O Agente Secreto
Uma viagem fascinante ao Brasil de 1977
Não via televisão há algum tempo.
No sábado tive um dia infernal e só cheguei a casa por volta das seis da tarde. Tomei um banho, sentei-me no sofá e apeteceu-me ver um filme.
Abri a aplicação da HBO Max sem saber muito bem o que escolher e acabei por tropeçar no filme brasileiro O Agente Secreto. Assustei-me um pouco quando percebi que tinha quase três horas de duração, uma verdadeira aventura para quem já não está habituado a passar tanto tempo em frente à televisão.
Mas revelou-se uma excelente surpresa. O filme está muito bem realizado, com momentos de cortar a respiração e uma carga emocional impressionante do princípio ao fim.
A história decorre em 1977, em plena ditadura militar brasileira, e é precisamente aí que se nota um toque de génio. Tudo nos transporta para aquela época: o guarda-roupa, os cenários, a atmosfera e até a própria fotografia do filme, com tons ligeiramente amarelados que reforçam a sensação de estarmos a olhar para o passado.
Marcelo (Wagner Moura), um especialista em tecnologia e professor de 40 anos, foge de um passado violento em São Paulo. Sob o nome falso de Armando, regressa à sua cidade natal, Recife, durante a semana do Carnaval, com o objetivo de reencontrar o filho. No entanto, a aparente tranquilidade rapidamente dá lugar à inquietação, quando percebe que está a ser vigiado pelos vizinhos e perseguido por assassinos e pela máquina de controlo do Estado.
Adorei ver este filme. É inteligente, envolvente, visualmente marcante e muito bem construído. Apesar da longa duração, nunca se torna aborrecido e consegue manter a tensão até ao fim.
Uma obra a não perder, disponível na HBO Max.


