Uma corrida emocional
Há cerca de um ano e meio, enquanto jogava padel, levei uma bolada em cheio no olho.
A dor foi enorme. Fui imediatamente ao hospital, mas felizmente estava tudo bem.
Não dei grande importância e continuei a minha vida, sempre muito ligada ao desporto.
Durante várias semanas cheguei a praticar exercício sete dias por semana: corrida, ginásio, padel, bicicleta e natação.
Sentia-me sempre bem e muito feliz.
No entanto, há cerca de cinco meses comecei a notar que a minha visão estava a piorar. Mais uma vez, não valorizei.
Até que um dia percebi o cansaço que sentia por estar a fazer todo o esforço apenas com um olho.
Foi aí que decidi procurar um especialista.
Fui atendido numa segunda-feira e, logo na terça-feira seguinte, fui operado a um descolamento de retina.
A cirurgia foi realizada por um excelente médico e correu bem.
Seguia-se então a fase da recuperação: no mínimo um mês praticamente parado, quase sem me mexer e sem ver do olho operado.
É injetado um gás no olho para pressionar a retina e ajudá-la a colar novamente (o que deixa o paciente temporariamente cego desse olho).
A visão foi melhorando à medida que o gás ia desaparecendo.
Durante esse tempo não podia fazer exercício, nem qualquer esforço físico, e tinha de dormir sempre de lado.
Quase no fim da recuperação, acordei um dia novamente cego do olho operado: o gás tinha-se deslocado e ocupado a parte da frente da retina.
Felizmente, não teve grande importância.
Hoje faz dois meses e um dia desde a cirurgia. Finalmente tive alta para retomar a vida normal.
Cheguei a casa muito feliz, enchi o meu cão de beijos, calcei as sapatilhas e fui correr.
Foi a corrida mais bonita da minha vida, carregada de emoção e algumas lágrimas.
Amanhã volto a inscrever-me no ginásio, com ainda mais vontade de sorrir.
Há coisas tão simples que me fazem tão bem!


