Coisas Boas em Alta
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    Madame Pió Arinto Reserva 2021

    Era um fim de tarde de despedida: um primo ia partir para mais uma aventura no estrangeiro.Decidimos fazer um frango árabe quase como lanche tardio. Se há coisa de que gosto, é de cozinhar enquanto vou bebericando um bom vinho. O frango árabe exige tempo, pelo menos uma hora e meia, mais do que suficiente para dar cabo de um vinho fresco. A tarde estava quente, por isso a missão tornou‑se ainda mais fácil. O Madame Pió Arinto Reserva 2021 apresentava uma cor amarelo-palha, límpida e brilhante. Antes mesmo de o cheirar, achei que talvez não estivesse no seu melhor, porque a cor me pareceu mais intensa do que o habitual. No entanto, tal não se verificou e estava tudo ok.No aroma, surgem notas de frutas tropicais, melão e um toque de madeira. Na boca, revelou intensidade, complexidade e um perfil mineral marcado. Admito que não fiquei particularmente fã da…

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    Monte da Raposinha tinto 2019

    Onde trabalho, há uns meses recebemos uma colega nova, vinda dos Açores, que ainda pouco conhece de Lisboa. Numa conversa de corredor, perguntou onde se come um bom leitão. Como bons portugueses, e, acima de tudo, bons anfitriões, tratámos logo de organizar um grupo para ir ao leitão. Com alguma antecedência, marquei mesa no O Beiral. Já sentados, o empregado trouxe-me a lista de vinhos, extensa e bastante interessante. Percebendo a minha indecisão, sugeriu-me o Monte da Raposinha, uma opção bem mais acessível do que muitas outras da carta. A garrafa custava 19€ e foi, sem dúvida, uma excelente escolha. Um tinto cheio de classe e com bastante potência, de cor vermelho-púrpura. No paladar, destacam-se os frutos silvestres, cerejas e ameixas, com um toque floral e mineral. Tem 15% de álcool, e, admito, sente-se. No final, perguntei se pedíamos mais uma garrafa e a resposta foi imediata: estava aprovado por…

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    Herdade fonte Paredes grande reserva 2021

    Que vinho incrível! Já tinha terminado o jantar quando esta garrafa apareceu em cima da mesa. Estávamos em família e não fui capaz de recusar a prova deste vinho. Só o rótulo me deixou logo encantado. Eu já estava bem disposto, o jantar tinha sido óptimo e até já tinha comido a sobremesa.Ainda assim, acabei por provar… e ainda bem que o fiz. É um vinho com muito corpo e uns respeitáveis 16% de álcool: uma verdadeira bomba, mas extremamente bem feita. Trata-se de um tinto alentejano encorpado, produzido a partir das castas Touriga Franca e Alicante Bouschet. Apresenta cor grená intensa, grande concentração, notas de fruta madura e um toque de madeira.O final é longo e persistente. Claramente não é um vinho para beber no fim da refeição, tal é a sua potência. Pede mesmo que se acompanhe com comida. É forte, é saboroso e foi uma verdadeira surpresa.…

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    Bellus Petit Verdot Rosé 2024

    Há dias tive o prazer de conhecer o João Tique, um homem simples, genuíno e profundamente apaixonado pelo mundo do vinho. Tivemos uma conversa de cerca de uma hora, agradável e descontraída, que terminou com uma surpresa: uma caixa do que o João melhor sabe fazer. Vinho. Dentro da caixa vinha um Bellus Petit Verdot Rosé 2024, que decidi abrir em família no passado sábado. E que vinho maravilhoso! Trata-se de um rosé monovarietal, produzido exclusivamente a partir da casta Petit Verdot. Desde o primeiro gole senti notas de cereja e morango, algo inesperado e muito interessante. A cor rosa viva confere-lhe um aspeto distinto no copo. É um vinho delicado, com subtis traços minerais, elegante e com muita classe. Acompanhou na perfeição as entradas, mas é igualmente ideal para beber simplesmente enquanto se desfruta de uma boa conversa. Tem 13% de álcool, mas está tão bem equilibrado que quase…

