“A Casa da Rússia” de John le Carré
Uma Segunda Oportunidade Falhada com John le Carré
Este é apenas o segundo livro de John le Carré que leio. Já tinha ficado com algumas dúvidas depois da primeira experiência.
Desta vez, também não me consegui concentrar totalmente. Tudo parecia servir de distração. No primeiro livro, achei que o problema era meu, que estava com a cabeça noutro sítio. Por isso, decidi dar uma nova oportunidade ao autor e escolher um dos seus clássicos, A Casa da Rússia.
Lembrava-me de que o livro teve uma adaptação ao cinema, com algumas cenas filmadas em Lisboa, e por isso tinha tudo para me agradar.
A história até começa de forma promissora. Numa feira do audiovisual, em Moscovo, uma mulher aborda um livreiro britânico com a missão de fazer chegar ao Ocidente um manuscrito que contém importantes segredos militares soviéticos. O documento revela fragilidades no sistema de defesa da União Soviética e pode alterar o equilíbrio de poder da Guerra Fria.
O destinatário é Barley Blair, um editor britânico excêntrico, apaixonado por jazz e com fortes ligações ao meio cultural russo. No entanto, o manuscrito acaba por ser intercetado pelos serviços secretos britânicos.
Para confirmar a autenticidade da informação, os espiões recrutam o próprio Blair e enviam-no numa missão clandestina para contactar Katya. À medida que a operação evolui, a relação entre os dois ganha protagonismo, transformando o thriller político numa inesperada história de amor.
Apesar das qualidades da trama, achei a leitura algo confusa e exigente. Os diálogos, por exemplo, nem sempre são apresentados de forma clara, o que dificulta o acompanhamento da narrativa.
Foi com algum esforço que cheguei ao fim das quase 400 páginas do romance. Reconheço a importância de John le Carré e a qualidade da construção do ambiente da Guerra Fria, mas este não foi um livro que me conquistasse.
Recomendo-o sobretudo a leitores que apreciem romances de espionagem e o contexto político da Guerra Fria.


