Nat’elier, pasteis de nata criativos
Foi no final deste verão que tivemos o prazer de conhecer o chef João Batalha.
Além de criar pastéis de nata com sabores inesperados, o chef desenvolveu um conceito original e divertido:
ensina os seus clientes a fazer pastéis de nata personalizados, com os sabores que mais gostam.
Aqui, o limite é mesmo a imaginação.
Foi numa tarde quente de verão que nos sentámos à conversa, e foi impossível não ficar inspirados.

O vosso conceito é inovar sem perder a tradição. Como é que equilibram estes dois mundos na cozinha?
Com muito respeito, paixão e honestidade pelo que fazemos. Quanto ao pastel de nata tradicional, tentamos sempre trazer o melhor sabor ao de cima, para isso contamos com muito bons ingredientes e muita tranquilidade durante a sua preparação.
Na inovação trazemos os mesmo princípios, com o objetivo de o sabor novo nunca se sobrepor em sabor ou aspeto ao tradicional. Tentamos sempre criar combinações que conjuguem com o pastel de nata, sendo estes na sua maioria e escolhidos pelos nossos alunos/clientes.

Como descreve o “pastel de nata perfeito” para si?
O pastel de nata tem que ser estaladiço sem gordura na massa e temos que ver a laminação da massa folhada em cima como no fundo, com um toque de sal para equilibrar o doce do creme, que por sua vez deve ser homogéneo na sua cremosidade, com um toque a limão e canela suave sem ser excessivamente doce.
Para mim é importante o sabor final de boca ter um bocadinho de sal dando a vontade de comer mais um.

Como foi que se apaixonou pela pastelaria?
Apaxonei me pela pastelaria através da minha familia, aprendi que uma forma de nos conectarmos e criarmos bons momentos e laços com quem mais gostamos começa através da nossa refeição à mesa,
Desenvolvi esta paixão pela curiosidade e vontade em aprender mais.
E quando mais punha as mãos na massa mais gosto e curiosidade despertava em mim.

Como define a sua identidade como pasteleiro?
Autêntico, inovador, disruptor e audaz.
Onde ando até chegar ao Nat’elier?
Comecei e cresci como pasteleiro e padeira no negócio da minha família a Pastelaria Batalha uma das pastelaria mais premiadas de Portugal, com o reconhecido Pão de Mafra. Licenciei me em gestão hoteleira em Espanha, trabalhei em restaurantes em Londres e trabalhei como assistente de F&B no Grande Hotel Altis, de seguida comecei a fazer mercados em zonas turísticas e apareceu a aportunidade de abrir a minha primeira pastelaria no Largo de Camões, onde abri outra Pastelaria Batalha, devido à pandemia tivemos de fechar e nessa altura comecei a fazer consultoria de pastel de nata pelo mundo.

Como foi que os pasteis de nata entraram na sua vida?
Quando abri o meu primeiro negócio, em Lisboa percebi o gosto dos portugueses pelos pasteis de nata e a procura dos mesmos pelos turistas.
Esta avidez dos turistas em querer saber mais sobre o icónico doce, inspirou me a criar workshops de como faze-los de maneira que todos pudessem recriar em casa. Este workshop era feito na fábrica da loja onde desenvolvi a minha paixão pela arte de ensinar e vontade em querer dar o meu melhor, trazendo a cada dia ideias de fazer um pastel de nata memorável.
Como surge a ideia de construir a Nat’elier?
A ideia vem da minha viagem a África do Sul onde fiz consultoria de pastel de nata, implementando pasteis de nata com diferentes sabores locais e percebi que aquele era o caminho para a diferenciação em Portugal para levar para o Mundo,
Desafiei os fundadores da Casa das Natas de lá para trazer o negócio para Lisboa. Abrimos a nossa loja bandeira, desenvolvemos em conjuntos o nome e o conceito: somos uma marca portuguesa para portugueses e queremos levar o nosso Pastel de Nata para o Mundo.

O que dizem os puristas dos seus pasteis de nata?
A inovação de algo querido e tão enraizado trás muita resistência e até crítica.
Primeiro estranham por ser diferente, mas quando se desafiam a provar percebem o conceito por de trás do pastel de nata e a maioria gosta muito.
É importante espalhar a mensagem de que é feito com respeito pelo sabor tradicional e pela nossa tradição. Tudo começou com a criação do pastel de nata vegan, havia várias pessoas veganas que comiam o tradicional porque ficavam cheias de saudades, mas quando um menino uma vez me disse que nunca poderia comer um pastel de nata porque era alérgico criou em mim uma semente. Esta. foi a minha primeira invenção



