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“A Tragédia da Rua das Flores” de Eça de Queirós

Decidi comprar a obra completa de Eça de Queirós, que na aplicação da Kobo custa apenas 0,99 €.
Uma verdadeira pechincha.

Não será para ler tudo de seguida, mas para ir intercalando com outras leituras.

Não ajuda ver que ainda faltam cerca de 300 horas para terminar, apesar de já ter lido três obras deste genial autor.

A Tragédia da Rua das Flores, escrita em 1877, é um bom exemplo de como é quase inacreditável que Eça não tenha sido “cancelado” nos dias de hoje.
Não há uma única personagem que seja moralmente boa.
Todos têm comportamentos reprováveis; no fundo, são humanos, egoístas, centrados em si próprios, e, por isso mesmo, genuínos.

Eça vai desenvolvendo as personagens, cada uma representando um traço da sociedade da época, e não há uma que se aproveite verdadeiramente.

De reter também o retrato da Lisboa do século XIX: pequena, limitada, onde a vida social acontecia sobretudo no teatro ou na Havanesa.
A trama começa no Teatro da Trindade, e percebe-se claramente que as pessoas iam ao teatro mais para socializar do que para ver o espectáculo.

O centro da história é uma relação incestuosa entre dois irmãos, algo que teria chocado profundamente a sociedade da altura. Talvez por isso este romance só tenha sido publicado muitos anos depois da morte do autor, apenas em 1980.

Eça não trata as mulheres com grande benevolência: são quase sempre descritas como manipuladoras, usando os homens a seu belo prazer e descartando-os quando já não precisam deles, trocando-os facilmente por outros.

Ainda assim, Eça é genial, e manteve-me preso ao livro.
A minha sorte é que ainda tenho muitos mais títulos do autor para desfrutar.

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