-
Quinta do Quetzal 2016
Daqui a uns dias vou entrevistar o produtor suíço da Quinta do Quetzal. Na tarde de sexta-feira preparei a entrevista e, à noite, decidi fazer um jantar em casa. Saí cedo e fui logo para casa cozinhar. Considero a cozinha um acto criativo: gosto de ouvir música e simplesmente criar. Nunca sei bem como vai acabar, porque estou realmente a improvisar. O jantar era para o meu primo que, ao chegar, tirou da mochila o vinho que íamos beber. Foi com grande surpresa que me deparei com um Quinta do Quetzal 2016. Conhecia bem este vinho da Vidigueira, pois poucas horas antes tinha lido sobre ele ao preparar-me para a entrevista. É um vinho de cor granada, com notas de fruta preta e boa intensidade. A madeira está presente de forma discreta. Sinto que é um vinho que ganhará muito com a guarda; daqui a cerca de 10 anos será…
-
Rovisco Pais 2022
Adoro receber amigos em casa. Nada melhor do que ficar à conversa até tarde, sem a pressa ou as limitações de um restaurante. Há cerca de um mês, perto do Natal, reuni em casa um grupo de amigos do tempo da escola.A ideia era simples: comer uma boa cachupa e beber uns copos valentes. Para tornar o dia ainda mais divertido, organizei um jogo de padel antes do repasto.Um dos meus amigos levou uma garrafa de vinho chamada Rovisco Pais. Só o nome impõe respeito, forte, elegante, com classe. O vinho acabou por não ser aberto nesse dia e ficou guardado para uma ocasião especial.Ontem, com um lombo de porco no forno, decidi que era o momento certo para o provar. É um vinho da Península de Setúbal, com boa intensidade e aromas a madeira, chocolate e baunilha, complementados por notas de fruta vermelha.Um vinho elegante, tal como o nome…
-
Mainada uma criação da Mainova
Há muitos anos tive o prazer de conhecer a criadora da Mainova, a mais jovem produtora de vinho de uma família dedicada à arte vínica. A conversa foi simpática e, no final, fui presenteado com uma caixa que reunia o portefólio das criações desta enóloga. Ontem, num dia de celebração, decidi abrir uma das garrafas. O Mainada. É um vinho alentejano, mas foge às características mais pesadas típicas da região, sem presença de madeira. Revela-se fresco e elegante, com notas de fruta vermelha, ameixa e um toque cítrico que remete para a lima. O final é longo e agradável. Acompanhou uma feijoada ligeiramente picante, mostrando-se uma escolha acertada. Com 14% de álcool, esta garrafa chega ao mercado por cerca de 23€. Gostei sobretudo por apresentar um Alentejo diferente, com uma construção menos intensa, mas muito saborosa.
-
Séris Bastardo 2019
Há muitos anos, recebi a visita do produtor da Real Companhia Velha. No final da conversa, de forma muito simpática, fui presenteado com uma garrafa muito especial: um Bastardo 2019. Esperei por uma ocasião solene para a abrir. O momento chegou quando o meu primo fez anos e fui convidado para jantar em sua casa. Pensei: “É agora!” A noite estava fresca e ligeiramente molhada, mas mesmo assim arrisquei e fui de bicicleta. Há, de facto, um prazer incrível em pedalar por Lisboa. Abrimos o Bastardo sem saber muito bem o que esperar. Fiquei de boca aberta com a cor do vinho: parecia um palhete, quase sem cor. Será que vamos beber água? Nada disso! Um magnífico tinto, elegante, conhecido pela sua tonalidade invulgar. Notas intensas de frutos vermelhos maduros, presença subtil de madeira, e feito a partir da casta Bastardo, pouco usada em Portugal. É um vinho forte, com…
-
Quinta do Carmo Tinto 2021 o meu vinho de passagem de ano
Tinha um desejo antigo:Passar a meia-noite de fim-de-ano de pijama, em casa. Este ano, finalmente, concretizei. Cheguei a casa depois de um dia de trabalho, ainda com tempo para dar a última corrida do ano:6 quilómetros com o Tejo a acompanhar-me. De facto, a zona ribeirinha de Lisboa é maravilhosa para correr, e o final de tarde estava perfeito. Depois de um banho reconfortante, fui buscar uma caixa generosa de sushi que já estava encomendada há algum tempo.Todo este cenário foi pensado ao pormenor. O que beber para fechar mais um ciclo na minha vida?Tinha algumas opções válidas, mas a minha tia Ana tinha-me oferecido pelo natal um Quinta do Carmo Tinto 2021. Só a embalagem me deixou de sorriso aberto:uma caixa cheia de requinte. Li o rótulo e fiquei surpreendido:este alentejano tem 14,5% de teor alcoólico, produzido pela Bacalhôa com toda a elegância. Um vinho suave, muito fácil de…
