Tasca do Miguel: Três Gerações à Mesa da Tradição
No coração do Bairro dos Atores, em Lisboa, vive-se uma história que já atravessa três gerações e que se saboreia em cada garfada.
A Tasca do Miguel, cuja origem remonta aos tempos do Sr. Júlio, mantém acesa a chama da genuína cozinha portuguesa graças ao labor familiar e ao respeito pelos sabores de sempre.
A continuidade do legado está agora nas mãos do Vasco, neto do fundador e filho do Miguel que dá nome à Tasca, que preserva com alma e simpatia o espírito acolhedor da casa e a autenticidade do que ali se serve.
Esta Tasca com uma matriz tradicional é uma tasca de bairro onde não há lugar para modas passageiras nem para embelezamentos supérfluos.
Aqui, come-se à portuguesa, com doses generosas, sabores apurados e um ambiente onde os clientes são tratados como da casa.
Hoje, porém, a visita teve um sabor ainda mais especial.
Fui surpreendido pelo convite do meu filho, que, em gesto bonito e simbólico, fez questão de escolher ele próprio o restaurante. O destino foi esta casa até então desconhecida para ambos, e a escolha não poderia ter sido mais feliz.
Fomos recebidos pelo Vasco com um sorriso aberto e uma simpatia desarmante, características que, juntamente com a eficácia do serviço e o espírito de casa portuguesa, marcam esta tasca de bairro.
A ementa convida à carne e foi por aí que nos deixámos levar: dois pratos distintos, ambos com carnes de excelente qualidade, prova de uma seleção criteriosa de fornecedores e de uma mão sábia nos tempos de confecção.

Mas houve um momento de puro deleite, aquele instante em que a gordura da espetada começa a pingar lentamente sobre as batatas, selando o prato com um sabor profundo e genuíno. Um pormenor que diz tudo sobre o respeito pelo produto e pelo prazer de bem comer.

Com uma relação qualidade preço justa e um ambiente que resiste, com firmeza, à massificação e à descaracterização, a Tasca do Miguel é um exemplo de como as raízes da gastronomia portuguesa se podem manter vivas, desde que tratadas com respeito, verdade e continuidade familiar.
Neste almoço, celebrado entre gerações, não se comeu apenas carne, saboreou-se um pedaço daquilo que somos.

Visitado e recomendado.
As “velhas” tascas são para manter vivas.



