Baumgartner de Paul Auster
Estou totalmente rendido aos livros digitais. Sem dúvida, o meu Kobo foi a melhor compra que fiz nos últimos cinco anos.
Voltei a ler e a um ritmo vertiginoso. Hoje em dia, praticamente não vejo televisão.
Sou um grande admirador da obra de Paul Auster. Desde o dia em que li A Trilogia de Nova Iorque, fiquei rendido à sua forma de escrever, à maneira como constrói as personagens e entrega as emoções ao leitor.
Ao longo da vida li quase todos os livros deste autor, sempre com enorme prazer. Desta vez, decidi pegar em Baumgartner, o último livro que Paul Auster escreveu antes de nos deixar.
É claramente um livro de despedida. Um livro sobre o luto, a velhice, a memória e a forma como o tempo molda aquilo que somos.
A história acompanha Sy Baumgartner, um professor de Filosofia de 71 anos, prestes a reformar-se. Grande parte da sua vida continua ligada à memória da mulher, uma poetisa e tradutora que morreu nove anos antes num trágico acidente.
Ao longo das páginas, Auster explora os mistérios da memória: porque é que guardamos recordações de momentos aparentemente insignificantes e, ao mesmo tempo, esquecemos acontecimentos fundamentais das nossas vidas.
O livro foi escrito numa fase em que o próprio autor enfrentava uma doença grave, o que torna a narrativa ainda mais íntima e comovente.
É um romance sobre a solidão, a perda e a aceitação da velhice, mas sem nunca se tornar pesado. Pelo contrário, tem uma escrita fluida, elegante e profundamente humana.
Continuo a ser totalmente fã de Paul Auster. E Baumgartner é uma despedida à altura de um dos grandes escritores do nosso tempo.


