Coisas Boas em Alta
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    “Por Dentro do Chega” de Miguel Carvalho

    Sou um grande fã de História Contemporânea e foi com essa perspetiva que decidi ler esta obra. “Por Dentro do Chega“, de Miguel Carvalho, é muito mais do que um livro: é um documento histórico, rigoroso e bem fundamentado, com provas para todos os factos apresentados. O autor explora a formação do partido, o seu financiamento e os seus apoiantes. Miguel Carvalho conduz uma investigação minuciosa e explica de forma clara como uma extrema-direita musculada se infiltrou na vida política portuguesa. Mostra como é possível que eleitores tradicionalmente ligados ao PCP migrem para o lado oposto do espectro político. Desconstrói os propósitos do partido e expõe tudo com rigor jornalístico. É uma viagem por vezes incómoda, tal é o peso da realidade que revela. Miguel Carvalho demonstra que o Chega funciona quase como uma seita, recrutando seguidores vindos das mais variadas origens. Demorei algum tempo a concluir a leitura, na…

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    O advogado de John Grisham

    Sou um grande fã de John Grisham. Ao tentar racionalizar essa preferência, a explicação mais evidente é o facto de ter estudado Direito, e Grisham é um mestre dos romances jurídicos. Durante muitos anos, o autor exerceu advocacia, com presença regular nos tribunais e um conhecimento profundo dos bastidores da justiça. Essa experiência transparece na sua escrita, geralmente marcada por ação intensa e uma atmosfera quase policial. No entanto, em O Advogado, publicado em 1988, nota-se uma mudança significativa. É evidente que Grisham ainda procurava uma identidade narrativa, afastando-se do estilo que viria a torná-lo mundialmente conhecido. Neste romance, encontramos uma forte preocupação com a justiça social, a ética profissional e a desigualdade, temas que o distanciam do seu formato mais comercial. A história acompanha Michael Brock, um advogado de um prestigiado escritório, cuja vida muda radicalmente após um sem-abrigo invadir o edifício e ser abatido. Este acontecimento transforma por…

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    O crime do padre Amaro de Eça de Queirós

    Para quem nos acompanha, é fácil perceber o quanto os livros digitais transformaram a nossa vida. Pessoalmente, passo cada vez mais tempo a ler, deixando quase por completo a programação televisiva vazia e repetitiva. Há alguns meses, comprei por apenas 0,99 € a obra completa de Eça de Queirós, um preço incomparável com a versão em papel. Atualmente, estou no segundo livro da coleção: O Crime do Padre Amaro. Ao terminar, fiquei surpreendido com o facto de este autor não ter sido banido ou perseguido, já que dispara críticas em todas as direções. Neste genial romance não há uma única personagem verdadeiramente boa.A Igreja é arrasada, o poder político também, e reina a falta de moralidade e de valores. A única exceção é o Dr. Fortes, que se revela um homem de bom coração e consegue destacar-se num ambiente dominado pelo egoísmo. Publicado em 1875, o livro retrata um Portugal…

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    “Palavras em tempos de crise” de Luis Sepúveda

    Luís Sepúlveda tem uma escrita doce. Tudo o que li deste autor chileno transmite um carinho imenso. É impossível lê-lo sem passar a olhar o mundo de forma mais positiva. Nem sei bem como tropecei em “Palavras de Tempo de Crise“, mas foi uma verdadeira surpresa: descobri um autor com forte consciência política, revoltado com as injustiças do mundo capitalista. Daí a necessidade de estudar Sepúlveda para além da sua obra e compreender que foi forçado a deixar o Chile por motivos políticos, uma vida de exilado que se reflete de forma clara neste livro. Trata-se de um conjunto de crónicas, publicado em 2013, profundamente pessoais e quase sempre narradas na primeira pessoa. Histórias de trabalhadores e das suas lutas, reflexões sobre inquietações económicas, denúncias dos crimes ambientais, memórias da vida em Espanha… ou até episódios simples, como perder um avião e mostrar o caos das companhias aéreas. São pequenas…

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    “Um Animal Selvagem” de Joël Dicker

