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Oktober Festa em Marvila

uma tarde entre cerveja, amigos e boa disposição

No sábado passado, a tarde estava perfeita: sol, temperatura amena e aquele convite irresistível para sair de casa. Motivo mais do que suficiente para rumar a Marvila e celebrar a Oktoberfest.

Havia música ao vivo, comida tradicional, convívio nas ruas e, claro, muita cerveja. Uma tradição que não nasceu em Portugal, mas que fomos adotando com entusiasmo.

A Oktoberfest tem origem em Munique, na Alemanha, e realizou-se pela primeira vez a 12 de outubro de 1810. Curiosamente, o evento não surgiu para promover cerveja, mas para celebrar o casamento do príncipe herdeiro da Baviera, Luís I, com a princesa Teresa de Saxe-Hildburghausen.

O casal real convidou toda a população de Munique para as festividades, realizadas num amplo terreno nos arredores da cidade. Em homenagem à noiva, o local recebeu o nome de Theresienwiese (Prado de Teresa), espaço que continua a acolher o festival até aos dias de hoje.

Em Marvila, no entanto, não havia reis nem princesas. Havia povo. Muito povo. E é precisamente isso que torna o ambiente tão especial.

Gente descontraída, sem grandes formalidades, apenas com vontade de desfrutar do momento. À chegada, compra-se um copo que acompanha os participantes ao longo do dia, permitindo provar cervejas nos diferentes espaços do evento.

Este ano, quatro cervejeiras alinharam na festa: Musa, Dois Corvos, Fermentage e Oitava Colina.

Comecei a tarde na nova Musa. Casa cheia, excelente ambiente e muitas caras felizes. As cervejeiras de Marvila decidiram ainda criar uma cerveja em parceria para assinalar o evento. E foi por aí que começou a minha festa.

Chama-se “Festa”, uma Festbier produzida especificamente para esta edição. Fácil de beber, equilibrada e fiel ao espírito das cervejas tradicionais deste estilo.

Depois seguimos a pé para a Fermentage, a mais recente cervejeira a instalar-se em Marvila. Foi provavelmente o local onde passei mais tempo. Gosto do ambiente, os proprietários são de uma simpatia contagiante e a cerveja está ao mesmo nível.

Por lá experimentei uma IPA e uma Weiss, uma cerveja de trigo muito bem executada. Aproveitei também para comer uma barriga de porco acompanhada por abacate. Simplesmente deliciosa.

Ainda houve tempo para passar pela Dois Corvos. Por estarem há mais anos no mercado, as suas cervejas revelam uma maturidade e consistência assinaláveis, fruto de muito conhecimento acumulado e de uma longa experiência de produção.

Foi um fim de tarde excelente, marcado por um ambiente festivo, muita animação e, felizmente, bom tempo.

Se houve um ponto menos conseguido, foi a escassez de casas de banho. Imagine-se meia Lisboa a beber cerveja e poucos locais para fazer xixi. A organização deveria ter instalado mais casas de banho portáteis para responder à afluência.

Ainda assim, fica o balanço muito positivo.

Viva Marvila, o bairro da cerveja.

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