Coisas Boas em Alta
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    “A Tragédia da Rua das Flores” de Eça de Queirós

    Decidi comprar a obra completa de Eça de Queirós, que na aplicação da Kobo custa apenas 0,99 €.Uma verdadeira pechincha. Não será para ler tudo de seguida, mas para ir intercalando com outras leituras. Não ajuda ver que ainda faltam cerca de 300 horas para terminar, apesar de já ter lido três obras deste genial autor. A Tragédia da Rua das Flores, escrita em 1877, é um bom exemplo de como é quase inacreditável que Eça não tenha sido “cancelado” nos dias de hoje.Não há uma única personagem que seja moralmente boa.Todos têm comportamentos reprováveis; no fundo, são humanos, egoístas, centrados em si próprios, e, por isso mesmo, genuínos. Eça vai desenvolvendo as personagens, cada uma representando um traço da sociedade da época, e não há uma que se aproveite verdadeiramente. De reter também o retrato da Lisboa do século XIX: pequena, limitada, onde a vida social acontecia sobretudo no…

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    It’s Florida, Man

    Tenho passado o meu tempo livre a ler e tenho-me divertido imenso. Mas, quando oiço os meus amigos a falar sobre séries de televisão, sinto-me completamente fora das conversas, porque já não vejo nada há muito tempo. Tenho várias plataformas de streaming, mas acabo por não as usar. No fim de semana, depois de ter lido a notícia sobre a compra da HBO Max pela Netflix, decidi abrir a app da HBO Max. Já tinha saudades de ver uma série. Com tanta coisa nova, nem sabia por onde começar. O algoritmo foi-me sugerindo algumas opções e decidi escolher a série “It’s Florida, Man”, porque os episódios são muito curtos, e sem sequer saber bem do que se tratava. A surpresa foi enorme. É um misto de documentário com narrativa interpretada, onde são contados alguns dos episódios mais bizarros passados na Florida. Começa logo com a história de um homem que…

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    “A viuva” de  John Grisham

    A dificuldade que tive em ler em papel Desde 2022 que utilizo um Kobo para ler.Sem dúvida, é muito mais prático: não dependo da luz, não incomodo ninguém se estiver num quarto escuro e consigo ajustar o tamanho da letra conforme a minha preferência. A editora portuguesa de John Grisham teve a gentileza de me enviar o livro em papel.Como sou fã deste autor, fiz um esforço titânico para ler em formato físico. A letra era muito pequena, mas consegui! John Grisham é o criador de um estilo que podemos apelidar de thriller judicial, onde grande parte da ação decorre nos tribunais.Talvez por ter estudado Direito, gosto tanto deste género. “A Viúva” é o mais recente livro de John Grisham e conta a história de uma mulher sem família direta que procura um advogado para redigir o seu testamento.Tudo indica que possui uma grande fortuna e, não tendo descendentes, torna-se…

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    “Por Dentro do Chega” de Miguel Carvalho

    Sou um grande fã de História Contemporânea e foi com essa perspetiva que decidi ler esta obra. “Por Dentro do Chega“, de Miguel Carvalho, é muito mais do que um livro: é um documento histórico, rigoroso e bem fundamentado, com provas para todos os factos apresentados. O autor explora a formação do partido, o seu financiamento e os seus apoiantes. Miguel Carvalho conduz uma investigação minuciosa e explica de forma clara como uma extrema-direita musculada se infiltrou na vida política portuguesa. Mostra como é possível que eleitores tradicionalmente ligados ao PCP migrem para o lado oposto do espectro político. Desconstrói os propósitos do partido e expõe tudo com rigor jornalístico. É uma viagem por vezes incómoda, tal é o peso da realidade que revela. Miguel Carvalho demonstra que o Chega funciona quase como uma seita, recrutando seguidores vindos das mais variadas origens. Demorei algum tempo a concluir a leitura, na…

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    O advogado de John Grisham

    Sou um grande fã de John Grisham. Ao tentar racionalizar essa preferência, a explicação mais evidente é o facto de ter estudado Direito, e Grisham é um mestre dos romances jurídicos. Durante muitos anos, o autor exerceu advocacia, com presença regular nos tribunais e um conhecimento profundo dos bastidores da justiça. Essa experiência transparece na sua escrita, geralmente marcada por ação intensa e uma atmosfera quase policial. No entanto, em O Advogado, publicado em 1988, nota-se uma mudança significativa. É evidente que Grisham ainda procurava uma identidade narrativa, afastando-se do estilo que viria a torná-lo mundialmente conhecido. Neste romance, encontramos uma forte preocupação com a justiça social, a ética profissional e a desigualdade, temas que o distanciam do seu formato mais comercial. A história acompanha Michael Brock, um advogado de um prestigiado escritório, cuja vida muda radicalmente após um sem-abrigo invadir o edifício e ser abatido. Este acontecimento transforma por…

