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Bacelo Novo Branco Dão
Foi, provavelmente, a noite mais quente do ano. Para o jantar, havia um belo bacalhau no forno, regado generosamente com azeite. Para acompanhar este prato delicioso, decidi abrir o novo Bacelo Branco 2024, produzido na região do Dão. Trata-se de um vinho leve e seco, com notas frutadas, talvez pêssego e pera. Muito fácil de beber, e como o calor era intenso, a primeira garrafa desapareceu antes mesmo de servir a refeição. Este Bacelo Novo Branco do Dão deve ser servido bem fresco, para realçar os sabores frutados. Consigo distinguir ligeiras notas de madeira, embora pouco marcadas. Apesar de ser um vinho muito jovem, não ganha com o envelhecimento, é para abrir e apreciar de imediato. Chega ao mercado por pouco mais de 4€ por garrafa, com um teor alcoólico de 12,5%. Um vinho perfeito para um dia de verão.
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Altas Quintas Melitvs
Na sexta-feira, com muito calor, fui convidado para jantar em casa do meu primo. Foi um jantar em família, algo que aprecio sempre. Decidi levar uma caixa que o proprietário das Altas Quintas me tinha enviado. A caixa continha um azeite e um vinho branco especial feito com mel. O Melitvs deve ser consumido bem fresco. É produzido na Serra de São Mamede, a partir das castas Fernão Pires e Verdelho, com adição de mel. Este vinho estagiou em ânfora de barro, sem madeira no paladar. É um vinho muito saboroso e fácil de beber. No início, quase parece sumo, tal é a sua frescura e sabor. Não é propriamente para acompanhar uma refeição completa, mas como entrada é uma excelente escolha. Há quem o aprecie também como vinho de sobremesa. É uma experiência única, num vinho muito equilibrado e bem conseguido. Apresenta aromas a fruta verde, talvez maçã e…
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Soalheiro 2023
Há alguns meses recebi uma caixa lindíssima da Soalheiro, tão bonita que tive dificuldade em abri-la. Uns dias depois, o meu irmão esteve cá em casa e, num jantar especial, decidi finalmente abrir o Soalheiro 2023. Trata-se de um Alvarinho muito bem conseguido. O aroma é marcado por notas de fruta verde, maçã e citrinos, com sugestões de pêssego e pera.Curiosamente, além do lado frutado, há também uma presença mineral bastante elegante. É um vinho leve, fresco, com acidez contida. A noite estava agradável e, como tínhamos feito exercício físico durante o dia, o Alvarinho bem fresco revelou-se a escolha ideal para acompanhar o nosso jantar. Com 12,5% de álcool, chega ao mercado por cerca de 12€.Sem dúvida, será uma presença assídua no meu verão.
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Conversas da Talha
Nunca tinha provado nada assim, nada que se compare. Há uns meses, conheci o proprietário das Altas Quintas. Os olhos brilhavam-lhe de entusiasmo ao falar do seu trabalho. Essa paixão sente-se claramente no que produz. Há poucos dias, com a mesma empolgação, falou-me da sua nova aventura e enviou-me uma garrafa de “Conversas da Talha“. Guardei-a para uma ocasião especial. Sem saber bem o que esperar, levei-a para um jantar em que nos serviram balchão, um prato intenso e picante. Abri a garrafa. O aroma não me deu pistas claras do que aí vinha. Mas ao provar… uma total surpresa: um sabor a groselha, fruta madura e um toque de azeitona. É, sem dúvida, um vinho para entrada ou sobremesa – nunca para acompanhar uma refeição forte. Leve na boca, mas com os seus 14% de álcool bem escondidos, que só se fazem sentir mais tarde. O estágio em talha…
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Adega do Cartaxo Tejo branco
Há alguns meses, entrevistei o enólogo da Adega do Cartaxo. Num gesto simpático, ofereceu-me algumas garrafas da sua produção. É evidente a vontade de mudar a imagem que durante muito tempo se associou ao vinho do Cartaxo, algo pesado, meio “carrascão”. Agora, o objetivo é mostrar que é possível produzir vinhos intensos e de grande qualidade. Na noite de Natal, durante a minha festa, decidi abrir o tinto. Não me encantou. Ontem foi a vez de provar o branco, e a surpresa foi, de facto, muito agradável. Produzido com a casta Fernão Pires, apresenta uma mineralidade intensa. Também senti notas de fruta verde, como maçã, e um toque de laranja, com um final prolongado. De cor límpida, tem 13% de álcool, mas está tão bem feito que o teor alcoólico passa despercebido. Acompanhei este vinho poderoso com sushi, uma combinação excelente. Este branco chega ao mercado por 15€. Sem dúvida,…
