O Dossier Pelicano
Tenho uma ligação afetiva muito forte a este filme.
Foi o primeiro que vi no cinema com a minha ex‑mulher, no antigo Cinema Monumental.
As salas eram novas, o conceito também, e ainda existia o hábito, quase ritual, de ir ao cinema.
Hoje, vemos tudo no conforto de casa, com pausas para beber água ou ir à casa de banho, algo impensável naquela altura.
Este filme abriu-me também a porta para descobrir o autor John Grisham, com quem criei outro laço: ao longo dos anos fui lendo muitos dos seus livros, que acabaram por me acompanhar em várias fases da vida.
No outro dia, tropecei novamente em O Dossiê Pelicano e fiquei a vê-lo.
Não é, de todo, um “filme menor”. Muito pelo contrário.
A história acompanha uma estudante de Direito que escreve um relatório, o “Dossiê Pelicano”, onde especula sobre os motivos por trás do assassinato de dois juízes do Supremo Tribunal dos EUA.
A teoria que ela desenvolve acaba por se revelar perigosamente certeira, ligando os crimes a um magnata do petróleo e a figuras de topo da Casa Branca.
O Dossiê Pelicano é um filme longo, mas nunca se sente a duração: é filmado e montado com grande precisão. Nos papéis principais encontramos uma ainda muito jovem Julia Roberts (como Darby Shaw) e Denzel Washington, ambos com interpretações sólidas e carismáticas.
Vale a pena rever, eu vi no TVCine, e continua a ser um excelente thriller político‑judicial, mesmo tantos anos depois.


