O Homem Inocente de John Grisham
Nunca tinha aproveitado um período de férias para ler tanto. Em apenas três semanas li oito livros, sempre com enorme prazer.
O último livro destas férias foi O Homem Inocente, de John Grisham, o primeiro livro de não ficção do autor.
Talvez por esse motivo tenha sentido a leitura um pouco mais densa. É quase um compêndio de direito, no qual aprendi imenso sobre o funcionamento do sistema judicial norte-americano.
O livro conta a história de Ron Williamson, um antigo herói local do desporto que sonhava jogar na principal liga de basebol. Depois de ver a sua carreira arruinada por lesões e problemas relacionados com dependências, regressa à sua cidade natal e começa a sofrer de graves perturbações mentais.
Quando Debra Sue Carter, uma jovem empregada de mesa de 21 anos, é brutalmente violada e assassinada, a investigação da polícia local entra num impasse durante cinco anos. Sem pistas sólidas e sob enorme pressão para encontrar um culpado, as autoridades acabam por acusar injustamente Ron Williamson e o seu amigo Dennis Fritz.
Ron é condenado à morte e o leitor acompanha de perto o quotidiano de um condenado no corredor da morte, bem como as falhas de um sistema judicial capaz de destruir vidas inocentes.
Acima de tudo, este é um livro sobre a injustiça e sobre as consequências devastadoras dos erros judiciais.
Confesso que, por várias vezes, me senti tentado a desistir da leitura devido ao carácter muito técnico de algumas passagens. Ainda bem que não o fiz.
No final, gostei bastante do livro e recomendo-o, sobretudo a estudantes de Direito, mas também a todos os que se interessam por questões de justiça, direitos humanos e pelo funcionamento dos tribunais.
Classificação: 8/10. Um livro exigente, mas profundamente esclarecedor e perturbador.


