Yesteryear de e Caro Claire Burke
E se a vida perfeita nas redes sociais acabasse em 1855?
Uma amiga falou-me deste livro, muito por causa de toda a atenção que tem recebido este ano. Decidi dar-lhe uma oportunidade.
Lê-se muito bem: capítulos curtos, muitos diálogos e uma escrita simples e envolvente. Tem exatamente o formato que costuma conquistar os leitores atuais. Por isso, avancei na leitura com bastante rapidez.
A história acompanha Natalie Heller Mills, uma influenciadora digital norte-americana que construiu uma carreira a vender uma imagem de vida rural perfeita, inspirada no conceito “tradwife”. A trama ganha verdadeiro interesse quando ela acorda subitamente em 1855, sem eletricidade, internet ou quaisquer dos confortos modernos, sendo obrigada a confrontar-se com a realidade dura, exigente e muitas vezes violenta da vida dos pioneiros.
O livro tornou-se um enorme sucesso de vendas e já está a caminho do cinema.
À medida que avançava na leitura, fui sentindo uma certa inclinação para valores mais conservadores, com uma forte valorização da família tradicional e da vida rural. Em alguns momentos, parece surgir a ideia de que quanto mais filhos houver, melhor, até porque representam mais braços para trabalhar a terra.
Quando terminei o livro, fiquei dividido. Não tenho a certeza de que tenha gostado verdadeiramente. Sinto que Yesteryear é um fenómeno de popularidade muito marcado pelo momento atual, mas também tenho a impressão de que, daqui a alguns anos, poucas pessoas se lembrarão dele.
Claire Burke formou-se em Belas-Artes pelo Bennington Writing Seminars e é coapresentadora de um podcast dedicado à política e à cultura. Yesteryear é o seu romance de estreia.


