O Benefício Gin
Descobrimos um gin produzido no Marvão “O Benefício Gin” e fiquei impressionado com a força dos seus criadores, Ricardo Nunes e Paulo Fernandes. O meu entusiasmo foi tão grande que decidi conhecer esta dupla e ficar a saber um pouco mais sobre o universo do gin
Como se distingue um bom de um mau gin?
Um bom gin reconhece‑se antes de chegar ao copo.
A lista de botânicos tem de ser clara, fazer sentido e contar uma história coerente.
No nariz sente‑se definição aromática, sem álcool agressivo, e, na boca, existe equilíbrio entre álcool, botânicos e final de prova.
No Benefício Gin partimos sempre de matérias‑primas reais, de origem identificada, e usamos a destilação para amplificar o carácter do ingrediente, não para o mascarar.
Um mau gin, pelo contrário, perde‑se em aromas genéricos, corantes desnecessários ou numa graduação que não sustenta a complexidade aromática.

O gin esteve há uns anos na moda em Portugal. Ainda está?
O pico da “moda do gin” já passou, e isso é uma boa notícia para quem trabalha no segmento premium. O que existiu foi uma fase de euforia em que quase tudo o que tinha a palavra gin vendia.
Hoje o mercado está mais maduro, o consumo é mais informado, e os consumidores procuram menos quantidade e mais qualidade, origem e autenticidade. O gin continua muito relevante em Portugal, mas já não basta ser “mais um gin”: é preciso que justifique o lugar na prateleira e no copo.
Não é um risco nesta fase ter um negócio destes?
Qualquer negócio no sector das bebidas alcoólicas premium tem um risco inerente, sobretudo num contexto económico exigente.
O que reduz esse risco é a estratégia. No nosso caso, não dependemos de volumes massificados, mas de um posicionamento ultra‑premium, com margens que permitem trabalhar escalas mais controladas.
A integração da destilaria em Marvão, assim como a aposta em botânicos endógenos, em gins sazonais e no foco em canais com maior valor acrescentado, como HORECA de gama alta e venda direta ao consumidor, tornam o projeto menos vulnerável a guerras de preços e às modas de curto prazo.

O que é o Benefício Gin?
O Benefício Gin é uma marca de gins ultra‑premium que trata Portugal como matéria‑prima criativa. É uma intersecção entre território, design e destilação: pegamos em botânicos endógenos, em particular do Alto Alentejo, e transformamo‑los em gins que contam histórias de lugares, de pessoas e de ciclos naturais.
Não queremos ser apenas uma marca de bebidas, queremos ser uma plataforma que devolve valor ao território, cria produtos com alma e convida quem nos prova a olhar para Portugal com outros olhos.
Como surge o gin na vossa vida?
Somos amigos de infância, de Abrantes, e crescemos numa cultura em que a mesa, os sabores e o tempo partilhado contam muito.
Durante anos explorámos o universo dos vinhos e dos destilados como consumidores curiosos e como profissionais ligados à comunicação e ao design.
Quando criámos o Benefício, em 2016, começámos com azeites, licores e destilados regionais, mas foi o gin que nos deu o laboratório perfeito para juntar território, botânicos e narrativa.
O primeiro Gin de Flor de Cânhamo, em 2021, foi o ponto em que tudo se alinhou: inovação verdadeira, risco assumido e validação internacional.

Quem é o público do gin?
O público do gin é muito diverso, mas, no nosso caso, falamos sobretudo de consumidores adultos com rendimento médio‑alto, que valorizam a gastronomia, o vinho e as experiências. São pessoas que não querem apenas “um gin tónico”: querem descobrir o que está no copo, de onde vêm os botânicos e qual é a história daquela garrafa.
Depois, temos um público profissional muito importante, bartenders, sommeliers e responsáveis de compras de hotéis e restaurantes, que procuram gins diferenciadores para cartas de cocktails e propostas de pairing.
E ainda há o turista nacional e internacional, que quer levar consigo uma recordação do território em forma de garrafa.
O gin é bebido também no inverno?
Sem dúvida. Um gin bem feito não é só uma bebida de esplanada. No nosso caso, o Benefício de Marvão – Gin de Castanha nasceu para cumprir também esse propósito: ser um gin de inverno, com textura, profundidade e aromas que funcionam em cocktails mais estruturados.
O que muda entre verão e inverno não é o gin em si, é a forma como o servimos, com o que se faz o mix e em que momento do dia ou da refeição o colocamos.

O gin deve acompanhar o quê?
Depende muito do estilo do gin. Um gin mais floral funciona muito bem como aperitivo . Gins com maior profundidade, como o nosso gin de castanha, são perfeitos para pratos mais ricos.
Um gin com botânicos mais florais pode tanto abrir como fechar uma refeição, sobretudo se o pairing tiver em conta os aromas de base do gin.
Qual é o portefólio do O Benefício Gin?
O nosso portefólio organiza‑se em torno de uma lógica sazonal e de botânicos endógenos.
Temos o Gin de Flor de Cânhamo, nas versões Herbal, Estival e Delicado, que foi a nossa porta de entrada no mundo do gin e já conquistou três medalhas de prata na London Spirits Competition. Temos o Benefício de Marvão – Gin de Castanha, o nosso gin de inverno, feito com castanhas de Marvão de soutos centenários.
E temos o Gin Flor de Cerejeira, edição de primavera, que cruza a flor de cerejeira da Serra de São Mamede com a inspiração do Hanami japonês.
Tudo em formato de 500 ml, com produção e foco absoluto na coerência entre o que a garrafa promete e o que o copo entrega.



