-
Matilha
Há cada vez mais produção nacional de qualidade. Estamos a fazer bem, nada que envergonhe ou que nos deixe muito distantes do que fazem lá fora. A RTP estreou há pouco tempo a série “Matilha”. Um marginal, “ladrão de galinhas” vê-se envolvido com marginais violentos, que nada têm a ver com o seu registo. A série tem a inteligência de mostrar imagens de Lisboa, e de Marvila, o que aproxima as pessoas. Afonso Pimentel e Margarida Vila-Nova desempenham os papéis principais. Afonso Pimental faz de Matilha é um especialista em Parkur. Mas o Afonso é totalmente desengonçado a correr, por isso pouco credível no Parkur. João Maia filma à americana, muita ação, uma narrativa rápida, cheia de suspense. Esta disponível na RTP e também na plataforma da Amazon
-
“A Cirurgiã” de Leslie Wolfe
Sempre que abro a aplicação da Kobo aparece este livro com algo de imperdível para mim. De tanto tropeçar na promoção acabei por ceder. “A Cirurgiã” não é uma grande obra, mas levanta a questão da justiça e da lei. Será que um médico pode acabar com a vida de um paciente numa mesa de operação, porque este é um pedófilo? O livro tem uma narrativa fácil, diálogos e velocidade nos acontecimentos. Já tinha lido uma obra da Leslie Wolfe e tinha ficado já com essa sensação, há um formato que dá milhões. Poucas palavras, capítulos pequenos. Assuntos que tocam o comum dos mortais. Há infidelidade, sexo, ansiedade, politica e hospitais. Diria que é leitura de praia, apesar de estarmos no inverno.
-
“O Pequeno Príncipe”
Tenho um pequeno cão e passeio quilómetros com ele. Tem um hábito saudável que rentabiliza o meu tempo. Ouvir livros durante os meus longos passeios. Tenho desfrutado de coisas tão variadas: umas mais complexas, outras mais simples. Deixo-me embalar pela leitura. O sucesso do livro, já não está na sua história, mas na capacidade do narrador em me encantar. “O Pequeno Príncipe” é a versão em Português do Brasil do nosso “Principezinho”. Obra que terá marcado a nossa infância e que eu decidi revisitar. É provavelmente o primeiro livro de autoajuda, cheio de lugares comuns, mas que nos deixa de coração pequeno. A leitura melosa é feita por Bruno Linhares, é competente e doce. Conta a história de um piloto perdido no deserto que encontra um jovem príncipe em visita à Terra. O audiolivro custou-me 6€ e foi de facto uma experiência bonita. Sentir a agitação do mundo: as pessoas nas…
-
Todos menos tu
Este filme foi promovido como uma versão moderna muito livre da peça “Muito Barulho por Nada”, de William Shakespeare . “Todos Menos Tu“. é realizado por Will Gluck, o mesmo da comédia de culto “Ela É Fácil” (2010) e da saga “Peter Rabbit” (2018-2021), e o elenco inclui ainda Dermot Mulroney , Michelle Hurd e Alexandra Shipp, Darren Barnet, Rachel Griffiths, Bryan Brown e Joe Davidson. O filme tenta ser uma comédia sem grandes pretensões e eu confesso que fui ao engano. Shakespeare deve estar a dar voltas no túmulo. Um filme sem qualquer interesse mesmo tendo a sala bem composta.
