“O Primo Basílio” de Eça de Queirós
Para mim, Eça de Queirós é, de longe, o maior escritor da língua portuguesa.
Um talento gigantesco, com uma capacidade descritiva absolutamente impressionante.
Decidi comprar as obras completas de Eça em formato digital, custaram-me apenas 99 cêntimos! Por isso, vou intercalando, um livro de Eça e outro mais moderno. Já estou no quarto livro da coleção.
Desta vez li O Primo Basílio. Terminei em cinco dias e, mais uma vez, li de forma encantada.
Cheguei à conclusão de que, no século XIX, não havia ninguém verdadeiramente bom: toda a sociedade portuguesa parece moralmente malformada, egoísta, com um único objetivo “safar-se”.
É uma sátira social e uma crítica feroz à hipocrisia da burguesia lisboeta do século XIX.
Luísa, uma jovem burguesa casada com o engenheiro Jorge, vê-se sozinha quando o marido parte para o Alentejo em trabalho. Durante essa ausência prolongada, envolve-se num caso adúltero com o primo Basílio.
Basílio é uma personagem nojenta. Fez-me odiá-lo a cada página: olha para os portugueses como brutos (talvez sejamos, mas dói ler isso) e aproveita-se da fragilidade da prima para a conquistar.
Depois, surge um confronto social entre Luísa e a criada Juliana, que, ao descobrir uma carta comprometedora, passa de dominada a dominadora, fazendo chantagem.
Eça tem a capacidade de me deixar nervoso pela forma como descreve a sociedade portuguesa. É genial por isso.
É impossível mergulhar na sua obra sem sentir vontade de ler tudo.
Eça de Queirós é obrigatório. Para terminar a coleção, ainda me faltam muitas horas de leitura, mais de 300!


