Coisas Boas em Alta
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    “O Mandarim” de Eça de Queiroz 

    É, de longe, o maior escritor português de todos os tempos, e nunca ganhou o Prémio Nobel. Num espaço de dois meses já li cinco livros de Eça de Queiroz. Um homem extremamente atento a toda a movimentação social do século XIX.Uma Lisboa onde a vida social acontecia nos teatros ou na icónica tabacaria A Havanesa, na Baixa lisboeta. “O Mandarim” é algo de diferente dentro da escrita do autor. Teodoro, um homem pouco atraente, funcionário público e de vida humilde, é apaixonado pela leitura. Na Feira da Ladra, onde vai todos os sábados, compra um livro, um livro mágico, do qual surge um ser que lhe fala de um mandarim riquíssimo. Essa riqueza pode passar para Teodoro se ele tocar uma campainha.Mas, ao fazê-lo, o mandarim morrerá imediatamente. Terá Teodoro coragem para matar alguém que não conhece, apenas para viver uma vida faustosa?E, se o fizer, conseguirá lidar com…

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    “O Curador” de M. W. Craven

    Estou totalmente dedicado ao meu bom hábito de ler. Varío bastante nas minhas escolhas: tanto sou capaz de pegar num clássico como, a seguir, ler algo mais contemporâneo e de “série B”. Aproveitei uma promoção da Kobo e comprei O Curador por 5 €. É um livro que se lê em duas tardes e que não exige grande envolvimento emocional. “O Curador” faz parte da popular série do detective Washington Poe, um investigador brilhante que desvenda grandes mistérios com a ajuda da analista Tilly Bradshaw. Nos livros deste autor há sempre uma atmosfera fria e quase sombria. É Natal, e um assassino em série está a espalhar o terror no condado de Cúmbria, deixando dedos das suas vítimas em locais públicos. Junto deles, surge sempre uma inscrição enigmática: #BSC6.O que significará? Há ainda um jogo online que, enquanto dá instruções aos jogadores, os vai manipulando subtilmente. No final, tudo se…

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    Capitão Fausto, uma noite de singles

    O espectáculo estava anunciado há um ano, e há um ano que o tinha marcado na agenda. Sou fã da banda, por isso admito a minha enorme vontade de os voltar a ver. A última vez que os tinha visto ao vivo foi no fim‑de‑semana anterior ao fecho do mundo por causa da pandemia, a 7 de março de 2020. Esse concerto deixou‑me encantado e tornou‑me verdadeiramente fã. Como teria evoluído a banda ao fim de seis anos?Como seria colmatada a saída de um dos seus elementos?O que teria mudado? O Pavilhão Atlântico não estava cheio; o segundo balcão encontrava‑se fechado, e o público concentrava‑se entre a plateia e o primeiro balcão. Mas quem lá estava foi porque conhece bem a banda. A plateia estava cheia de gente ligada ao meio musical: artistas, animadores de rádio, críticos… e até Marcelo Rebelo de Sousa. Foi uma noite em que eu, simples…

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    “O Primo Basílio” de Eça de Queirós

    Para mim, Eça de Queirós é, de longe, o maior escritor da língua portuguesa.Um talento gigantesco, com uma capacidade descritiva absolutamente impressionante. Decidi comprar as obras completas de Eça em formato digital, custaram-me apenas 99 cêntimos! Por isso, vou intercalando, um livro de Eça e outro mais moderno. Já estou no quarto livro da coleção. Desta vez li O Primo Basílio. Terminei em cinco dias e, mais uma vez, li de forma encantada.Cheguei à conclusão de que, no século XIX, não havia ninguém verdadeiramente bom: toda a sociedade portuguesa parece moralmente malformada, egoísta, com um único objetivo “safar-se”. É uma sátira social e uma crítica feroz à hipocrisia da burguesia lisboeta do século XIX.Luísa, uma jovem burguesa casada com o engenheiro Jorge, vê-se sozinha quando o marido parte para o Alentejo em trabalho. Durante essa ausência prolongada, envolve-se num caso adúltero com o primo Basílio. Basílio é uma personagem nojenta.…

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    “Retaliação” um filme passado dentro de um carro

    Tinha vontade de ver um bom filme de ação, por isso abri a aplicação da Max.Queria algo rápido, direto, que não me deixasse a pensar demasiado. Acabei por escolher “Retaliação”, com Liam Neeson.A trama gira em torno de um executivo que descobre uma bomba no carro enquanto leva os filhos à escola.São menos de 90 minutos de pura adrenalina. Destaque: Liam Neeson continua fiel ao seu estilo, há décadas que interpreta o homem que, contra todas as probabilidades, salva o dia.No elenco estão também Jack Champion, Embeth Davidtz e Matthew Modine. Não é um filme para ficar na história, mas cumpre bem o papel: entretenimento puro, vivido a mil à hora.Disponível na MAX HBO.

