A Relíquia de Eça de Queirós
Quem sou eu para fazer juízos sobre a obra de Eça! Não tenho dúvidas de que é o maior escritor português de todos os tempos.
No final do ano passado decidi comprar a obra completa, que me custou apenas 0,99 €.
Comprei na aplicação Kobo e decidi mergulhar. Já vou no sexto livro e, para não me cansar do Eça, vou intercalando com outras leituras.
Ontem terminei A Relíquia, escrito em 1887. O livro é narrado na primeira pessoa e acompanha a história do desgraçado Teodorico Raposo, que perde os pais muito cedo e vai viver para a casa de uma tia profundamente religiosa.
O nosso “herói” vive uma dupla vida: em casa é o sobrinho exemplar, devoto e obediente à tia; na rua é um homem normal, entregue aos prazeres do amor e do “pecado”.
O grande objetivo de Teodorico é herdar a fortuna da tia, e para isso vive mergulhado na mentira.
Um dia, a tia pede-lhe que visite a Terra Santa e lhe traga uma relíquia que a ajude a curar as suas maleitas. Teodorico parte e vive várias aventuras. Numa delas envolve-se com uma mulher que lhe oferece… uma camisa de dormir. Por obra do destino, a relíquia destinada à tia acaba trocada por essa camisa.
Teodorico cai em desgraça e perde o apoio da tia.
O livro está dividido em três partes:
— Lisboa do século XIX,
— a viagem à Terra Santa,
— e o regresso à capital.
Confesso que a parte passada na Terra Santa foi, para mim, difícil de ler, muito densa e arrastada. Não percebo bem porque é que Eça dedica tantas páginas a episódios que pouco acrescentam à intriga.
Apesar disso, gostei imenso do livro. Eça é realmente gigante.


