Coisas Boas em Alta
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    The White Lotus terceira temporada

    Acabei ontem de ver a terceira temporada de The White Lotus.Sinto que, das três, esta é a mais fraca, o que não quer dizer que seja má, longe disso.A série continua a respeitar os momentos de pausa, de respiração, com personagens de grande profundidade emocional.E aqui há de tudo: pessoas desequilibradas, malformadas, famílias disfuncionais ou simplesmente gente à procura do amor. Tudo acontece ao longo de uma semana de férias num resort na Tailândia.Logo no primeiro dia, os hóspedes são convidados a deixar os seus telemóveis, ou seja, a ligação com o mundo exterior, com o objetivo de fazerem uma verdadeira desintoxicação digital. Durante essa semana, vamos descobrindo as histórias individuais de cada personagem. The White Lotus é muito mais do que uma série de entretenimento, é um momento inquietante do ponto de vista emocional. O final é surpreendente.Gostei muito do que vi e recomendo vivamente.Está disponível na plataforma Max.

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    A Canção de Lisboa (2016)

    No outro dia, estava com vontade de ver um filme e acabei por tropeçar na nova versão de A Canção de Lisboa. A versão original, de 1933, já a vi dezenas de vezes e sempre me divertiu imenso. Apesar de ser uma comédia leve e despretensiosa, continua a ser divertida. Sendo um clássico do cinema português, fazer uma nova versão é sempre arriscado, mas a curiosidade levou-me a assistir. Claramente, esta nova Canção de Lisboa tem um ritmo mais acelerado e está atualizada para os tempos modernos. Por exemplo, as tias da versão original são agora um casal de namoradas, o que já mostra que esta adaptação tem pouco a ver com o filme de 1933. A base pode ser semelhante, mas o argumento é praticamente novo. O César Mourão não é ator de formação, mas cumpre bem o papel, interpretando Vasco com naturalidade. Aliás, o César Mourão da vida…

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    “Anna nos trópicos” de Nilo Cruz

    Estou tão farto da chuva e deste mau tempo. Antes de sair, penso duas vezes, mas este sábado decidi ir aos Recreios da Amadora, onde habitualmente reside a Companhia de Teatro dos Aloés. Nunca tinha ouvido falar de Nilo Cruz, mas, numa pesquisa rápida, percebi que é um dramaturgo da nova geração cubana. No passado, existia a figura do leitor, alguém contratado para ler durante as horas de trabalho nas fábricas. Acho esta ideia maravilhosa: muitos trabalhadores que nem sabiam ler acabavam por ter acesso às grandes obras da literatura. Tudo era usado para animar o ambiente, desde as notícias do dia até aos grandes clássicos. Este espetáculo transporta-nos para uma fábrica em Tampa Bay, cidade situada na costa do Golfo do México, onde existe uma grande comunidade cubana. A fábrica produz o famoso charuto cubano. O antigo leitor faleceu e é preciso contratar um novo. Chega então à fábrica…

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    Sétima Legião ao vivo no casino do Estoril

    Sexta-feira, e as autoridades recomendavam que as pessoas ficassem em casa. A tempestade ainda se fazia sentir, o caos nas ruas de Lisboa era evidente, com árvores derrubadas pelo vento. Mas a Sétima Legião atuava no Casino do Estoril. Uma banda que tinha encerrado atividade em 2000, mas que naquela noite de sexta-feira prometia animar o público. Saí de casa com muitas horas de antecedência, pois não tinha a noção de como estaria o trânsito a caminho do fim de semana, ainda mais com uma tempestade em atividade. Cheguei cedo e, por isso, decidi entrar na sala de jogo para tomar um café. Estranhei o facto de terem ficado com todos os meus dados do Cartão de Cidadão, fazendo uma cópia de ambos os lados. Nem sei se isso é legal! A sala do concerto era o espaço onde o Casino costuma realizar os seus eventos. Um lugar lindíssimo, cheio…

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    The Pitt

    Não sou grande fã de hospitais, sou até daqueles que desmaiam ao sentir dor. Por isso, ver “The Pitt” parecia algo muito improvável. Mas a verdade é que fiquei rendido logo nos primeiros minutos. Cada episódio desta temporada retrata uma hora de um único turno numa sala de emergência médica, onde tudo pode acontecer. Há estagiários sem experiência que, ao longo das horas, vão ganhando conhecimento prático.Há um médico sénior com um vasto conhecimento, mas também com um lado humano muito especial. Cada médico do turno tem a sua própria história, para além do que acontece dentro da sala de emergência. São apenas 15 episódios, ou seja, 15 horas da rotina de um grande hospital. E, tal como em Portugal, as horas de espera são gigantes. Há muito sangue ao longo da série, o que me deixou desconfortável. O que mais me prendeu foi, acima de tudo, a dimensão emocional…

