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Uma Campanha Alegre de Eça de Queirós

Sou um grande admirador de Eça de Queirós. Diria mesmo que é o mais genial dos escritores portugueses.

No ano passado decidi comprar a sua obra completa, que me custou apenas 0,99 €. Desde então, tenho vindo a lê-la devagar, sem seguir uma ordem rigorosa, intercalando-a com leituras mais modernas.

Ontem terminei Uma Campanha Alegre, uma coletânea de crónicas originalmente publicadas em As Farpas. São textos curtos, escritos com uma sátira mordaz, que retratam a sociedade portuguesa da segunda metade do século XIX.

À medida que avançava na leitura, fui chegando a uma conclusão curiosa: a sociedade de então não é assim tão diferente da dos nossos dias. Passaram mais de 150 anos e, em muitos aspetos, Portugal parece ter mudado muito pouco.

O poder político continua a alternar ciclicamente entre um lado e o outro, enquanto surge sempre uma força política que faz da crítica a sua principal bandeira. A dinâmica é tão familiar que poderia perfeitamente descrever a atualidade.

Também as pessoas parecem manter alguns dos mesmos hábitos. Eça descreve quem vai ao teatro não necessariamente pelo espetáculo, mas para se mostrar e ser visto. É difícil não encontrar paralelos com os tempos modernos.

Estas crónicas foram publicadas originalmente em As Farpas, a revista de crítica social e política criada por Eça de Queirós e Ramalho Ortigão em 1871. Ler este livro é uma excelente forma de compreender o Portugal daquela época e, ao mesmo tempo, refletir sobre o país que somos hoje.

Naturalmente, nem todas as crónicas me interessaram da mesma forma. Algumas passaram-me ao lado, mas outras deixaram-me completamente agarrado ao livro. Gostei particularmente dos textos sobre a política e sobre as formas de apoio estatal à cultura, temas que continuam surpreendentemente atuais.

No final da leitura, fiquei com a sensação de que Eça mudou os nomes, as roupas e os cenários, mas que muitas das personagens continuam entre nós. Afinal, os tempos mudam, mas a natureza humana parece permanecer quase a mesma.

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