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    Marquês de Marialva

    Este fim de semana foi mesmo para relaxar: descansar, ir ao ginásio e comer bem em casa, com tempo para cozinhar. Na sexta‑feira, depois de experimentar uma invenção minha que juntava frango com amêndoas, decidi abrir uma aguardente Marquês de Marialva. Sabe tão bem, depois de uma boa refeição, beber algo que muitos dizem ajudar na digestão. Trata-se de uma aguardente velha, que estagiou durante vários anos em barricas de carvalho, daí os seus aromas a madeira e baunilha. Apresenta uma cor topázio intensa, com aroma a caramelo e frutos secos. É produzida na região da Bairrada, pela Adega Cooperativa de Cantanhede. É, sem dúvida, uma excelente aguardente: bem feita, equilibrada e, apesar dos quase 38% de álcool, surpreendentemente macia e delicada. Chega ao mercado por cerca de 24 €, um preço muito justo para a qualidade que oferece. Recomendo vivamente.

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    Cheira Bem Cheira a Lisboa

    Ontem, na zona dos vinhos, tropecei numa garrafa de vinho tinto chamada “Cheira Bem, Cheira a Lisboa”. É uma homenagem à cidade de Lisboa e inspira-se na imagem dos Santos Populares, com referências à tradicional venda de manjericos. Achei o rótulo tão bonito que decidi trazer uma garrafa. Esta coleção é produzida pela Casa Santos Lima, e fiquei com a impressão de que é direcionada sobretudo para o mercado turístico, pessoas que nos visitam e querem levar uma recordação de Portugal. Trata-se de um vinho frutado e equilibrado, elaborado a partir das castas Castelão, Syrah e Tinta Roriz. Tem 13% de álcool, e existem também versões branco e rosé. A garrafa custou cerca de 3 €, e, como diz um amigo meu, é um preço honesto. Não tem pretensões de ser um grande vinho, mas é perfeitamente indicado para o consumo do dia a dia. E confesso: apaixonei-me pelo rótulo.

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    Coutada Velha 2024 um vinho da Ravasqueira

    Tropecei nesta garrafa num escaparate: estava em promoção, pouco mais de 5€, e o rótulo chamou-me logo a atenção por se assemelhar ao de uma garrafa da Casa Ferreirinha. Só em casa, ao abrir, percebi que não era. Ainda assim, a entrada que preparei para acompanhar o vinho combinou lindamente e não perdi o entusiasmo pelo meu “erro”. Trata-se de um vinho alentejano produzido no Monte da Ravasqueira, com uma forte presença de madeira e notas de baunilha. O Coutada Velha 2024 revela-se intenso, com a dose certa de acidez. A cor apresenta já traços de envelhecimento e mostra-se muito equilibrado no conjunto. Apesar dos 13,5% de álcool, o equilíbrio é tão bem conseguido que praticamente não se sente. Em resumo: uma agradável surpresa, que quero certamente repetir, ainda por cima a um preço muito simpático.

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    Caminho Touriga Nacional

    Há muito tempo que tinha este vinho guardado para uma ocasião especial, e foi na passada sexta‑feira que decidi abri‑lo num jantar de família. Caminho Touriga Nacional é um vinho tinto monovarietal produzido na região do Dão, pela produtora Cas’Amaro. Apresenta uma cor intensa, próxima do grená, e um paladar surpreendentemente suave. É um vinho floral, elegante e fresco. Com 13,5% de teor alcoólico, revelou-se perfeito como vinho de entrada. Foi acompanhado por pão com chouriço e uma pizza de cogumelos, combinações que potenciaram ainda mais a prova deste Caminho. É certificado como um vinho vegan, o que reforça a sua identidade moderna e consciente. Chega ao mercado por cerca de 12 €. Caracterizo-o, sem dúvida, como um vinho muito elegante e requintado.

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    Montes Ermos Tinto

    A noite estava chuvosa, mas tinha um paté de Caranguejo para provar e estava ansioso por chegar a casa. Preparei tudo para o meu jantar e, com a entrada já na mesa, faltava apenas escolher um vinho que elevasse a refeição. Decidi abrir um vinho produzido na Adega Cooperativa de Freixo de Espada à Cinta (adoro o nome). O Montes Ermos! É um vinho do Douro, embora sinta que não apresenta totalmente as características típicas da região. A presença marcada da madeira leva o meu imaginário para o Alentejo. Jovem e frutado, revela também notas de cortume e um leve toque a fumo. É um vinho inusitado para consumo quotidiano. Não é um vinho de cerimónia, mas é honesto. Com 14,05% de teor alcoólico e um preço a rondar os 6€, oferece, sem dúvida, uma boa relação qualidade‑preço.