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Mize – Ricardo Adolfo
Nunca tinha ouvido falar do escritor Ricardo Adolfo. Numa aula de escrita criativa que frequento, o formador aconselhou a leitura este livro e torci a nariz. Lá o comprei e achei- o muito divertido e bem escrito. Cheio de humor. Ricardo Adolfo, nasceu em Luanda em 1974. Viveu nos arredores de Lisboa, em Macau, em Amesterdão e em Londres. De momento vive em Tóquio. Escreveu os livros infantis Os monstrinhos da roupa suja e Minimini, o livro de contos Os chouriços são todos para assar e os romances Depois de morrer aconteceram-me muitas coisas, Maria dos Canos Serrados, Tóquio vive longe da terra, e Mizé, antes galdéria do que normal remediada. Para o cinema e a televisão escreveu Sara, vencedora de melhor série nos prémios Sophia e SPA 2019, e a longa metragem São Jorge, premiada no 73.º Festival de Cinema de Veneza. A sua obra está publicada de Portugal ao Japão A história de Mize que vive nos arredores de Lisboa, tenta…
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Lua Amarela
Tento nunca faltar as peças que os Artistas Unidos apresentam. Sejam do próprio grupo ao até de acolhimento. Ontem não sabia ao que aí. Quando começou o espetáculo vi logo que não era para dispor bem e sair de sorriso. Em cena estava 2 atores muito novos. O Macho Lee e a Leila e outro que é padrasto do Lee. Os atores com uma bela dicção, com uma elasticidade corporal acima do normal, mostraram como se faz teatro. São eles o Gonçalo Norton, a Rita Rocha Silva e o Paulo Pinto. A peça é um drama que não pode acabar bem, mesmo que a personagem Leila vá dizendo “está tudo bem”. Eu sentada na cadeira fui olhando para o que me estavam a mostrar e fiquei quase aflita porque pensei que estava também naquele palco a interagir com os atores. A encenação é do Pedro Carraça que vai crescendo…
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O meu ano com Salinger
Hoje foi dia de ir ao cinema. Escolhi “O meu ano com Salinger” passado na década de 1990. A jovem Joana, cheia de vontade em tornar-se escritora e poetisa, deixa a sua terra natal e tenta a sorte na cidade de Nova Iorque. Ali, enquanto a oportunidade não chega, arranja trabalho numa das mais importantes editoras da cidade. A sua principal tarefa é tratar da correspondência de escritores reconhecidos, em particular de J. D. Salinger, autor do extraordinário “À Espera no Centeio”. Apesar da fama de eremita que ele cultivou e do seu pouco ou nenhum contacto com o exterior, Joanna e Salinger criam uma relação de proximidade. Estreado no Festival de Cinema de Berlim, um filme dramático realizado por Philippe Falardeau e centrado na figura da jovem Joana. História bem contada, sóbrio e emotivo. Gostei.
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A vida no céu – José Eduardo Agualusa
José Eduardo Agualusa nasceu em Angola e já viveu em vários locais tal como Rio de Janeiro, Berlim e Lisboa. Romancista, contista a autor de livros juvenis. Muitos prémios internacionais, mostram que escreve bem e muito. Agora , a Quetzal volta a editar o romance para jovens e outros sonhadores de José Eduardo Agualusa. Com nova capa, «A Vida no Céu» regressou às livrarias numa altura em que o escritor se prepara para lançar um novo romance e acaba de ser distinguido com o Prémio PEN pelo livro Os Vivos e os Outros, publicado durante a pandemia. Misto de história de aventuras e de alegoria ecológica, A Vida no Céu é uma visitação à humanidade entre as nuvens, em pleno céu, onde uma nova vida, depois de um desastre de proporções bíblicas, pode ser possível. Com o mundo coberto de água, o Homem subiu aos céus, formou aldeia e cidades flutuantes…
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Começar – Teatro Aberto
