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Nada como um bom Petisco Saloio
Durante séculos, a região saloia, graças aos seus férteis campos de cultivo, abasteceu Lisboa e arredores de legumes, fruta, animais de criação e produtos transformados como queijo e pão. Chegavam à capital pelas mãos dos agricultores que os produziam e vendiam, depois de muitos quilómetros a pé e com ajuda de animais de carga. Saloio é a designação desses habitantes naturais das zonas rurais do termo de Lisboa aquando da sua incorporação no Reino de Portugal, logo desenvolvendo uma cultura própria. “Çalaio” ou “çaloio”, termo que poderá estar na origem do nome, era o tributo que se pagava do pão cozido na corte e Patriarcado de Lisboa. Não admira, que a fama desse pão delicioso, então cozido em fornos de lenha, tenha gerado importantes Çalaios, fundamentais para consagração e implementação do aludido pão na nossa Gastronomia regional, reconhecido que é pelo seu sabor adocicado, de miolo macio e crosta pouco…
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Grelha da Barra
A “Carne Mirandesa” é o expoente máximo da produção da Raça Bovina Mirandesa, que em harmonia com as condições edafo-climáticas, aliado ao saber fazer de quem a produz, resulta num produto de referência nacional e internacional. A Raça Bovina Mirandesa possui características genéticas próprias que associadas a um sistema de alimentação natural conferem à carne qualidades organoléticas ímpares. Destaca-se, a excecional tenrura e suculência, aromas e sabores que a diferenciam de qualquer outra carne de bovino. A “carne Mirandesa” deu origem a um prato que é um dos ex líbris da gastronomia portuguesa, em particular da transmontana, a famosa “Posta Mirandesa”. Ontem, por terras Oeirenses na GRELHA DA BARRA, uma das muitas embaixadas da boa comida transmontana, não me debati com uma posta, mas sim com uma morcela assada de entrada e uma divinal espetada de carne Mirandesa. O fantástico repasto fora confecionado pela Dona Helena, uma transmontana de Mogadouro,…
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Restaurante Toledo – Reino de D. Henrique no Lumiar
Tal como Lisboa, Toledo é de facto uma aula de história. A cidade, fundada em 192 a.c pelos romanos, foi capital do Reino Visigótico e do Reino de CASTELA, e durante séculos era povoada pacificamente por cristãos, judeus e mulçumanos. o que a fez ficar conhecida como “A cidade das três culturas”. Por força de uma sugestiva recomendação, eu, CASTELA de apelido, fui à descoberta do RESTAURANTE TOLEDO, um feudo de D. Henrique Teixeira, ” Conde” de Valpaços, que tão bem soube conquistar este ” quartel gastronómico” no Lumiar em meados de 2017. Aqui, o idioma mais falado é a Lingua de Bacalhau num fabuloso arroz de coentros, muito, mas muito bem confeccionado. A frescura e textura dos coentros, confere-lhe um sabor e aroma, que em nada fica atrás da excelência das melhores casas Alentejanas, que tão bem confecionam esta erva aromática. O peixe Galo frito com arroz de tomate,…
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Restaurante Bifes & Sabores no Jardim Parque Europa – Lumiar
O Verdadeiro Sabor da Carne. Restaurante com carne açoriana tenra, de cor rosada, com ligeira infiltração de gordura a nível intramuscular, grande suculência, textura macia, detentora de um aroma e sabor característicos, próprios e inerente ao modo de produção tradicional. Os croquetes divinais, sem farinha e pouco pão ralado, muito saborosos com um molho de mostarda caseira muito equilibrado. O entrecote simplesmente soberbo, parecia manteiga de carne suculenta, com um molho muito saboroso a combinar na perfeição com a gema cremosa do ovo a cavalo. De sobremesa um chesecake de majericão com um molho de morango e hortelã. Restaurante pequeno, mas óptimo. Parabéns pela qualidade dos produtos. Especial referência para os croquetes, para o sabor e textura da carne e ao cheesecake de manjericão. Atendimento muito personalizado.Recomendo
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Valorize a Gastronomia Saudável
