Pés de Barro de Nuno Duarte
Gosto cada vez mais de ler.
Os meus serões são quase sempre passados na companhia do meu Kobo. Desde que o comprei, voltei a sentir um enorme prazer na leitura.
Há uns dias, uma colega de trabalho falou-me de Nuno Duarte e do seu livro de estreia, Pés de Barro.
Movido pelo entusiasmo dela, decidi começar a lê-lo.
Gostei logo desde as primeiras páginas, pois a sua escrita faz lembrar a ambiência de Mário de Carvalho: histórias de um bairro popular, neste caso, Alcântara, na altura da construção da ponte sobre o Tejo.
O livro, que retrata a sociedade portuguesa durante a ditadura salazarista, é também um espelho da vida da Lisboa operária dos anos 60: a guerra do Ultramar, a PIDE, a pobreza e a falta de instrução escolar.
A construção dos diálogos é original, feita através de discurso indireto, o que lhe confere uma marca muito própria.
Nuno Duarte acabou por vencer o Prémio Leya 2024 com esta obra. Embora assente numa forte base histórica, o final reflete uma visão poética e pessoal da queda do regime.
Li-o num abrir e fechar de olhos. Adorei, e recomendo vivamente!