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    The Chair Company

    Tenho feito um esforço para conseguir participar nas conversas com amigos, sobretudo quando o tema são séries ou filmes. Passei o último ano agarrado aos livros e quase não vi televisão. Essa escolha tem-me deixado um pouco à margem dessas conversas. Há dias, alguém falou sobre The Chair Company, uma nova série da HBO Max. Decidi começar a ver. Os episódios são curtos, o que torna fácil acompanhar. Mas ainda não sei se The Chair Company é para levar a sério ou se é apenas entretenimento. Tudo gira à volta de uma obsessão: um dia, depois de um discurso para os membros da empresa, o protagonista (Tim Robinson) regressa ao seu lugar e a cadeira onde se senta parte-se, deixando-o numa situação embaraçosa. A partir daí, ele decide investigar a marca da cadeira, mas descobre que é quase impossível encontrar informações. Essa busca transforma-se numa obsessão, com a tentativa de…

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    “Batalha Atrás de Batalha” de Paul Thomas Anderson

    Tenho passado o meu tempo livre a ler, e isso deixa-me feliz. No entanto, no meu grupo de amigos fala-se muito de cinema e séries que eu não acompanho. Sinto que não consigo participar nessas conversas porque não fazem parte da minha realidade. Percebi que precisava de sair desta bolha para interagir melhor com todos. Tinham-me falado do novo filme de Paul Thomas Anderson, “Batalha Atrás de Batalha”. No domingo passado decidi abrir a app da Max HBO para ver o que estava disponível e, em grande destaque, lá estava o filme. Confesso que fiquei assustado quando vi a duração: 2h45. Não via cinema há muito tempo, e regressar com um filme desta dimensão parecia quase impossível. Mas sentei-me confortavelmente na sala, com o cão no colo, e acreditem: o tempo voou. A narrativa tem uma velocidade e uma carga emocional tão intensas que nem se sente a duração. Passei…

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     “O Corretor” de John Grisham 

    Sou um grande fã de John Grisham.A sua escrita é simples e envolvente, com narrativas que facilmente poderiam dar origem a filmes de ação. Grisham segue um formato consistente em quase todos os livros: se gostarem de um, vão gostar de todos. O elemento comum é a ação, geralmente centrada em tribunais, provavelmente influenciada pelo facto de ter estudado Direito. No entanto, em O Corretor (título original The Broker), a ação principal não decorre numa sala de audiências, mas o ritmo característico está lá. Publicado em 2005, o livro conta a história de Joel Backman, um poderoso advogado com influência sobre o presidente dos Estados Unidos.Apanhado num esquema, acaba condenado a 20 anos de prisão. Já no final do mandato, o presidente decide conceder-lhe um indulto. A partir daí, a CIA assume o controlo da nova vida de Backman. É um livro impossível de largar: muitos diálogos, muita ação.Não há…

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    “Uma catastrófica visita ao zoo” de Joël Dicker

    É curioso como um autor consegue assumir várias formas e estilos. Joël Dicker é um excelente exemplo disso. Já li várias obras deste escritor suíço e ele tem sempre a capacidade de me surpreender. A sua escrita é rápida, envolvente e utiliza técnicas que prendem o leitor ao livro. Na construção narrativa, recorre a parágrafos curtos e capítulos pequenos, e em Uma Catastrófica Visita ao Zoo mantém esse formato. A história é contada por uma miúda “especial”. No início, estava convencido de que se tratava de um livro infantil, porque é pequeno e fácil de ler. Mas não é! O livro procura explicar conceitos como democracia e amor, e fá-lo de forma inteligente e divertida. Passei quase todo o tempo a sorrir com a forma como Joël Dicker constrói a narrativa. A ingenuidade das crianças transforma-se em verdadeiras lições sobre conceitos complexos. É fascinante ver como as crianças percebem o…