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O Alentejano

Um paraíso alentejano às portas de Lisboa!

Feche os olhos. Imagine-se numa planície com terras a perder de vista e chaparros a pontuar o horizonte. Sente o calor seco do Alentejo? Está com vontade de se deliciar com a gastronomia típica daquela região e não tem oportunidade para um passeio pelas paisagens Além Tejo? Não se preocupe. Vá até Serradas, Rio de Mouro que é o mesmo que deslocar-se até Vila Boim, Elvas.

Manuel Lopes, proprietário do restaurante “O Alentejano”, criou, perto de Sintra,  um espaço simples, mas muito acolhedor para onde literalmente transporta os sabores da sua terra natal. Com uma ementa de difícil escolha para um apreciador da comida desta zona, quem ali se desloca tem o prazer de desfrutar de alimentos de extrema qualidade que viajam mensalmente desde o Alentejo para a mesa dos clientes.

Manuel Lopes

Grande apreciador desta gastronomia, decidi dar uma oportunidade a uma casa cujas paredes exteriores, algo estragadas, em nada faziam adivinhar a qualidade do manjar que estava prestes a experimentar.

Sentei-me à mesa a uma hora já tardia, tendo tido a sorte de encontrar lugar apesar de não ter feito reserva e de a sala estar com metade da capacidade fruto das circunstâncias pandémicas.
Sem sequer olhar para a ementa, de imediato proferi um sonoro “venha isso!”, quando Manuel Lopes me anunciou que o prato do dia era Cozido de Grão.

Enquanto aguardava pela vinda da iguaria, eis que me surge um prato com várias entradas: pimentos temperados, rodelas de chouriço, fatias de queijo e uma salada  que me maravilhou de tal forma que pedi para repetir. Nunca tinha comido couve branca ripada num suave molho de vinagrete e aromatizado com folhas de hortelã. A frescura da erva aromática e a acidez do vinagre criavam um contraste tão excelente quanto inusitado.

Ainda me deliciava com a surpreendente couve, quando me colocaram em cima da mesa um tarro com o cozido, anunciando-me a vinda próxima das carnes. Destapei o recipiente e arregalei os olhos e o olfato no caldo de cheiro intenso onde boiavam pedaços de batata, hortelã, cenoura, arroz e o típico grão. Veio, por fim, a travessa com a carne de porco e respetivos enchidos. A cada grafada de carne e a cada colherada de caldo, ouvia a sinfonia de sabores no meu palato que o tocavam numa harmonia poucas vezes sentida a degustar um cozido. A excelência dos ingredientes vindos da terra do Cante faziam a diferença na confeção de um prato tão amado na gastronomia portuguesa.

De sobremesa, decidi experimentar  uma fatia de rançoso e outra de queijada e é-me difícil afirmar qual o melhor. Apesar de não serem exemplo de doçaria conventual, certo é que eram ambas um manjar dos deuses!  Ainda olhei de  cobiçoso soslaio para uma  magnífica sericaia que passou muito perto de mim e fez as delícias dos comensais ao meu lado. Enfim, não se pode provar tudo!

A finalizar, e porque o vinho caseiro que me serviram era soberbo, reconfortei-me com um belíssimo licor de poejo, por cujas  propriedades digestivas o meu estômago já clamava.

Quando abandonei o restaurante e enfrentei a luz exterior na convicção de encontrar um chaparro à sombra do qual pudesse fazer uma sesta, lembrei-me que estava em Serradas a uns escassos 20 km de Lisboa e o paraíso estava afinal ali tão perto.

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Mário
Mário
6 meses atrás

Conheço! Belíssima descrição. Totalmente de acordo.

João Vasconcelos Castela
João Vasconcelos Castela
6 meses atrás
Reply to  Mário

Grato pela apreciação

Ana Paula P. S. Maltez
Ana Paula P. S. Maltez
6 meses atrás

Sendo assim irei aí ao restaurante,para apreciar as iguarias e já agora a paisagem

Ana Flor
Ana Flor
6 meses atrás

Se ler bem, a paisagem é imaginada. É a comida que nos transporta para a paisagem. A não perder.

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