Ozzy Osbourne
A notícia chegou-me ao fim da tarde, através duma mensagem escrita do Miguel. Morreu o Ozzy Osbourne!
Mas que raio?, pensei eu. Tão pouco tempo depois daquele concerto triunfal… Nah!…
Precipitei-me para alguns sites de referência, mas nada. Bom, é certo que ele tinha actuado sentado, devido à doença de Parkinson, mas isso também o Axl Rose tinha feito, quando cá veio com os AC / DC. E parecia cheio de vontade de se levantar e começar a correr pelo palco enquanto batia palmas, com aquele estilo desengonçado muito próprio.
Claro, a voz já não era a mesma, mas o carisma estava intacto. Enfim, o último álbum interessante que ouvi dele tinha sido para aí em 1995…

Cerca de 15 minutos depois já a notícia estava em todo o lado, sites e redes sociais. Afinal a sua carreira tinha mesmo acabado.
O “prince of darkness” tinha mesmo sido engolido pela escuridão.
A sua carreira começou em 1970, com os Black Sabbath, grupo crucial na criação do Heavy Metal. Não apenas do Hard Rock, como os Deep Purple ou os Led Zeppelin, mas do Heavy Metal. Ninguém até essa altura tinha apresentado uma combinação de acordes tocados tão alto e de forma tão densa e soturna. A isso juntava-se o recurso a letras e a um ambiente a roçar a loucura, a depressão e o terror, com laivos de ocultismo. Para que não houvesse dúvidas, estes quatro rapazes da classe trabalhadora e pobre da cidade industrial de Birmingham tinham acabado de pregar o último prego no caixão do “summer of love” e dos hippies de uns poucos anos antes. Enquanto vocalista da banda, as suas performances eram imprevisíveis e tinham uma intensidade pouco vista antes, o que ajudou a projectar os Black Sabbath para a primeira linha da cena global do rock.
No início de década de 80 iniciou uma carreira a solo, que revelou ao mundo o excelente guitarrista Randy Rhoads, pouco tempo depois falecido num estúpido acidente. As tournées nos EUA pareciam nunca ter fim, associadas ao consumo em doses industriais de álcool e drogas, o que deu origem a alguns episódios que se tornaram lendários.
Como aquela vez em que arrancou à dentada a cabeça de um morcego que tinha sido atirado para o palco, convencido que era um adereço de borracha. Ou noutra vez em que foi preso porque, embriagado, urinou sobre o monumento dedicado aos soldados da Batalha de Álamo, no Texas. A sua leve associação ao ocultismo e ao satanismo, bem como algumas afirmações desbocadas sobre os mais diversos assuntos, atraíram a ira dos fundamentalistas religiosos conservadores norte-americanos, que ele soube usar sabiamente para aumentar a sua notoriedade. De tal forma, que se tornou numa figura de culto, mais famoso que os próprios Black Sabbath. Estes tinham entretanto entrado numa roda viva de mudança constante de músicos, alguns deles famosos, como Ronnie James Dio ou o próprio Ian Gillan, dos Deep Purple.
Mas para muitos, os verdadeiros Sabbath só mesmo com Ozzy. O seu estatuto tinha passado a ser lendário em nome próprio. Absolutamente notável, para um artista que começava os concertos com a música do anúncio do after shave Old Spice...
Nada disso obstou a uma curta reunião da formação original em 1997, o que nos deixou alguns excelentes concertos ao vivo, imortalizados em DVD.
E novamente em 2013 (sem o baterista Bill Ward) para o 13º e último álbum de originais.
Pelo meio ainda houve “The Osbournes”, um reality show ao estilo “Big Brother”, que foi o precursor do “The Kardashians” e confirmou a sua influência mais do que apenas na cena musical ou do Heavy Metal, também no circo da notoriedade em geral associada à moda e ao cinema, o que justifica que tanta gente que nem gosta de Rock de repente se tenha convertido para lamentar a sua morte.
O “madman” de serviço da cena musical contemporânea deixou-nos.
Em grande estilo, como era seu apanágio, com um concerto em que se rodeou de alguns dos maiores nomes do rock e do Heavy Metal e que angariou uma verba recorde para a investigação da doença de Parkinson
Ficam as boas memórias.
Tal como o Lemmy, dos Motorhead, era suposto que ele fosse eterno…
“I’m just a rock ‘n’ roll rebel
I’ll tell you no lies
They say I worship the devil
They must be stupid or blind
I’m just a rock ‘n’ roll rebel”
(Ozzy Osbourne – “Rock’n’roll Rebel”
Do álbum “Bark at The Moon” de 1983)



