I Love LA
diversão, fama e a ilusão da era digital
Procurava uma série que me divertisse, mas que também me deixasse a pensar. Foi assim que descobri I Love LA, disponível na HBO Max.
É uma daquelas séries fáceis de acompanhar: episódios com cerca de 30 minutos, ritmo rápido e personagens que rapidamente despertam a nossa atenção.
A história acompanha Maia (Rachel Sennott), uma agente de talentos sem clientes cuja vida pessoal e profissional dá uma volta inesperada quando se reencontra com a sua antiga melhor amiga, Tallulah (Odessa A’zion), agora uma influenciadora digital de sucesso. Ao grupo juntam-se ainda um criador de moda e a filha de um ator mediático, num retrato mordaz da vida em Los Angeles.
Mais do que uma comédia, a série funciona como uma reflexão sobre a fama, a influência e as relações humanas na era digital. Quase todas as personagens parecem movidas por interesses próprios. Há sempre uma segunda intenção, um benefício a retirar, uma oportunidade a aproveitar.
Fica também a sensação de que o mundo mudou. Se antes a televisão era a grande plataforma para lançar personalidades, hoje a internet consegue transformar desconhecidos em celebridades praticamente da noite para o dia, nem sempre pelo talento ou pelo mérito. É um fenómeno que também vemos em Portugal.
Vale a pena ver I Love LA. É uma série bem produzida, com várias reviravoltas e pequenos nós narrativos que nos mantêm interessados. Acima de tudo, não é uma obra vazia: além de entreter, convida à reflexão. E isso, para mim, é o melhor elogio que se pode fazer a uma série.