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    O crime do padre Amaro de Eça de Queirós

    Para quem nos acompanha, é fácil perceber o quanto os livros digitais transformaram a nossa vida. Pessoalmente, passo cada vez mais tempo a ler, deixando quase por completo a programação televisiva vazia e repetitiva. Há alguns meses, comprei por apenas 0,99 € a obra completa de Eça de Queirós, um preço incomparável com a versão em papel. Atualmente, estou no segundo livro da coleção: O Crime do Padre Amaro. Ao terminar, fiquei surpreendido com o facto de este autor não ter sido banido ou perseguido, já que dispara críticas em todas as direções. Neste genial romance não há uma única personagem verdadeiramente boa.A Igreja é arrasada, o poder político também, e reina a falta de moralidade e de valores. A única exceção é o Dr. Fortes, que se revela um homem de bom coração e consegue destacar-se num ambiente dominado pelo egoísmo. Publicado em 1875, o livro retrata um Portugal…

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    “Palavras em tempos de crise” de Luis Sepúveda

    Luís Sepúlveda tem uma escrita doce. Tudo o que li deste autor chileno transmite um carinho imenso. É impossível lê-lo sem passar a olhar o mundo de forma mais positiva. Nem sei bem como tropecei em “Palavras de Tempo de Crise“, mas foi uma verdadeira surpresa: descobri um autor com forte consciência política, revoltado com as injustiças do mundo capitalista. Daí a necessidade de estudar Sepúlveda para além da sua obra e compreender que foi forçado a deixar o Chile por motivos políticos, uma vida de exilado que se reflete de forma clara neste livro. Trata-se de um conjunto de crónicas, publicado em 2013, profundamente pessoais e quase sempre narradas na primeira pessoa. Histórias de trabalhadores e das suas lutas, reflexões sobre inquietações económicas, denúncias dos crimes ambientais, memórias da vida em Espanha… ou até episódios simples, como perder um avião e mostrar o caos das companhias aéreas. São pequenas…

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    “Um Animal Selvagem” de Joël Dicker

    O escritor suíço Joël Dicker era-me totalmente desconhecido antes de aderir ao formato digital.No entanto, acabou por ser um dos primeiros autores que descobri quando comprei o meu Kobo. A sua escrita é envolvente: frases curtas, muitos diálogos, ritmo acelerado e ação constante. Joël Dicker domina um estilo viciante, impossível de largar, terminamos um capítulo e sentimos logo vontade de começar o seguinte. Não foi, por isso, de estranhar que tenha lido este livro em apenas três dias. “Um Animal Selvagem“ segue a fórmula de sucesso a que o autor já nos habituou.A história centra-se em dois casais vizinhos: um representa a típica família perfeita, com dinheiro e felicidade aparentes; o outro encarna uma realidade bem mais próxima do comum dos mortais. O enredo combina romance e policial, tendo como ponto de partida o assalto a uma joalharia e a respetiva investigação. Gostei bastante da leitura e, acima de tudo,…

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    “Contra Mim” de Válter Hugo Mãe

    Nunca tinha lido nada de Válter Hugo Mãe, mas bastaram poucas páginas para ficar rendido à sua escrita. Talvez por sermos da mesma geração, reconheço-me facilmente nas vivências que descreve. “Contra Mim” é um livro autobiográfico, onde o autor partilha a sua experiência e a sua vida de forma muito pessoal. Sempre com um toque de humor, passei a leitura inteira com um sorriso nos lábios. Para além disso, o livro é construído com uma doçura que o torna ainda mais cativante. Tal como o Válter, nasci no chamado “Ultramar” e, quando vim para Portugal, também fui apelidado de retornado, sem sequer perceber o que isso queria dizer. Recordo-me bem de que, quando entrei na primeira classe, a professora dava reguadas aos alunos, algo que o autor retrata de forma muito fiel e que eu próprio vivi na pele. São muitas as experiências que partilhamos e que estão narradas de…