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“Vemo-nos em Agosto” Gabriel García Márquez
Todos os anos, a 16 de agosto, Ana Magdalena Bach apanha o ferry que a leva até à ilha onde está enterrada a sua mãe. Leva-lhe flores e aproveita a noite para tentar encontrar alguma felicidade. Por isso, espera ansiosamente por este dia. Um ano de sonhos e expectativas. No fundo, vive uma existência miserável, marcada pelo desgaste do casamento. É este o ponto de partida para o maravilhoso livro de Gabriel García Márquez, “Vemo-nos em Agosto” . Quando o autor começou a escrever este conto, já se encontrava no final da sua vida, mas, mesmo assim, sinto toda a sua genialidade. É Gabriel García Márquez no seu melhor, com uma escrita profundamente emotiva e carregada do seu estilo inconfundível. O livro foi lançado dez anos após a sua morte, precisamente no dia em que completaria 97 anos. Na verdade, é o seu último livro. Li-o numa tarde, com uma…
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“O desaparecimento de Stephanie Mailer” de Joël Dicker
Joël Dicker é atualmente um dos escritores mais populares, com vendas impressionantes. A sua escrita é cativante: parágrafos curtos e diálogos abundantes que incentivam o leitor a virar a página. Este estilo, simples e envolvente, revela-se uma fórmula vencedora, especialmente para os novos leitores. Já li outros livros de Joël Dicker e este padrão de escrita é inconfundível. Em “O Desaparecimento de Stephanie Mailer“, a experiência de leitura faz-me sentir como se estivesse a jogar Cluedo: as pistas vão surgindo e tentamos adivinhar quem é o assassino. No entanto, sinto que este livro se alonga desnecessariamente; parece ter 100 páginas a mais, e a trama poderia ser resolvida de forma mais rápida. A história decorre numa pequena cidade nos arredores de Nova Iorque, onde ocorre um quádruplo homicídio. O presidente da câmara, a sua mulher, o filho e uma residente local são brutalmente assassinados. Apesar de extenso, o livro mantém…
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“Sempre” uma série sobre o 25 de abril
Tenho assistido cada vez menos televisão. No meu tempo livre, dedico-me a ler ou a praticar desporto. Quando vejo televisão, procuro apenas conteúdos de elevada qualidade. Chamaram-me a atenção para a série “Sempre”, da RTP. Trata-se de uma produção de Manuel Pureza, que narra seis histórias interligadas, passadas entre a noite de 24 e a manhã de 26 de abril de 1974. A série está bem produzida, mas o que mais me cativou foram os testemunhos no final de cada episódio. São relatos de pessoas que viveram durante o Estado Novo e sentiram aqueles dias de perto. Sendo um admirador do ponto de vista histórico desta fase da vida em Portugal, assisti a esta minissérie com muito prazer. Os episódios estão disponíveis na RTP Play ou no Prime Video. Se gostam de história, não devem perder!
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“No País das Últimas Coisas” de Paul Auster
Cada vez que leio algo de Paul Auster, fico com a sensação de estar a ler o mais genial autor desta era. Criativo e inovador, não consigo parar de ler, como se fosse um sopro. “No País das Últimas Coisas” conta a história de Anna Blume e da sua busca pelo irmão desaparecido numa cidade sem nome. É uma cidade que vive uma realidade muito diferente da nossa, mas que me remeteu para uma ditadura em algum lugar do mundo. Vive-se numa miséria total onde o governo cria regras que me fazem lembrar o Estado Novo. O livro é extenso, mas cativou-me de tal forma que o li rapidamente. Aqui, as personagens têm uma dimensão humana. Paul Auster não nos transporta para um mundo imaginário, mas para algo que reflete os nossos dias. A cada capítulo que lia, sentia um aperto no peito. É uma obra imperdível, para ler e…
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“O meu nome é Lucy Barton” de Elizabeth Strout
Que livro bonito! Adoro ler na praia; é relaxante. Sol, mar e um bom livro. “O meu nome é Lucy Barton” é uma história sobre amor. Uma mãe acompanha a sua filha no hospital após uma operação. As coisas não correram bem, e a paciente tem de ficar mais alguns dias a recuperar de uma infeção. O livro faz uma viagem ao interior dos personagens, revelando suas histórias e permitindo-nos sentir o amor entre as pessoas. É uma obra doce. Já tinha lido outras obras de Elizabeth Strout e achava que ela escrevia sem muita pontuação. No entanto, aqui, ela demonstra toda a sua capacidade narrativa e seu lado sensorial. Gostei imenso! A leitura é muito fácil. Embora haja momentos mais duros, a vida é assim mesmo. É perfeito para ler na praia em duas tardes..
