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8 colina

As cervejas artesanais estão na moda. Há quem não goste do sabor, mas ninguem fica indiferente ao conceito, entrar numa fabrica e ter vontade de provar todas. Os produtores gostam de criar, estão sempre a testar novos paladares. Não era grande apreciador, mas fiquei rendido com a váriada e com capacidade de criar. Há espaços bonitos, mas na sua generalidade são armazem, que viraram fabricas e locais para o consumo de cerveja Estivemos a conversar com Pedro romão, um dos socios e criadores da 8 Colina. Provamos umas quantas e ficamos amigos. 

Como foi que nasceram? 

Nascemos em 2014 em Lisboa, e tudo começou no hobbie que tínhamos de fazer cerveja em casa. 

Como sentiram que havia uma lacuna e seria um negócio? 

Quando vimos que conseguíamos produzir em casa cervejas com dezenas de sabores, aromas, sensações, experiências percebemos que algo estava errado no consumo de cerveja em Portugal (e no mundo). Apesar de em Portugal a cerveja ser a segunda bebida mais consumida em litros, a seguir à água, estávamos todos convencidos que a cerveja era toda igual. Cabía-nos apenas escolher a nossa marca de eleição, e nunca pelo produto em si. Gostamos mais de A porque é do norte, ou gostamos mais de B porque patrocina o nosso clube de futebol. Percebemos também que as cervejeiras industriais faziam todas a mesma cerveja pálida e sem sabor, apenas porque queriam. Fazer cervejas diferentes, experimentar, no fundo respeitar o produto, não é ciência obscura. É só preciso querer. As industriais fazem cerveja com o objetivo de esta ser fresca, alcoólica q.b. e acima de tudo barata. Nós fazemos a cerveja que queremos fazer e beber, a que nos souber melhor, apenas com ingredientes naturais, sem corantes, nem conservantes, e feita apenas a partir do malte, sem adjuntos como milho e arroz. O preço logo se verá. 

Como foi que entenderam que era um negocio serio? 

Quando vimos o mercado do Estados Unidos, a ganhar quota ano atrás de ano, percebemos que era algo sério. Já em 2014 o produto craft beer estava por todo o lado e naturalmente as pessoas estavam e estão interessadas em consumir verdadeira cerveja. 

Qual o vosso portefólio? 

O nosso portefólio é muito vasto. Temos de dezenas de receitas novas já lançadas para o mercado. Temos um portefólio mais fixo de 6 cervejas. Urraca Vendaval, Florinda, Zé Arnaldo, Joe da Silva, Vila Maria e Vila Iolanda. Podes ver aqui: https://www.oitavacolina.pt/cervejas 

Quem é o vosso publico? 

O nosso público é maioritariamente composto de pessoas que gostam de perceber o que consomem, que gostam de sabores e experiências novas e que não têm medo de arriscar. E que encaram o consumo de cerveja de uma forma mais responsável. Não bebem para cair para o lado, bebem para saborear o produto. 

Como foi que a cerveja artesanal ficou na moda? 

A cerveja artesanal não está na moda. A cerveja artesanal é apenas uma abordagem honesta ao produto cerveja, que não estava a ser feita por questões que se prendiam mais com o monopólio de produto – barato, refrescante e com álcool – do que propriamente com a vontade do consumidor. A cerveja artesanal não é uma moda, não vai passar de moda. Não vamos deixar de ter IPA’s, Sours, Double IPA’s e afins no mercado. O consumidor já percebeu o que é verdadeiramente cerveja e não vai permitir que se volte ao marasmo em que se vivia há apenas 7 anos atrás. Basta ver que as cervejeiras industriais começaram já a fazer cervejas “artesanais”, começaram a fazer IPA’s, e a fazer abordagens mais respeitosas ao produto. 

porque é tão cara? 

É cara porque não há atalhos no processo. Pomos apenas malte para obter os açucares necessários à fermentação. Colocamos flor de lúpulo, muito, e não extracto. Não pasteurizamos nem colocamos conservantes artificiais, o que reduz o período de vida do produto (encarecendo-o). Por outro lado a escala é bem mais pequena do que uma industrial. E em toda e qualquer cerveja que vendemos, 23% é IVA. 

Há cervejas que são produzidas no inverno e outras no verão? 

Sim, cervejas mais leves serão melhores para o verão (ex. Urraca ou Vila Maria). Cervejas mais pesadas serão mais para o inverno à lareira. (ex: Borges, Sabino) 

É dificil produzir uma cerveja em casa? 

Não. Basta querer, ter vontade de aprendar e abrir a internet. Há várias lojas online em Portugal e no mundo que fornecem malte, lúpulo, leveduras e tudo o que é necessário para cada um fazer a própria cerveja em casa. 

Porquê 8 colina? Quantas colinas tem lisboa? 

Lisboa tem várias colinas, muito mais que 7. A Oitava Colina Quando Frei Nicolau de Oliveira, no século XVII, nomeia Lisboa como cidade das 7 colinas, fá-lo propositadamente errada. Vista por quem entrava em Lisboa pelo rio, a cidade aparentava ter sete colinas, pois dessa perspectiva óptica, o Castelo de S. Jorge tapa a visibilidade da Colina da Graça. O Frei repara nela, na 8ª Colina, e conscientemente marginaliza-a, para que Lisboa tenha paralelo com Roma, a maior cidade da altura, a cidade das 7 colinas. Por uma questão de justiça histórica, decidimos adoptar esse nome. 

Há representação internacional? 

Sim. Estamos em vários mercados. Suiça, França, Luxemburgo, Holanda, são alguns deles. 

Onde fica? 

Na Graça, em Lisboa, embora estejamos em processo de mudança de instalações. Continuará a ser em Lisboa.  

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