Coisas Boas em Alta
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    Baile no Bosque dos Trovante

    Fico sempre nostálgico quando desaparece alguém da dimensão de Luís Represas. Eu era ainda muito miúdo quando os Trovante surgiram na cena musical portuguesa. Numa época em que a esquerda vivia um período de afirmação e crescimento, os Trovante eram muitas vezes vistos como uma banda associada aos chamados “filhos da Revolução”. Lá por casa, era comum ouvir os seus discos. No dia da morte de Luís, decidi revisitar um dos álbuns que me deram a conhecer a banda: Baile no Bosque, lançado em 1981 e terceiro disco da carreira dos Trovante. É um álbum obrigatório na música portuguesa. Assente numa forte matriz tradicional, apresenta também sinais de modernidade, enquadrando-se naquilo que mais tarde veio a ser designado por “neotradicionalismo”. O disco é extremamente bem tocado, por músicos de enorme qualidade, e em alguns momentos há até uma abordagem quase sinfónica na construção das canções. Baile no Bosque foi um…

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    Os One Vision a banda de tributo aos Queen

    A minha mãe adora ir a concertos. Só não vai mais vezes porque já não tem grande paciência para passar horas em pé. Mas sempre que surge um espetáculo onde pode estar sentada, aproveita a oportunidade. Quando foi anunciado o concerto dos One Vision, banda de tributo aos Queen, comprou logo dois bilhetes. A ideia era ir com a irmã, mas ela acabou por não poder comparecer e lá fui eu. Nunca tinha ouvido falar dos One Vision, até porque também não sou propriamente um grande fã dos Queen. Na hora que antecedeu o espetáculo, passei algum tempo ao telefone a tentar perceber quem eram. Descobri então que são apontados por muitos como um dos melhores tributos à banda britânica. Com cerca de 20 anos de carreira, os One Vision mostram em palco toda a experiência acumulada. A rodagem é evidente, quer na forma como interpretam os temas, quer na…

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    Baumgartner de Paul Auster

    Estou totalmente rendido aos livros digitais. Sem dúvida, o meu Kobo foi a melhor compra que fiz nos últimos cinco anos. Voltei a ler e a um ritmo vertiginoso. Hoje em dia, praticamente não vejo televisão. Sou um grande admirador da obra de Paul Auster. Desde o dia em que li A Trilogia de Nova Iorque, fiquei rendido à sua forma de escrever, à maneira como constrói as personagens e entrega as emoções ao leitor. Ao longo da vida li quase todos os livros deste autor, sempre com enorme prazer. Desta vez, decidi pegar em Baumgartner, o último livro que Paul Auster escreveu antes de nos deixar. É claramente um livro de despedida. Um livro sobre o luto, a velhice, a memória e a forma como o tempo molda aquilo que somos. A história acompanha Sy Baumgartner, um professor de Filosofia de 71 anos, prestes a reformar-se. Grande parte da…

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    Uma Campanha Alegre de Eça de Queirós

    Sou um grande admirador de Eça de Queirós. Diria mesmo que é o mais genial dos escritores portugueses. No ano passado decidi comprar a sua obra completa, que me custou apenas 0,99 €. Desde então, tenho vindo a lê-la devagar, sem seguir uma ordem rigorosa, intercalando-a com leituras mais modernas. Ontem terminei Uma Campanha Alegre, uma coletânea de crónicas originalmente publicadas em As Farpas. São textos curtos, escritos com uma sátira mordaz, que retratam a sociedade portuguesa da segunda metade do século XIX. À medida que avançava na leitura, fui chegando a uma conclusão curiosa: a sociedade de então não é assim tão diferente da dos nossos dias. Passaram mais de 150 anos e, em muitos aspetos, Portugal parece ter mudado muito pouco. O poder político continua a alternar ciclicamente entre um lado e o outro, enquanto surge sempre uma força política que faz da crítica a sua principal bandeira.…

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    Gato de Biblioteca de Pedro Miguel Ribeiro

