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O meu ano com Salinger
Hoje foi dia de ir ao cinema. Escolhi “O meu ano com Salinger” passado na década de 1990. A jovem Joana, cheia de vontade em tornar-se escritora e poetisa, deixa a sua terra natal e tenta a sorte na cidade de Nova Iorque. Ali, enquanto a oportunidade não chega, arranja trabalho numa das mais importantes editoras da cidade. A sua principal tarefa é tratar da correspondência de escritores reconhecidos, em particular de J. D. Salinger, autor do extraordinário “À Espera no Centeio”. Apesar da fama de eremita que ele cultivou e do seu pouco ou nenhum contacto com o exterior, Joanna e Salinger criam uma relação de proximidade. Estreado no Festival de Cinema de Berlim, um filme dramático realizado por Philippe Falardeau e centrado na figura da jovem Joana. História bem contada, sóbrio e emotivo. Gostei.
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A Cantarinha
Fui passar uns dias à Figueira da Foz. Não conheço bem a cidade mas tem algumas coisas que me cativam. Chegada a hora do almoço o restaurante que conheço e era uma referência, o famoso Teimoso, em Buarcos fechou definitivamente. O condutor do táxi muito amável aconselhou-nos o Cantarinha também em Buarcos. Sentámo-nos e começámos logo a gostar do espaço. O Empregado nascido em São Tomé, educado e simpático trouxe-nos umas entradas com bom aspeto. Uns camarões frescos e gostosos. Um excelente patê e uma salada de polvo bem temperada. Depois veio o peixe assado no ponto, acompanhado de vários legumes. Optámos pelo robalo escalado e pela posta de peixe espada preto muito bem assados. As sobremesas todas caseiras caíram muito bem. O restaurante estava cheio e nós ficamos numa espécie de marquise com sol e bom ambiente. Tudo perfeito. Aconselho!
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A Castanha
Em Portugal apanham-se por ano, cerca de 40 mil toneladas de castanha. Muita castanha. Nas palavras do nosso escritor Aquilo Ribeiro o castanheiro é “o nosso derradeiro gigante da flora” ou mesmo“o rei da vegetação lusitana”. Considerada como a “árvore-do-pão” nas regiões a norte do Tejo, a castanha foi a base da alimentação antes da chegada da batata e a principal fonte de hidratos de carbono no norte da Península Ibérica. Esta árvore de folha caduca consegue crescer até aos 30 a 35 metros de altura e atingir diâmetros até 12 metros. É um fruto que lembra o Outono. Quando os dias começam a arrefecer, as ruas são invadidas pelo cheiro das castanhas assadas no carvão. Todos as apreciam quentes, boas, assadas, cozidas ou fritas. A Castanha e o São Martinho fazem parte do Outono português, marcam festas e Magustos de norte a sul do País. Em Portugal, a empresa…
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A vida no céu – José Eduardo Agualusa
José Eduardo Agualusa nasceu em Angola e já viveu em vários locais tal como Rio de Janeiro, Berlim e Lisboa. Romancista, contista a autor de livros juvenis. Muitos prémios internacionais, mostram que escreve bem e muito. Agora , a Quetzal volta a editar o romance para jovens e outros sonhadores de José Eduardo Agualusa. Com nova capa, «A Vida no Céu» regressou às livrarias numa altura em que o escritor se prepara para lançar um novo romance e acaba de ser distinguido com o Prémio PEN pelo livro Os Vivos e os Outros, publicado durante a pandemia. Misto de história de aventuras e de alegoria ecológica, A Vida no Céu é uma visitação à humanidade entre as nuvens, em pleno céu, onde uma nova vida, depois de um desastre de proporções bíblicas, pode ser possível. Com o mundo coberto de água, o Homem subiu aos céus, formou aldeia e cidades flutuantes…
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Ronronar!