-
Génese o meu vinho de natal
Há dias tive a sorte de conversar com Luís Cerdeira, que durante muitos anos esteve à frente da Soalheiro, a marca que ajudou a popularizar os vinhos da região de Melgaço. Hoje, o Luís decidiu seguir um novo caminho. Com a ajuda do filho, também enólogo, lançou uma nova marca de vinhos: VineVinu. Por gentileza, ofereceu-me uma garrafa especial de 1,5 litros e disse-me: “Abre num dia de festa”. Foi exatamente o que fiz na noite de Natal, em família, ao abrir o Génese, o primeiro vinho desta nova aventura. Trata-se de um Alvarinho muito bem feito, equilibrado, com notas de fruta, laranja e limão, e um toque mineral. Leveza é a palavra que melhor define esta pérola de Melgaço, com um final longo e persistente. É um vinho perfeito para os dias quentes de verão, mas que harmonizou lindamente como entrada e acompanhou um delicioso bacalhau com espinafres.Teor alcoólico:…
-
Scorpio Bruto Natural
Na véspera de Natal visitei o meu primo.A ideia era simples: beber um copo e petiscar.Mandámos vir umas pizzas e, para acompanhar, decidimos abrir um Scorpio Bruto Natural, uma das escolhas do trimestre da Enoteca Clube do Vinho. Trata-se de um espumante produzido na região de Lisboa, uma verdadeira maravilha, com uma cor amarelo-limão.Na boca, revela notas de fruta doce, como pêssego e dióspiro. É um espumante muito agradável, cheio de classe.A espuma é ligeira, quase inexistente. Com 12,5% de álcool, admito que, sentado e a conversar, nem se sente. Servimos bem fresco e estava perfeito. Este espumante chega ao mercado por cerca de 15 €. Sem dúvida, uma excelente opção para um brinde festivo ou, como nós fizemos, para acompanhar umas pizzas.Já agora, as nossas foram de cogumelos e pepperoni. Sinto que este espumante não tem muito a ganhar com guarda, é para abrir já! Bom Ano Novo!
-
Quanta terra, Terra a Terra reseva 2021
Depois de uma corrida num dia frio de inverno, decidi preparar um jantar especial. Enquanto cozinhava, abri um Douro Reserva da produtora Quanta Terra.Para acompanhar o Terra a Terra Reserva 2021, escolhi um queijo amanteigado e um pão artesanal. O aroma do vinho é intenso, com uma ligeira acidez.No nariz, sobressaem notas de fruta preta.Na boca, revela madeira, chocolate e uma presença marcante de baunilha. Este vinho faz parte das escolhas do trimestre da Enoteca Clube do Vinho e acredito que o Terra a Terra Reserva 2021 tem grande potencial de evolução com guarda. De cor rubi, apresenta um sabor complexo e muito elegante.Equilibrado, com 14% de álcool, surpreendeu-me logo na primeira prova. Chega ao mercado por 12,50 €.É mesmo bom!
-
Casa da Passarella Abanico reserva 2010
No sábado, depois do ginásio, bateu-me uma saudade de comer sushi. Perto de minha casa há um sushi bar competente, sem deslumbrar, mas cumpre bem.Fui buscar uma caixa! Que vinho abrir para a ocasião?Decidi abrir um tinto: Casa da Passarella Abanico Reserva 2010, uma das escolhas do trimestre da Enoteca Clube do Vinho. Mal o cheirei, fiquei entusiasmado. Este Dão tinha uma frescura que me agradou logo.Aromas de baunilha e chocolate, com fruta vermelha.A madeira está presente, mas sem exageros, fruto do estágio em barrica.Cor intensa, bonita. Sinto que este vinho tem muito a ganhar com guarda, daqui a uns 10 anos será outra dimensão.São 13,5% de álcool, mas tão bem integrado que não se nota.Chega ao mercado por cerca de 10 €, e vale cada cêntimo. É daqueles vinhos para comprar uma caixa: guardar algumas garrafas para o futuro e beber as restantes com refeições pouco condimentadas, como peixe.Foi…