    O escritor suíço Joël Dicker era-me totalmente desconhecido antes de aderir ao formato digital.No entanto, acabou por ser um dos primeiros autores que descobri quando comprei o meu Kobo. A sua escrita é envolvente: frases curtas, muitos diálogos, ritmo acelerado e ação constante. Joël Dicker domina um estilo viciante, impossível de largar, terminamos um capítulo e sentimos logo vontade de começar o seguinte. Não foi, por isso, de estranhar que tenha lido este livro em apenas três dias. “Um Animal Selvagem“ segue a fórmula de sucesso a que o autor já nos habituou.A história centra-se em dois casais vizinhos: um representa a típica família perfeita, com dinheiro e felicidade aparentes; o outro encarna uma realidade bem mais próxima do comum dos mortais. O enredo combina romance e policial, tendo como ponto de partida o assalto a uma joalharia e a respetiva investigação. Gostei bastante da leitura e, acima de tudo,…

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    “Contra Mim” de Válter Hugo Mãe

    Nunca tinha lido nada de Válter Hugo Mãe, mas bastaram poucas páginas para ficar rendido à sua escrita. Talvez por sermos da mesma geração, reconheço-me facilmente nas vivências que descreve. “Contra Mim” é um livro autobiográfico, onde o autor partilha a sua experiência e a sua vida de forma muito pessoal. Sempre com um toque de humor, passei a leitura inteira com um sorriso nos lábios. Para além disso, o livro é construído com uma doçura que o torna ainda mais cativante. Tal como o Válter, nasci no chamado “Ultramar” e, quando vim para Portugal, também fui apelidado de retornado, sem sequer perceber o que isso queria dizer. Recordo-me bem de que, quando entrei na primeira classe, a professora dava reguadas aos alunos, algo que o autor retrata de forma muito fiel e que eu próprio vivi na pele. São muitas as experiências que partilhamos e que estão narradas de…

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    Batalha incerta de John Steinbeck

    Quem sou eu para fazer um juízo de valor sobre John Steinbeck, prémio Nobel da Literatura? Nas férias, decidi pegar na obra deste genial autor. A sua escrita é simples, mas profundamente envolvente. Li este livro em apenas dois dias, e só não foi mais depressa porque, inevitavelmente, tive de dormir. “Batalha Incerta“ retrata a forma como o partido comunista se organiza e como consegue mobilizar as massas. Por vezes, recorre a métodos discutíveis, mas sempre com o objetivo do bem comum e sem procurar benefício pessoal. É a América rural, onde os patrões têm o controlo absoluto e os trabalhadores assalariados não têm direitos, apenas obrigações. O livro mostra como se prepara uma greve e que estratégias se podem usar. É uma narrativa empolgante, que desperta em nós a vontade de participar na luta de classes. John Steinbeck revela-se claramente um homem de esquerda, algo evidente ao longo de…

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    Ozzy Osbourne

    A notícia chegou-me ao fim da tarde, através duma mensagem escrita do Miguel. Morreu o Ozzy Osbourne! Mas que raio?, pensei eu. Tão pouco tempo depois daquele concerto triunfal… Nah!… Precipitei-me para alguns sites de referência, mas nada. Bom, é certo que ele tinha actuado sentado, devido à doença de Parkinson, mas isso também o Axl Rose tinha feito, quando cá veio com os AC / DC. E parecia cheio de vontade de se levantar e começar a correr pelo palco enquanto batia palmas, com aquele estilo desengonçado muito próprio. Claro, a voz já não era a mesma, mas o carisma estava intacto. Enfim, o último álbum interessante que ouvi dele tinha sido para aí em 1995… Cerca de 15 minutos depois  já a notícia estava em todo o lado, sites e redes sociais. Afinal a sua carreira tinha mesmo acabado. O “prince of darkness” tinha mesmo sido engolido pela…

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    Rio essencial: o melhor da Cidade Maravilhosa

    Um guia inesperado que me fez sonhar com o Rio de Janeiro Comprei “Rio Essencial: O Melhor da Cidade Maravilhosa“ por pura brincadeira. Não tinha viagem marcada, nem planos concretos de atravessar o oceano. Mas bastou-me uma hora de leitura para ficar completamente rendido. É curioso: ninguém compra um guia de viagens se não tiver pelo menos a intenção de visitar o destino. Mas eu comprei. Li-o de uma só vez, ali mesmo, à beira-mar, enquanto o som das ondas embalava as páginas. E quando terminei… a vontade de ir ao Rio tinha crescido imenso. Este livro foi publicado em 2016, pode até estar um pouco desatualizado, mas continua surpreendentemente fresco. É leve, fácil de ler, e as fotografias são daquelas que enchem a alma. O Rio de Janeiro, um dos destinos mais desejados do mundo, revela-se aqui não só com os seus ícones, o Cristo Redentor, o Pão de…