Os Maias de Eça de Queirós
No final de 2025 comprei as obras completas de Eça de Queirós. A versão digital custou-me apenas 0,99 €.
São muitas horas de leitura e de descoberta de um Portugal que não conhecia.
Ontem acabei de reler Os Maias, pela terceira vez. Li-o em miúdo, depois já casado, com outra maturidade, e agora novamente.
Eça é um génio na forma como constrói as suas personagens, dando-lhes profundidade e dimensão emocional.
Fico com a sensação de que o mundo que ele retrata não é produtivo: ninguém parece trabalhar. De que vive, afinal, a burguesia lisboeta?
Em A Tragédia da Rua das Flores, Eça de Queirós já ensaia ideias e personagens que mais tarde desenvolve em Os Maias. Há figuras que transitam de um livro para o outro.
O romance acompanha a trajetória e a decadência da família Maia ao longo de três gerações, constituindo uma crítica mordaz à sociedade lisboeta e à elite política e cultural do final do século XIX.
Conta a história de Carlos da Maia, um jovem médico diletante e aristocrata que, após terminar os estudos em Coimbra, regressa a Lisboa para viver no Ramalhete com o seu avô, Afonso da Maia.
Quando falo deste romance aos meus amigos, há quem se queixe das longas descrições.
Mas é precisamente aí que reside a mestria de Eça: na forma elegante e detalhada como observa e descreve.
O autor critica a mediocridade da política, o atraso cultural do país e a hipocrisia da alta burguesia.
Espero, ao longo da vida, voltar a mergulhar neste livro brilhante.