CATAPLANE e sinta o verdadeiro sabor dos alimentos. Prefira as técnicas culinárias saudáveis tradicionais. A gastronomia do Mediterrânico é simples e tem por base os preparados de panela como as jardineiras, os estufados, as caldeiradas, as sopas, as cataplanas e ainda em Portugal os arrozes e os grelhados. Pela presença de água, do azeite e da água de cozedura dos alimentos, estas formas de confeção, preservam as qualidades nutricionais dos alimentos. Este conhecimento deve ser preservado e partilhado entre gerações. Na Cataplana, utilizam-se ervas aromáticas para acrescentar sabor aos alimentos diminuindo o sal que adiciona durante a confeção. Um cozinhado na cataplana é uma experiência magnífica que nos leva a experimentar o expoente máximo de um sabor verdadeiramente incomparável. As suas formas harmoniosas aliadas á sua versatilidade fazem da cataplana um utensílio muito especial, diferente de qualquer outra panela. Podendo-se desmontar, cozinhar em qualquer uma das partes, servir apenas com…
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Restaurante Taberna da Maré
Há quase 30 anos que o restaurante Taberna da Maré está no Largo da Barca, gerida por Zeca Pinhota. O carismático proprietário deste restaurante em Portimão agarrou numa taberna que ali existia desde o início dos anos 40 e despiu completamente o espaço existente para o reconstruir tal e qual como sempre foi, com balcão alto de taberna forrado a azulejo, mesas e bancos compridos de madeira e garrafões de vinho de 5 litros a adornar prateleiras. Nas paredes partilha connosco uma extensa coleção de fotografias a preto e branco em que o olhar sensível de Júlio Bernardo, reconhecido fotógrafo portimonense, ilustra as memórias mais autênticas da cidade de Portimão. Quando nos debruçamos sobre a ementa da Taberna da Maré, nela encontramos a mesma forte personalidade algarvia, com grande orgulho na herança gastronómica de várias gerações de uma família portimonense. Deste restaurante de Portimão, destacamos os pratos da cozinha marinheira…
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A Confraria
O cabrito de cachafrito é um prato muito apreciado no Alto Alentejo de origem judaíca. Mas o que muita gente desconhece, é a origem desta receita antiga. Reza a história que os antigos do Alto Alentejo, com dificuldade em conservar a carne, sem que esta se estragasse, inventaram a técnica do cachafrito. A carne era cozida, temperada em cebola e conservada num pote de banha. Nos dias de festa, a carne era frita enquanto a banha que a envolvia se derretia vagarosamente. A prática acabou por se revelar um sucesso e surgia assim um prato cujo sabor e tradição perdurou até aos dias de hoje. Uma verdadeira maravilha bem aromatizada por uma hortelã de sabor intenso e fresco. A alhada de cação com coentros é outra reliquia alentejana, uma tradição que se mantem de um peixe pouco consumido em Portugal, e que ia para o interior Alentejano, porque o outro…
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Moinho do cú torto
Há muitos restaurantes bons em Évora, aliás, em todo o Alentejo. Mas o Moinho do Cú Torto continua a ser um dos meus preferidos Restaurante rústico localizado num monte típico alentejano, na antiga casa do moleiro (que tinha a alcunha de Cu Torto). Outrora mercearia e taberna, atualmente serve bons pratos da gastronomia alentejana. As sopas são preparadas em panelas de barro na lareira e os enchidos da casa são feitos à moda tradicional. Entrei este sábado no Moinho com uns pézinhos direitos de coentrada, reconfortei-me com uma fabulosa açorda de bacalhau, e fechei com chave de ouro com um bolo rançoso e um lincor de poejo. O tinto da casa, um verdadeiro alentejano bem encorpado. Para além de se comer bem em Évora, a cidade está bem arranjada e pode proporcionar um excelente passeio em família ou com amigos.
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A Tasca do João, Lumiar
Regresso a este restaurante de cozinha regional minhota com ambiente familiar e descontraído, sala ampla, decoração singela, mesas encostadas umas às outras em filas paralelas e cozinha à vista. A ementa não é extensa, com pratos de peixe e carne feitos ao momento, e alguns de encomenda. Para entrada, três bons petiscos: salpicão com broa, que é de Arcos de Valdevez e tem o sabor de sempre, queijo de cabra e pataniscas de bacalhau. Nos pratos feitos ao momento adorei os choquinhos fritos com molho de limão e coentros, que os deixa leves e frescos; como gostei da posta mirandesa com batatas e feijão verde. No pratos de encomenda destacam-se os arrozes de tamboril, de coelho bravo, de lebre e de cabidela, coelho à caçador, feijoada de lebre, perdiz estufada, cabrito no forno, galo no forno, lampreia em arroz e à bordalesa (na época). De sobremesa uma pêra bêbada um…