-
“Murder in Porto”
No sábado antes do jantar decidi passar na fábrica da Dois Corvos. Como tenho uma máquina em casa para tirar imperiais quando saio gosto de provar coisas diferentes. E foi isso que aconteceu no sábado. Bebi algo de muito diferente. “Murder Porto”, uma cerveja artesanal que estagiou em barricas de vinho do Porto! Daí o sabor bem marcado a madeira e a baunilha. É uma Imperial Stout, que acaba por ganhar o prémio da melhor cerveja artesanal do ano em Portugal. É rica em paladares! Reconheci também chocolate e café. São 11% de álcool e senti bem esse peso. Tem muita estrutura e uma espuma aveludada. Adorei a experiência, fiquei totalmente rendido! Paguei 6.5€ por um copo de imperial que me pareceu excessivo, apesar de estarmos a provar o que de melhor se produz em Portugal.
-
Mama Chiara
Achei graça à embalagem e como estava em promoção, comprei um barril de dois litros. A Mama é uma loira Italiana artesanal muito suave. Nascida em 2014, por isso é muito nova ainda. De espuma ligeira e muito viva. Por não ser filtrada. nem pasteurizada, parece ser mais pura, sem o paladar das industrializadas. Tem um teor alcoólico de 5,2%, mas é a leveza que marca esta loira. Cerveja de cor amarelo claro, sabor fresco, amargor equilibrado. Tem sabor a frutos cítricos e cereais. No inicio da degustação senti uma entrada doce e levemente amarga. Sinto que é uma cerveja de verão, pouco intensa e muito fácil de beber. Achei muito caro, paguei cerca de 17€ pelo barril. Porquê este nome? Ma.Ma são as iniciais de Matteo e Maria Cristina, filhos do casal que produz esta artesanal. Gostei da experiência, e voltarei a comprar se encontrar outras coisas da marca.
-
“Leva-me Contigo” de Afonso Reis Cabral
No início do Verão passado tinha um projeto: fazer a Nacional 2. Trabalho na rádio e a ideia era percorrer a estrada fazendo emissões diárias ao longo dos pontos emblemáticos da estrada. Este projeto foi cancelado porque o meu amigo, produtor e autor do nosso site nos deixou. Para além do vazio da perda, fiquei com toda a produção destas emissões. Um dia vou fazer esta viagem, talvez não a trabalhar, mas em Homenagem ao meu amigo Mário! Foi com prazer que descobri este mini livro do Afonso Reis Cabral. O autor que tem como trisavô Eça de Queiroz recorreu a pé a Nacional 2 “Leva-me Contigo” conta essa aventura que terá demorado 1 mês a fazer. Afonso Reis Cabral não se limita a contar o que viveu nesta aventura, há um lado poético na sua narrativa. Foi partilhando nas redes sociais pequenos textos da sua jornada diária o que…
-
Napoleão de Ridley Scott
O filme biográfico de Ridley Scott sobre Napoleão é grande e por vezes cansa e pelas críticas que tenho lido está cheio de imprecisões. Começa por Napoleão não ter regressado do Egito por causa de Josefina, não abdicou logo após o seu fiasco na Rússia, e não ter esperado a manhã toda pela chuva na batalha de Waterloo. Não esteve presente na execução de Maria Antonieta, não atraiu deliberadamente o seu inimigo para um lago congelado, não fez explodir uma pirâmide com um canhão. Historicamente o realizador Ridley Scott fez uma versão como quis. A interpretação de Napoleão por Joaquin Phoenix é magnífica e vale ir até ao cinema conhecer a vida de Napoleão que é mostrado como um bronco.
-
Vanilla Stout da Musa
Noite de sexta feira. Estava muito frio, tinha um jantar marcado para as 8 da noite. Saí cedo e passei na nova fábrica da Musa, em Marvila. A temperatura de facto não convidava ao consumo de cerveja. Subimos ao terraço que tem uns aquecedores gigantes, criando um ambiente (apesar do frio) acolhedor. O meu irmão pediu uma Vanilla Stout. Nunca tinha ouvido falar, mas fiquei impressionado com a beleza do copo. Provei, e fiquei rendido. Boa espuma, tem um sabor a chocolate e a café e ligeiramente a baunilha. Muito cremosa e com teor alcoólico acima da média. Fiquei muito fã, uma cerveja imperdível! Gosto muito também deste novo espaço da Musa. Fácil de estacionar (apesar de eu ter ido a pé) e com um ambiente muito calmo. Assim, o inverno não custa a passar!