O Teatro Aberto sempre foi um espaço onde eu vou ver Teatro. Agora fazem sessões a 4a.e 5a. feira as 19 horas o que me agrada ainda mais. “Começar “ é uma peça que conta uma história de amor nos nossos dias. Sobre solidão e pessoas solitárias mesmo rodeadas de muita gente. Tem um final feliz? Eu acho que não mas o encenador deixa em aberto esta questão. Pedro Laginha o bonitão do nosso teatro, e Cleia Almeida, muito seguros carregam a solidão no corpo e vão contando as suas vidas. A encenação do João Lourenço muito cuidada e adequada, enche os olhos ao espectador. A iluminação perfeita e o palco com características técnicas excelentes que o encenador aproveita bem. Aconselho a quem gosta de teatro que vá e confortavelmente sentado veja como se procura ansiosamente o amor, um filho, uma família nestes tempos difíceis. O autor da peça é…
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O cais – HBO
A produção espanhola está a dar cartas! Somos invadidos nas várias plataformas por séries e filmes vindo do estado vizinho! Umas de grande qualidade outras nem por isso! Tropecei numa da HBO de qualidade O cais. A série foi gravada em Valência, no Parque Nacional de La Albufera, em Espanha, um lugar paradisíaco! Conta a história de Alexandra, uma arquiteta, que esta destroçada com o suicídio do seu marido, o Oscar. Descobre ainda que o marido tem uma vida dupla com outra mulher, a Veronica, e tem com ela uma filha. Uma vida dupla, para tronar a trama ainda mais viciante, será que o marido se suicidou ou foi assassinado? No elenco brilha o professor da casa de papel (Álvaro Morte) A série tem um brilhante diretor de imagem, porque passei as duas temporadas com vontade de visitar o local A ver!
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De Rax
Ponho-me a caminho dos Alpes Austríacos. De Rax. Vai-se de carro até ao teleférico. O teleférico leva cerca de 20 pessoas e olhando a volta vê-se que há gente que vai assustada. São 1500 metros a subir, devagar e com uma vista magnífica. O outono faz com que as folhas das árvores altíssimas fiquem lindas. La vamos nós por aí fora até chegarmos ao cume onde há um restaurante de montanha. A comida é toda a volta da caça. Eu comi veado e gostei. A carne macia e cheira e sabe bem. Outros comeram javali. Depois é ficar sentado no terraço a olhar para as altas montanhas dos Alpes com uma caneca de cerveja e desfrutar da paisagem. Não há neve mas o outono impõe-se com um sol envergonhado. Lindo passeio.
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Squid Game
É a série mais vista do momento em pelo menos 90 países de todo o mundo. A série sul-coreana lidera, por exemplo, o top diário da Netflix em Portugal, Estados Unidos, Argentina, Brasil. E é curioso, pois a peça central da série é o dinheiro. Por isso, no fundo, a série é uma grande crítica social. É sobre a sociedade capitalista. Os jogos são extremamente simples e fáceis de entender. Isso permite que os espetadores se concentrem nos personagens, em vez de se distrair tentando entender as regras. Muito incomodativo. Parece estranho afirmar que uma série com tantas características desagradáveis tem cativado milhões de pessoas em todo o mundo que, durante nove episódios, não são capazes de tirar os olhos do ecrã. Talvez porque diga alguma coisa sobre todos nós e muita coisa sobre alguns em particular. Em “Squid Game”, os jogadores usam todos o mesmo tipo de fato de treino…
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Dias Perdidos – Flag Day
O filme Dias Perdidos tem banda sonora do Eddie Veder vocalista dos Pearl Jam de que gosto muito. Conta a história verídica de John Vogel que chegou a cumprir pena de prisão por assalto, mas tornou-se o falsificador mais famoso da história dos EUA, por contrafazer sozinho quase 20 milhões de dólares. Mais não conto. Bons planos, boa imagem mas a história arrasta-se por vezes. História dramática. Estreado no Festival de Cinema de Cannes, onde esteve em competição pela Palma de Ouro, é um filme dramático escrito por Jez Butterwort, que tem por base o livro de memórias “Flim-Flam Man: The True Story of My Father’s Counterfeit Life”, escrito por Jennifer Vogel. Com realização de Sean Penn, que também veste a pele de protagonista, o filme conta com Dylan Penn (filha de Sean), Tom Anniko e Mitchell Nguyen-McCormick. Já a banda sonora é da responsabilidade de Cat Power, Glen Hansard…