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O Principezinho – My heArt Theatre

Desde muito jovem que a leitura de O Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry me enchia de ternura.

Lembro-me que quando me chegou a versão na língua original a li sete vezes seguidas.

Há poucos dias tive a sorte de ver pela primeira vez a sua versão teatral no Cine -Teatro D. João V da Damaia num acolhimento do Teatro dos Aloés.

A companhia acolhida é sem dúvida uma companhia muito imaginativa a começar pelo nome « My heArt Theatre» que simultaneamente  diz duas coisas – o Teatro do meu coração e da minha arte.

Ficamos conquistados mesmo antes do espetáculo começar. 

Depois o espectáculo era feito com luz negra que muito raramente aparece no nosso país e com a qual eles criavam maravilhosos efeitos estéticos no domínio do fantástico, não se sabendo nunca como as coisas acontecem.

Ainda hoje me pergunto como faziam eles para o principezinho andar mexendo as pernas ou dobrando-as pelo joelho e como agarrava as cordas que amarravam as pombas que o levavam a voar ou como a voz do Principezinho vinha sempre do local onde ele estava como saísse da sua própria boca.

Era de uma beleza extraordinária ver o brilho dos asteroides no céu estrelado e era fascinante ver no palco actores em contra- cena com bonecos, parecendo tudo real e normal e belo.

A música tocada ao vivo produzia efeitos que ajudavam a fazer-nos acreditar em tudo o que acontecia como real ou como o real e o fantástico não se opõem.

O espetáculo era dirigido por Simão Biernat que estudou em Praga, cidade onde vi a maior concentração de teatros, com placas a assinalar os grandes nomes da história das artes e onde as igrejas estão cheias de gente para ouvir concertos de música, e que também estava em cena com Cátia Borges, Joana Raio, Arknet Marques e Tiago Dinis.

A música ao vivo era de Ricardo Nascimento.

A cenografia e adereços de William Barreto. Os Figurinos de Dália Flores e Pedro Pinheiro e de Simão Biernat. Fotografia e vídeo de Rui Miguel Correia. 

Atrevo-me a citar todos os participantes porque me pareceu que formavam uma equipa una e confiante no projecto, que todos tinham contribuído para o sucesso do espectáculo e curiosamente os seus nomes parecem oriundos de diversas origens.

Não conheço ninguém da equipa. Falei com eles à saída, ainda sobre o efeito da emoção de um espectáculo que me tinha agradado muito e também para saber como tinham organizado todos aqueles efeitos que tanto me impressionaram. Foram simpáticos, sorriram satisfeitos, mas disseram-me que era segredo.

Sou profissional de Teatro, mas não sou crítico de teatro e disse apenas o que senti.

Não sei onde anda a Companhia, mas se os descobrirem não percam.

Fui para casa tentando lembrar-me de frases «cativar é criar laços», « és responsável toda a vida pelo que cativaste», « sou responsável pela minha flôr».

E queria terminar dizendo que foi uma bela iniciativa do Teatro dos Aloés.

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