O meu gato ronrona que se farta! Este ronronar é indiscutivelmente uma maneira deliciosa que ele tem de comunicar os seus sentimentos para comigo. Penso eu. Embora o ronronar tenda a acontecer com mais frequência quando ele está a ser mimado, satisfeito e contente, há outras razões que explicam esse fenômeno específico dos felinos. Além do mais, é a sua anatomia especial que lhes permite fazer esse som agradável! Os gatos têm uma série de ossos na garganta chamados de aparelho hióide. Responsáveis pelo suporte da laringe e da língua, o gato tem componentes ósseos e flexíveis. Os felinos domésticos têm um hioide mais rígida o que lhes permite ronronar em vez de rugir. O meu gato ronrona a uma frequência de cerca de 26 Hertz e os analistas descobriram que o ronronar pode variar dependendo de cada situação. Há evidências científicas que dizem que este ronronar, pode ser benéfico para…
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Talheres – Cutipol
Até o século XI, as pessoas utilizavam as mãos para comer. Domenico Selva, membro da corte de Veneza, aparece com um objeto pontiagudo, com dois dentes, que usava para espetar os alimentos e levá–los a boca. Esse primeiro garfo foi considerado uma heresia: o alimento, fornecido por Deus, era sagrado, e tinha de ser comido com as mãos. Pouco a pouco, a nobreza e o clero foram adoptando a faça mas o garfo foi mais difícil de se introduzir. Por isso a faca é o mais antigo dos talheres, pois foi o homo erectus quem criou o primeiro objeto cortante, feito de pedra, para caçar e para se defender. O primeiro a sugerir que cada homem deveria ter um talher para ser usado exclusivamente à mesa foi o cardeal francês Richelieu, um fervoroso defensor das boas maneiras, por volta de 1630. Mas agora a história é outra! A imaginação não tem limites! Talheres de design…
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Começar – Teatro Aberto
O Teatro Aberto sempre foi um espaço onde eu vou ver Teatro. Agora fazem sessões a 4a.e 5a. feira as 19 horas o que me agrada ainda mais. “Começar “ é uma peça que conta uma história de amor nos nossos dias. Sobre solidão e pessoas solitárias mesmo rodeadas de muita gente. Tem um final feliz? Eu acho que não mas o encenador deixa em aberto esta questão. Pedro Laginha o bonitão do nosso teatro, e Cleia Almeida, muito seguros carregam a solidão no corpo e vão contando as suas vidas. A encenação do João Lourenço muito cuidada e adequada, enche os olhos ao espectador. A iluminação perfeita e o palco com características técnicas excelentes que o encenador aproveita bem. Aconselho a quem gosta de teatro que vá e confortavelmente sentado veja como se procura ansiosamente o amor, um filho, uma família nestes tempos difíceis. O autor da peça é…
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De Rax
Ponho-me a caminho dos Alpes Austríacos. De Rax. Vai-se de carro até ao teleférico. O teleférico leva cerca de 20 pessoas e olhando a volta vê-se que há gente que vai assustada. São 1500 metros a subir, devagar e com uma vista magnífica. O outono faz com que as folhas das árvores altíssimas fiquem lindas. La vamos nós por aí fora até chegarmos ao cume onde há um restaurante de montanha. A comida é toda a volta da caça. Eu comi veado e gostei. A carne macia e cheira e sabe bem. Outros comeram javali. Depois é ficar sentado no terraço a olhar para as altas montanhas dos Alpes com uma caneca de cerveja e desfrutar da paisagem. Não há neve mas o outono impõe-se com um sol envergonhado. Lindo passeio.
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Leschanz
Na minha visita a Viena de Áustria andei por sítios que não são os palácios e os museus que eu já os conheço. Desta vez fui a uma pequena loja no centro da cidade e perto da Catedral que tem o melhor chocolate do mundo. Chama-se Les Chanz. A oferta é enorme mas o que me deixou impressionada é que encontrei umas barras de chocolate cobertas com uma fina camada de folha de ouro. O chocolate é feito artesanal mente e é um presente que vai impressionar a quem é destinado. O chocolate é saboroso mas o bombom dedicado a Mozart que é uma pequena bola redonda feita de pistache, maçapão e coberta de um chocolate amargo é uma maravilha. Segundo dizem, Mozart visitava a loja nos seus passeios pela cidade. Aconselho.