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Quinta S. João Batista Reserva
Cheguei a casa depois de um intenso jogo de padel. Estava cheio de fome e com vontade de relaxar, acompanhado por um bom copo de vinho tinto. Para jantar, tinha preparado tiras de peru com batata-doce, uma refeição leve, pelo que a escolha do vinho teria de estar à altura: algo igualmente suave e elegante. Decidi então abrir uma garrafa de Quinta de S. João Batista Reserva Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon, que me tinha chegado há umas semanas através da Enoteca Clube de Vinhos. E a escolha revelou-se perfeita. Trata-se de um vinho jovem, elegante e surpreendentemente suave.Ao primeiro gole, senti notas adocicadas, talvez de compota, com presença de fruta e um final muito agradável. Apresenta uma bonita cor grená. Este Quinta de S. João Batista Reserva está tão bem conseguido que os 14,5% de álcool passam quase despercebidos, algo pouco comum nos vinhos do Tejo. É claramente um…
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Altas Quintas talha 2022
Celebrei o meu aniversário com um prato especial: um delicioso balchão. Este prato da cozinha goesa é tradicionalmente servido na noite de Natal, uma tradição que nem me lembro como surgiu na minha família. A confeção do balchão é demorada, exigindo cerca de seis horas na cozinha. O meu primo chegou por volta das 9h30 para, com calma, começarmos a preparar o repasto. Por volta das 10h30, abrimos a primeira garrafa: um branco mineral, sobre o qual falarei numa próxima ocasião. Pelas 14h, os poucos convidados começaram a chegar. Surgiu então a questão: que vinho abrir para acompanhar o balchão? Sendo um prato muito condimentado e ligeiramente picante, optei por um vinho que tinha recebido há alguns meses: o “Altas Quintas Talha 2022“. De cor rubi, sem aromas demasiado intensos, mas com um claro paladar a madeira, este vinho revela-se elegante e fresco. O rótulo distingue-se pela sofisticação, com um…
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Cottas tinto 2020
Fiz anos há pouco tempo, mas admito que não me sinto nada “cota”. Continuo com um ritmo de vida acelerado, repleto de exercício físico e, claro, sempre a apreciar as coisas boas da vida. Na véspera do meu aniversário, recebi uma caixa de Cottas Tinto 2020, um vinho suave do Douro. Tinha uns bifes de peru com batata cozida e achei que este vinho poderia ser a companhia perfeita para este prato. E não me enganei. Revelou-se uma escolha acertada: tem uma suavidade que harmoniza bem com qualquer entrada. É um vinho jovem, com potencial para evoluir com o tempo. Apresenta um aroma delicado a madeira, que na boca se combina harmoniosamente com notas de frutos vermelhos. Equilíbrio é, sem dúvida, a palavra certa para o definir. De cor rubi, a sua lágrima desliza lentamente pelo copo, revelando a sua estrutura. Muito fresco e macio, com um teor alcoólico de…
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Castelinho 2023
Tinha ido buscar comida chinesa: gambas agridoce e um chow mein de vaca. Admito que a comida tinha um pouco mais de gordura do que o ideal, algo comum na comida chinesa feita em Portugal, mas não é disso que vos quero falar hoje. Para acompanhar um prato algo gorduroso, precisava de um vinho que não fosse demasiado intenso, mas sim suave, e que, de alguma forma, realçasse os sabores sem os sobrecarregar. Optei por um vinho novo do Douro. Abri um Castelinho 2023, com notas de madeira e chocolate. A presença da madeira faz todo o sentido, já que estagia durante nove meses em barricas de carvalho. É um vinho muito agradável, sem excessos no paladar, exatamente o que procurava. Apresenta uma cor rubi, sendo um vinho bastante leve. Não acredito que ganhe muito com o envelhecimento, mas, ainda assim, comprei duas garrafas para abrir dentro de cinco anos.…