    Tinha o bilhete comprado há mais de três meses, mas fui adiando a escolha da data para ver o espetáculo, o grupo não se decidia. Acabou por ser mesmo na última apresentação no teatro da Comuna que decidimos assistir ao espetáculo “Gato de Biblioteca”, de Pedro Miguel Ribeiro. E que bom momento passámos. O Pedro Miguel Ribeiro é um artista multifacetado. Vai da rádio à televisão, mas, acima de tudo, é um comediante. Não estou habituado ao conceito de stand-up comedy, por isso esperava ver apenas alguém em palco a contar piadas. Mas não foi nada disso. É um espetáculo de cerca de hora e meia, onde o Pedro nos leva numa viagem pela literatura, provavelmente uma das suas grandes paixões. O espetáculo aborda grandes clássicos portugueses, mas também internacionais, fazendo uma leitura muito própria de obras como Os Maias. É mais do que um simples momento de diversão: é…

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    De Volta a Casa de Jeanine Cummins

    É o terceiro livro que leio da autora Jeanine Cummins. E todos eles me conquistaram. Jeanine Cummins é extremamente talentosa e tem a capacidade de me prender completamente à sua narrativa. Há dias acabei De Volta a Casa e, mais uma vez, fiquei rendido. Neste livro, a autora percorre a vida de três mulheres: a avó, a mãe e a filha, três gerações diferentes da mesma família. O interessante é como conseguimos viver, ao longo dos capítulos, diferentes épocas, contextos e culturas. Por exemplo, Daisy, a neta, desloca-se de trotinete, o que ilustra bem a mudança dos tempos. A obra conta a história de uma família emigrante que sai de Porto Rico em busca de uma vida melhor, mas onde o apelo ao regresso está sempre presente. O livro explora profundamente temas como a maternidade, o perdão, a culpa, os traumas e a força invisível dos laços familiares. Senti também…

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    Spider-Noir

    Um colega de trabalho estava muito entusiasmado com a estreia de Spider-Noir. Era o grande regresso de Nicolas Cage e o entusiasmo dele acabou por me contagiar. No dia de estreia, decidi dar uma oportunidade à série. Está disponível em duas versões, a cores e a preto e branco, e optei pela versão a cores. Adorei. Trata-se de uma versão alternativa da história do Homem-Aranha, passada em Nova Iorque durante a Grande Depressão, em 1933, numa época em que o álcool era proibido. Aqui, o nosso herói é um detetive particular que combate mafiosos e a corrupção. Ao contrário da versão original, em que Peter Parker ganha poderes após ser picado por uma aranha mística, nesta história o protagonista é mordido por um prisioneiro usado em experiências científicas. O ambiente fez-me viajar até à infância, lembrando-me das séries a preto e branco como Dick Tracy. Vale muito a pena ver,…

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    “Acerto de Contas” de John Grisham

    Para quem me conhece, sabe muito bem o fascínio que tenho por este autor. Talvez por ter estudado Direito, agrada-me imenso a atmosfera que John Grisham consegue criar. Afinal, é considerado o criador de um género literário muito próprio: o thriller jurídico. Já li muitos dos seus livros, mas arrisco dizer que este é, sem dúvida, um dos melhores. “Acerto de Contas” levanta uma mão-cheia de inquietações. A mais relevante para mim são as questões raciais, retratadas numa América da década de 1940, onde o racismo imperava sobretudo nos estados mais conservadores do sul do país. A história decorre em 1946, na cidade fictícia de Clanton, no Mississippi. Pete Banning é um herói da Segunda Guerra Mundial, um fazendeiro próspero e um dos pilares da comunidade local. Numa manhã aparentemente normal, entra calmamente na igreja metodista da cidade e mata o reverendo Dexter Bell com três tiros. O que terá…

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    Os Maias de Eça de Queirós

    No final de 2025 comprei as obras completas de Eça de Queirós. A versão digital custou-me apenas 0,99 €. São muitas horas de leitura e de descoberta de um Portugal que não conhecia. Ontem acabei de reler Os Maias, pela terceira vez. Li-o em miúdo, depois já casado, com outra maturidade, e agora novamente. Eça é um génio na forma como constrói as suas personagens, dando-lhes profundidade e dimensão emocional. Fico com a sensação de que o mundo que ele retrata não é produtivo: ninguém parece trabalhar. De que vive, afinal, a burguesia lisboeta? Em A Tragédia da Rua das Flores, Eça de Queirós já ensaia ideias e personagens que mais tarde desenvolve em Os Maias. Há figuras que transitam de um livro para o outro. O romance acompanha a trajetória e a decadência da família Maia ao longo de três gerações, constituindo uma crítica mordaz à sociedade lisboeta e…