de 71 anos, prestes a reformar-se. Grande parte da…
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Uma Campanha Alegre de Eça de Queirós
Sou um grande admirador de Eça de Queirós. Diria mesmo que é o mais genial dos escritores portugueses. No ano passado decidi comprar a sua obra completa, que me custou apenas 0,99 €. Desde então, tenho vindo a lê-la devagar, sem seguir uma ordem rigorosa, intercalando-a com leituras mais modernas. Ontem terminei Uma Campanha Alegre, uma coletânea de crónicas originalmente publicadas em As Farpas. São textos curtos, escritos com uma sátira mordaz, que retratam a sociedade portuguesa da segunda metade do século XIX. À medida que avançava na leitura, fui chegando a uma conclusão curiosa: a sociedade de então não é assim tão diferente da dos nossos dias. Passaram mais de 150 anos e, em muitos aspetos, Portugal parece ter mudado muito pouco. O poder político continua a alternar ciclicamente entre um lado e o outro, enquanto surge sempre uma força política que faz da crítica a sua principal bandeira.…