-
“Limites” pela companhia de Teatro dos Aloés
Não deve ser nada fácil contracenar com a própria pessoa.Em “Limites”, Elsa Valentim fá-lo com mestria. E logo sete personagens que conversam entre si. A companhia de teatro dos Aloés apresentou este texto na sala do teatro Meridional. Num dispositivo cénico onde o espectador é convidado a sentar-se na zona do palco. É um texto muito atual, onde a estabilidade no ensino é o tema dominante. O que sente um professor quando é confrontado com uma vida longe da sua casa, congelamento de carreiras, salários curtos. Para baralhar ainda mais as coisas, alunos insubordinados! Um espetáculo a não perder direcionado para a classe dos professores. Este texto tem 3 versões: uma em português, outra em grego e ainda outra em romeno. Não devem perder.
-
Justiça a qualquer preço de John Grisham
Já aqui escrevi bastantes vezes sobre este autor. O facto de ter cursado direito e gostar da forma como John Grisham escreve, fez com que me tornasse fã do autor. Nesta aventura somos confrontados com o ensino do direito na América. Três alunos tentam terminar a sua formação, mas percebem que, para o conseguir, vão endividar-se e muito provavelmente não vão conseguir um bom emprego. A solução é exercer sem ter o curso terminado. Como fugir, ganhar dinheiro e não ser apanhado? Eu gostei da ação e da forma como John Grisham desenvolve a narrativa. O pior mesmo é a tradução que apanhei, brasileiro carioca, que me deu alguma dificuldade em entender tudo.
-
The Morning Show
Fiz o programa da manhã 20 anos, por isso mal tropecei em The Morning Showe fiquei logo entusiasmado. Tudo acontece num canal de televisão de Nova Iorque e no seu programa da manhã. Acompanhamos a vida dos pivot, as suas fraquezas, as suas angústias. O processo Me too, entra em força na vida do canal, já que o principal pivot é acusado de assedio sexual. Por esse motivo é despedido e para o seu lugar entra Bradley Jackson, uma repórter, que nunca na vida pensou chegar aquele lugar. A série esta recheada de nomes grandes do cinema, destaco Jennifer Aniston e Reese Witherspoon. Esta disponível no pacote da Apple Tv e tem sido a minha companheira nestas noites de primavera.
-
Foi Assim
No Teatro da Politécnica, a casa dos Artistas Unidos, está em cena um monólogo do norueguês Jon Fosse com interpretação de José Raposo. Estamos habituados ao actor das comédias e esta peça não tem nada para rir. Um texto sobre a religião, a arte e família, e não nos permite ficar bem dispostos ao seguir o desenrolar da ação. É a história de um homem no fim da vida, que faz o balanço da sua existência. O cenário simples uma cama de hospital e um andarilho onde devagar José Raposo se movimenta e quase se arrasta pelo espaço. Belo texto com encenação de António Simão e que José Raposo representa com primor. A não perder. São 60 minutos de bom teatro. Vão até lá! O teatro é junto ao Jardim Botânico no príncipe real!
-
Jardim zoológico de Cristal uma história de pessoas diferentes
Demorei desta fez a ir ao Teatro Meridional, gosto de ver nos primeiros dias, mas desta vez não consegui. Provavelmente encontrei um espetáculo mais rodado e mais maduro. É uma história de luta, um homem tem o sonho de ser escritor, mas por questões familiares e financeiras, vê-se a trabalhar numa fábrica de sapatos, há que sustentar um pesado legado familiar. Uma mãe com estigma de abandono e uma irmã diferente, coxa e uma autoestima muito baixa. O espetáculo faz a tentativa de mostrar que os diferentes podem ter um lugar na sociedade, mesmo que está seja egoísta. Nesta trama há uma grande dimensão emocional em todos os personagens. Uma mãe recalcada pelo o abandono do marido e que tem um objetivo na vida, encontrar um marido para a sua filha. Um filho que faz versos, que sustenta a família, mas que quer desaparecer como fez o seu pai. A…
-
Jamie Cullum ao vivo em lisboa
Sou grande fã deste artista, e por isso em janeiro já tinha pedido bilhetes para assistir a mais um concerto do pianista. Fui de “Gira” para o campo-pequeno, a ideia era jantar nas redondezas e depois assistir ao espetáculo. A cidade estava numa grande efervescência, Portugal jogava o primeiro jogo com um novo treinador. Há muito tempo que não sentia tanta energia boa no ar. Eram 21:18 quando Jamie Cullum subiu ao palco. Sei que sou exagerado, mas Jamie Cullum é provavelmente o mais talentoso pianista da sua geração. Não se limita a tocar piano, estabelece uma relação física com o instrumento, que pode virar num abrir e fechar de olhos percussão. Foram duas horas que não senti o tempo passar, uma festa entre amigos. Sendo o momento mais emblemático a versão de “Don’t Stop The Music” (Rihanna). Jamie Cullum tem o domínio do publico, sabe como o agitar, sabe…
-
A baleia
O mais premiado filme deste ano, A Baleia, conta a história de Charlie interpretado por Brendan Fraser, o protagonista e com a realização de Darren Aronofsky. Charlie da aulas de Literatura Inglesa online, a partir de casa. É entusiástico, empenhado em que os seus alunos gostem da matéria e consigam ser originais e desenvolver um pensamento próprio. Só que eles nunca o viram. Charlie diz que a câmara do seu computador está avariada. Porquê? Porque é gordo ou melhor gordíssimo e parece uma baleia. Filme terrível mas belo com o retrato de pessoas infelizes e mal resolvidas. A ver obrigatoriamente.
-
Eu sou Clarice Lispector
A vida e obra da escritora brasileira já falecida, estão na base desta peça “Eu sou Clarice”, com texto e encenação de Rita Calçada Bastos. O teatro tem destas coisas: entrei na sala bem disposta e o texto foi me incomodando até me ser difícil ouvir o que a actriz dizia. Eu sou Clarice é um monólogo interpretado por Carla Maciel e o segundo duma trilogia que passou por Tchekov, depois este e para fechar passará por Charles Chaplin. A peça está ligada com a biografia da escritora que é considerada uma escritora avassaladora e que escreveu sobre a humanidade de uma forma poderosa e até cruel. Está em cena no Teatro Aberto e quem gosta de Teatro não pode deixar de ir até lá! A actriz agarra o espectador com as palavras que lhe saem com variados tons de voz conforme a situação e perturba quem está sentado a seguir…
-
Terapia Sem Filtros
Com a compra do novo iPhone foi me oferecido a assinatura da Apple TV. Ando meio de costas viradas em relação à televisão, tenho passado o meu tempo livre a ler. Com esta oferta não resisti e decidi ver o que está disponível. Descobri “Terapia Sem Filtros” e fiquei rendido. Harrison Ford e Jason Segel são psicólogos e tudo gira à volta do lado emocional. Como pode de facto um terapeuta ajudar um paciente que sofre? O protagonista desta série usa uma método muito pouco “normal”, diz aos seus pacientes tudo o que pensa. Por exemplo, aconselha uma mulher que tem uma relação muito tóxica a separar-se do marido. A série é de facto muito divertida. Tem-me dado muito prazer entrar na vida destas pessoas, acabando por voltar a ter prazer em voltar a ver televisão. Aconselho vivamente.