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“A casa pintda” de John Grisham

Que livro bonito!

Foi, sem dúvida, um grande companheiro de férias. Muito bem escrito, cheio de emoções e com uma história que me prendeu do princípio ao fim.

Nada a ver com aquilo que habitualmente escreve John Grisham. Aqui, o autor afasta-se dos tribunais, dos crimes e dos thrillers jurídicos para nos oferecer uma história profundamente humana e comovente.

Este livro fez-me regressar ao universo de John Steinbeck, sobretudo pela luta de classes, pela pobreza e pela dura realidade dos pequenos agricultores que cultivavam o algodão.

A história é contada pelos olhos de Luke Chandler, um menino de apenas sete anos que trabalha arduamente com a família na colheita do algodão. Luke tem tudo aquilo que há de mais bonito na ingenuidade de uma criança: adora basebol e sonha com os St. Louis Cardinals, enquanto tenta compreender o complicado e, por vezes, cruel mundo dos adultos que o rodeia.

A família Chandler não é dona da terra onde vive. Luta contra o tempo, o clima e a pobreza para conseguir uma boa colheita e pagar a renda. Para enfrentar o trabalho duro da apanha do algodão, contrata dois grupos de trabalhadores: uma família local, os Spruills, e um grupo de imigrantes mexicanos.

E é neste cenário que acontecem episódios que me deixaram três dias agarrado a este lindo livro.

Através dos olhos inocentes de uma criança, vamos assistindo à perda da inocência e à descoberta das duras realidades da vida adulta. Luke vê, observa e tenta compreender aquilo que muitas vezes nem os adultos conseguem explicar.

Até o próprio título é uma metáfora: ter uma casa pintada significava ter riqueza, estabilidade, uma vida melhor. Uma simples casa pintada podia ser o símbolo de tudo aquilo que aquela família desejava alcançar.

Fiquei mesmo de coração cheio nestes dias por causa deste livro.

É, provavelmente, um dos melhores livros de John Grisham e, para mim, uma das suas obras mais surpreendentes, precisamente por sair do seu registo habitual.

Uma história sobre pobreza, desigualdade, família, violência, inocência e crescimento, contada com uma simplicidade que a torna ainda mais poderosa.

Uma verdadeira obra-prima. Leitura obrigatória!

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