-
“Caçadores de Cabeças” de Jo Nesbo
Não há dúvida estou rendido ao Kobo. Agora não consigo se quer, adaptar-me ao papel. Leio no escuro com o meu cão nos meus pés. Há dias comprei “Caçadores de Cabeças” de Jo Nesbo. Já tinha lido um livro deste autor nórdico e na altura achei que era mais um livro policial. Mas desta vez fiquei com outra impressão. Roger Brown conta a história na primeira pessoa, de um especialista a selecionar altos quadros para as maiores empresas. O maior nos recursos humanos. Aprendi muito sobre a forma de controlar uma entrevista de emprego. Pelo meio aprendemos alguma coisa sobe arte de como fazer assaltos. Há uma situação neste livro que me deixou muito perturbado. O nosso protagonista cai literalmente dentro de esgoto e fica totalmente mergulhado na porcaria. A descrição é tão minuciosa que me deixou agoniado. A narrativa é feita a grande velocidade, deixando-me totalmente preso. Gostei muito…
-
Deixar o Mundo Para Trás
No dia de Natal, cheguei a casa ainda sem sono. O meu cão ressonava e decidi ver um filme. Bem instalado no quentinho da minha cama, escolhi ver “Deixar o Mundo Para Trás“, que está disponível na Netflix. No elenco temos Julia Roberts e Ethan Hawke. O filme é sobre o apocalipse e usa uma técnica onde se sente quase o respirar das personagens. Uma família farta da cidade decide tirar um fim de semana fora. Mas vão acontecendo coisas de difícil explicação. Logo num primeiro momento, um petroleiro gigante invade a praia onde a “nossa” família está a descansar. Não é de todo uma comedia romântica, há uma tensão permanente em toda a trama. O ritmo varia ao longo do filme. Senti a lentidão da contemplação e a velocidade do caos. Fiquei muito inquieto com o que vi, deixou-me a pensar na possibilidade do fim do mundo. Aconselho vivamente.
-
Cedro do Noval tinto 2021
Quem me dera ser rico! Um desejo que muita gente tem. Mas a minha riqueza serviria para coisas simples, como, por exemplo, entrar num restaurante e pedir um vinho sem olhar para a lista. Dar essa escolha ao empregado de mesa. Foi o que aconteceu no outro dia, num jantar de família em que a responsabilidade da escolha recaiu sobre o empregado. “Veja se tenho capacidade para pagar isso!” Foi servido um “Cedro do Noval”. Mas que boa escolha! Um vinho com ligeira nota a carvalho, baunilha e chocolate. Muita classe em toda a experiência. Tem uma cor vermelha rubi. Como esteve a estagiar em barricas de carvalho, há um leve sabor a madeira. São 14,5% de álcool, mas não se sente, porque é um vinho requintado. Não contem com muita intensidade, há uma leveza que fica. No final, veio a conta e pagamos 28€ por esta experiencia deliciosa. Vale…
-
A Má Hora: o Veneno da Madrugada
Sou muito fá da obra de Gabriel García Márquez. É muito fácil ficar surpreendido, quando tropeço num livro que nunca li deste autor. Foi o caso de “A Má Hora: o Veneno da Madrugada“, que li num fim de semana. Tudo acontece numa aldeia na América latina. Um dia, um comerciante de gado é informado da infidelidade da mulher por um papel colado na porta da sua casa, acabando por matar o seu presumível amante. Começam a aparecer panfletos que não são políticos, mas apenas denúncias sobre a vida privada dos cidadãos. Neste pequeno povoado, conseguimos distinguir o poder político, o religioso, o povo e também uma oposição que anda clandestina. É um livro apaixonante, muito bem escrito, onde se consegue sentir o calor, a chuva, a humidade e as gentes de um lugar perdido. Este lugar pode ser qualquer um numa América latina nos anos 60. Para ler de seguida,…