-
“Leva-me Contigo” de Afonso Reis Cabral
No início do Verão passado tinha um projeto: fazer a Nacional 2. Trabalho na rádio e a ideia era percorrer a estrada fazendo emissões diárias ao longo dos pontos emblemáticos da estrada. Este projeto foi cancelado porque o meu amigo, produtor e autor do nosso site nos deixou. Para além do vazio da perda, fiquei com toda a produção destas emissões. Um dia vou fazer esta viagem, talvez não a trabalhar, mas em Homenagem ao meu amigo Mário! Foi com prazer que descobri este mini livro do Afonso Reis Cabral. O autor que tem como trisavô Eça de Queiroz recorreu a pé a Nacional 2 “Leva-me Contigo” conta essa aventura que terá demorado 1 mês a fazer. Afonso Reis Cabral não se limita a contar o que viveu nesta aventura, há um lado poético na sua narrativa. Foi partilhando nas redes sociais pequenos textos da sua jornada diária o que…
-
Napoleão de Ridley Scott
O filme biográfico de Ridley Scott sobre Napoleão é grande e por vezes cansa e pelas críticas que tenho lido está cheio de imprecisões. Começa por Napoleão não ter regressado do Egito por causa de Josefina, não abdicou logo após o seu fiasco na Rússia, e não ter esperado a manhã toda pela chuva na batalha de Waterloo. Não esteve presente na execução de Maria Antonieta, não atraiu deliberadamente o seu inimigo para um lago congelado, não fez explodir uma pirâmide com um canhão. Historicamente o realizador Ridley Scott fez uma versão como quis. A interpretação de Napoleão por Joaquin Phoenix é magnífica e vale ir até ao cinema conhecer a vida de Napoleão que é mostrado como um bronco.
-
“Caçadores de Cabeças” de Jo Nesbo
Não há dúvida estou rendido ao Kobo. Agora não consigo se quer, adaptar-me ao papel. Leio no escuro com o meu cão nos meus pés. Há dias comprei “Caçadores de Cabeças” de Jo Nesbo. Já tinha lido um livro deste autor nórdico e na altura achei que era mais um livro policial. Mas desta vez fiquei com outra impressão. Roger Brown conta a história na primeira pessoa, de um especialista a selecionar altos quadros para as maiores empresas. O maior nos recursos humanos. Aprendi muito sobre a forma de controlar uma entrevista de emprego. Pelo meio aprendemos alguma coisa sobe arte de como fazer assaltos. Há uma situação neste livro que me deixou muito perturbado. O nosso protagonista cai literalmente dentro de esgoto e fica totalmente mergulhado na porcaria. A descrição é tão minuciosa que me deixou agoniado. A narrativa é feita a grande velocidade, deixando-me totalmente preso. Gostei muito…
-
Deixar o Mundo Para Trás
No dia de Natal, cheguei a casa ainda sem sono. O meu cão ressonava e decidi ver um filme. Bem instalado no quentinho da minha cama, escolhi ver “Deixar o Mundo Para Trás“, que está disponível na Netflix. No elenco temos Julia Roberts e Ethan Hawke. O filme é sobre o apocalipse e usa uma técnica onde se sente quase o respirar das personagens. Uma família farta da cidade decide tirar um fim de semana fora. Mas vão acontecendo coisas de difícil explicação. Logo num primeiro momento, um petroleiro gigante invade a praia onde a “nossa” família está a descansar. Não é de todo uma comedia romântica, há uma tensão permanente em toda a trama. O ritmo varia ao longo do filme. Senti a lentidão da contemplação e a velocidade do caos. Fiquei muito inquieto com o que vi, deixou-me a pensar na possibilidade do fim do mundo. Aconselho vivamente.
-
A Má Hora: o Veneno da Madrugada
Sou muito fá da obra de Gabriel García Márquez. É muito fácil ficar surpreendido, quando tropeço num livro que nunca li deste autor. Foi o caso de “A Má Hora: o Veneno da Madrugada“, que li num fim de semana. Tudo acontece numa aldeia na América latina. Um dia, um comerciante de gado é informado da infidelidade da mulher por um papel colado na porta da sua casa, acabando por matar o seu presumível amante. Começam a aparecer panfletos que não são políticos, mas apenas denúncias sobre a vida privada dos cidadãos. Neste pequeno povoado, conseguimos distinguir o poder político, o religioso, o povo e também uma oposição que anda clandestina. É um livro apaixonante, muito bem escrito, onde se consegue sentir o calor, a chuva, a humidade e as gentes de um lugar perdido. Este lugar pode ser qualquer um numa América latina nos anos 60. Para ler de seguida,…