Lenço dos Namorados
Algo atrasado, recebi hoje um último presente de anos: um lenço dos namorados.
Quem me deu não tem qualquer intenção de me pedir namoro, mas sim por graça.
E eu achei tão bonito que fui saber algo sobre este lenço.
Hoje em dia tornou-se um engraçado souvenir e os mais antigos, quando não são relíquias de família, encontram-se expostos em museus e admirados com alguma surpresa e traduzem fenómenos sociais da época, como a emigração no início do século XVIII para o Brasil, o que afetou muito a zona do Minho.
Existe a lenda que, há muitos anos uma jovem camponesa que mal sabia escrever, se terá apaixonado por um estudante de direito que costumava frequentar a sua casa e, para manter a chama do amor, bordava em linho palavras de amor o que corresponderia a “uma carta de amor”.

São também chamados lenços de pedido, bordados com motivos florais, símbolos do amor, corações, pássaros a voar e chaves para abrir o coração de quem se ama.
Continuam a ser bordados e duas coisas se mantém nesses quadradinhos de pano: erros ortográficos e a caligrafia infantil.
As bordadeiras de hoje fingem iliteracia e cometem erros ortográficos para manter a tradição e uma certa ingenuidade.

Os lenços são encontrados em muitas casas de turismo, mas se quer comprar on-line veja em Coisas de Viana e Loja do Folclore.
Muito antes da tecnologia ter tomado conta das nossas vidas facilitando ou complicando as relações amorosas e ligando pessoas de todo o mundo, as declarações de amor das mulheres minhotas era feita com bordados.
Lindo! “Bai lenço da minha mao bai currer a freguesia, bai bai…”


