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A Morte e a Donzela pela companhia de Teatro dos Aloés

Que sábado bom!

Fui buscar as minhas tias, grandes fãs de teatro. Jantámos no muito badalado Maria Azeitona, na Amadora, e depois seguimos para o teatro.

Os Recreios da Amadora acolhiam a companhia de teatro dos Aloés. Sala cheia num sábado à noite, ainda por cima com o Benfica a jogar em casa, o que mostra bem que há público para tudo.

Quando me sentei, nem sabia ao certo o que ia ver. Mas, nos primeiros minutos, percebi que já conhecia a história: tinha visto o filme, que também tem adaptação para teatro.

A Morte e a Donzela leva-nos a um Chile a sair de uma ditadura altamente repressiva, marcada pela tortura e pela total falta de respeito pela condição humana de quem ousava discordar da linha política.

E, inevitavelmente, pensamos em Portugal, essa proximidade torna tudo ainda mais impactante.

A história desenrola-se quando um alegado torturador surge como visita em nossa casa, despertando o desejo de lhe fazer passar pelo mesmo que nos fez sofrer.

A inquietação instala-se no espectador, porque nunca temos a certeza absoluta: será aquele homem, de facto, o responsável por tanto sofrimento?

Podemos julgá-lo em nossa casa?
Que justiça é esta?
Temos o direito de fazer justiça pelas nossas próprias mãos?

O texto é profundamente incómodo, deixando-nos em dúvida constante.

Adorei o espetáculo.

Com um cenário belíssimo, que me fez lembrar uma casa no Guincho, um desenho de luz brilhante, foram duas horas muito bem passadas na companhia de três atores que apostam num naturalismo que muito aprecio.

Patrícia André, Nuno Nunes e Graciano Amorim, dirigidos pelo talentoso Jorge Silva.

É um espetáculo obrigatório

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