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“Jogo final” de Daniel Cole
Tenho lido coisas muito interessantes, histórias com personagens de grande profundidade emocional. Para desanuviar, alterno com leituras mais leves. Sem querer menosprezar, a literatura policial é um género que, na sua construção, acaba por ser bastante repetitivo. É de fácil leitura, mas pode tornar-se cansativo por isso. Admito que, tão cedo, não voltarei a pegar neste género. “Jogo Final” de Daniel Cole não é um livro mal escrito. A trama gira em torno de um agente da polícia reformado, encontrado sem vida num quarto fechado por dentro, com todos os indícios a apontarem para suicídio. Uma equipa é então formada para desvendar este mistério. Com diálogos curtos, parágrafos concisos e muita ação, é o típico livro para se ler na praia, mas que provavelmente não deixará grandes memórias no futuro. Depois desta leitura, senti a necessidade de fazer uma pausa nas minhas aquisições de livros policiais. Estou cada vez mais…
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“Estrada para Los Angeles” de John Fante
De férias e a desfrutar, aproveito o tempo para pôr a leitura em dia. Já me tinha cruzado com este livro e acabei por comprá-lo: “Estrada para Los Angeles“, que conta a história de Arturo Bandini, um jovem de 18 anos cheio de sonhos. As fantasias são tão mirabolantes que passei o tempo todo a sorrir. Arturo Bandini vive com a mãe e a irmã em San Pedro, o porto de Los Angeles. Com a morte do pai, tem de assumir responsabilidades e começa a trabalhar, apesar de não ter maturidade para isso. É um universo de fantasia, cheio de disparates, mas quem nunca passou por essa fase de amadurecimento? O livro foi publicado em plena Depressão Económica Americana e revela a dificuldade de uma família italiana na integração numa nova vida. “Estrada para Los Angeles” é uma obra de fácil leitura; li em duas tardes na praia. Ao terminar…
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“Trilogia” de Jon Fosse
Estou de férias! Para mim, é um tempo de pausa que aproveito para recuperar de toda a agitação da minha vida. Tempo para ler, beber uns copos e apanhar sol. Estava mesmo a precisar deste tempo para mim. Quem me acompanha aqui sabe que o Kobo se tornou inseparável. Nada como escolher antes de sair de casa o que vou ler na praia. Há muito tempo que queria conhecer a obra do prémio Nobel da Literatura, Jon Fosse. Escolhi no Kobo uma pequena obra que se lê em duas tardes ao sol. “Trilogia, Vigília | Os Sonhos de Olav | Fadiga” é uma alegoria sobre o sonho e a procura de uma vida melhor. Um casal procura abrigo numa cidade que desconhecem, está frio e chove. Ninguém de livre vontade os quer ajudar. É uma leitura muito fácil, mas o autor usa uma técnica que considero “poética”, já que as…
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“O Polícia” de Jo Nesbo
Admito que demorei muito a entrar neste livro. Várias vezes tive de voltar páginas atrás porque não estava a entender nada. Primeiro, porque tem muitos personagens e todos eles com nomes noruegueses difíceis de assimilar. Os policiais nórdicos estão na moda. Carregados de sangue e com descrições macabras de uma realidade que me remete para o “Correio da Manhã“ Em “O Polícia” vamos conhecer a história de um assassino que mata polícias em locais onde anteriores investigações de crimes nunca foram resolvidos. Bizarro sem dúvida! Harry Hole, um antigo e carismático inspetor é chamado para tomar conta desta investigação. Não fiquei grande fã desta obra, já li coisas muito mais interessantes de Jo Nesbo. Comecei com muita dificuldade, mas depois acabei por me envolver na trama e gostar. É sem dúvida uma boa leitura de Verão. Para ler na praia de cerveja na mão!