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Só para moradores

Vivi muitos anos no centro de Lisboa.
Hoje, quase não o visito. Quando vou, é de bicicleta ou de transportes, raramente levo o carro.
As filas deixam-me nervoso e tenho pânico de não encontrar estacionamento.

No outro dia, numa festa de amigos, alguém falou do restaurante Mr. Lú, que em 2008 ganhou um prémio de melhor cozinha oriental (não sei quem atribuiu, mas está mencionado na ementa).
Essa conversa fez-me recordar uma época feliz no Bairro dos Anjos. Decidi desafiar os meus primos, que estavam de passagem por Lisboa, para uma visita a este espaço numa noite de semana.

Não quero fazer juízos sobre a comida ou sobre o prémio tão badalado.
O que queria mesmo era revisitar a zona que me acolheu em miúdo, e que hoje pouco tem a ver com o que era.
Segundo alguns guias, o Bairro dos Anjos é “o bairro mais cool de Portugal”, cheio de artistas, tertúlias e vida cultural. Mas eu não reconheço os atuais residentes.
Os bares e cafés estavam em plena efervescência quando lá cheguei.

Estacionei o carro, abri a aplicação da EMEL e vi que, depois das 19h, não se pagava parquímetro.
Saí do carro, mas os funcionários da EMEL estavam a bloquear todos os veículos na rua!
Perguntei:
— “Mas a esta hora paga-se parquímetro?”
Responderam:
— “A esta hora só pode estacionar quem é morador e tem dístico.”

Fiquei de boca aberta. Tirei o carro e acabei por estacionar num parque na Praça do Chile.
Então, quem manda não quer que os forasteiros visitem o bairro?
Que política é esta?
Faz algum sentido?

Tão cedo não voltarei ao bairro onde cresci.

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