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    Gilsons

    Todas as semanas, desde 2019, converso em direto na rádio com Ricardo Castanheira. O Ricardo é jurista especializado em direito internacional, provavelmente um dos maiores na sua área. Domina todos os dossiês, com especial destaque para os direitos de autor. Por isso, não foi surpresa a Sony Music tê-lo recrutado para a sua equipa. Um dia, decidimos que as nossas conversas poderiam ganhar uma nova dimensão se o Ricardo me apresentasse uma canção. Sei que faz um grande esforço para surpreender os nossos ouvintes com escolhas inesperadas. Recentemente, apresentou um projeto que desconhecia: os Gilsons. Um trio formado por José Gil, Francisco Gil e João Gil — respetivamente, filho e netos de Gilberto Gil. Fiquei rendido. No dia seguinte, durante a minha rotina matinal (barbear e duche), pus o disco a tocar. Que maravilha! Uma riqueza musical extraordinária. A estreia foi com Várias Queixas (2019), um trabalho maduro que mistura…

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    “Tudo é possível” de Elizabeth Strout

    Já tinha lido outras obras desta autora multipremiada e, quando assim é, temos quase a garantia de que o que vamos ler terá qualidade. Elizabeth Strout escreve com emoção, criando histórias reais sobre pessoas que parecem verdadeiramente existir. Cada personagem tem profundidade, e sinto que a autora escreve muito sobre si própria, pois há referências recorrentes a outras obras onde a protagonista é claramente inspirada nela. Neste livro, encontramos várias histórias que se cruzam. Lucy Barton, uma escritora famosa que cresceu numa família muito humilde, parece ser um reflexo da própria autora, ganhando aqui uma nova vida. Um dia, esta escritora regressa à casa da família (um momento já referido em obras anteriores), e daí surgem inúmeras histórias que resgatam emoções do passado. Gostei desta obra, que li rapidamente num fim de semana. Elizabeth Strout tem uma escrita fluida e emotiva, com parágrafos curtos e muitos diálogos, tornando a leitura…

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    “O Homem das Cavernas” de Jørn Lier Horst

    Voltei a autor escandinavo. Jørn Lier Horst escreve de forma crua. Se há sangue ou cadáveres em decomposição, quase consigo sentir o cheiro. A sua narrativa é acessível, com capítulos curtos e repletos de diálogo. Os parágrafos são breves, conduzindo-me habilmente pela descrição dos cenários. Uma Noruega gelada, onde a neve e o frio imperam. Em O Homem das Cavernas, acompanhamos a perseguição de um serial killer. Uma jornalista decide investigar a história de um idoso encontrado morto quatro meses após o seu falecimento. O foco da peça jornalística é a solidão. Como é possível alguém morrer e só quatro meses depois se dar pela sua ausência? A investigação acaba por nos levar ao assassino. O livro é extenso – diria que ronda as 16 horas de leitura –, mas desfrutei cada momento, apesar do peso das descrições.

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    “Só Neste País”, de Filipe Santos Costa e Liliana Valente

    Recentemente, tive a oportunidade de entrevistar os jornalistas Filipe Santos Costa e Liliana Valente. Ambos são especialistas em política e decidiram lançar um livro que compila a história política de Portugal desde 1975. Ao longo dos anos, foram guardando as histórias mais insólitas da nossa classe política num ficheiro que batizaram de “WTF”. Li o livro com enorme prazer e admito que sou fã desta zona histórica de Portugal. Já era nascido no 25 de Abril, e a minha família sempre teve grande consciência política. Quando era miúdo, ouvia falar destes assuntos nas reuniões familiares. Talvez seja por isso que gosto tanto de explorar tudo o que está relacionado com o pós-25 de Abril. “Só Neste País“ é um verdadeiro prazer de leitura, revelando a classe política portuguesa no seu “melhor”. Naturalmente, tirei algumas conclusões ao longo da leitura, como a ideia de Sá Carneiro ter sido um pequeno ditador,…