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A Celeste dos Cravos

Naquele dia era o aniversário de inauguração do restaurante Franjinhas com um serviço inovador de self-service, o primeiro de Lisboa.

Uma festa onde não podiam faltar flores.

Quando chegou ao trabalho, Celeste encontrou a porta fechada e foi informada pelo patrão de que não iria abrir porque estava em marcha uma revolução.

Mas que não se desperdiçassem as flores. 

Levou os cravos consigo até ao Rossio, onde os tanques militares aguardavam novas ordens de Salgueiro Maia.

Um soldado pedi  um cigarro a Celeste, mas ela  não fumava e tudo o que tinha para lhe dar era um dos cravos que tinha trazido do restaurante.

O soldado aceitou a flor e colocou-a no cano da espingarda e logo os companheiros fizeram o mesmo, levando Celeste a distribuir todos os cravos que tinha nos braços.

Um  imagem que deu a volta ao mundo e instalou-se no imaginário dos sonhadores.

Fosse Celeste fumadora e talvez a história se tivesse escrito de maneira diferente.

Horas mais tarde, todas as floristas resolveram fazer o mesmo, e ninguém ficou sem cravos, contribuindo para os imortalizar como um símbolo de liberdade.


Conhecida por Celeste dos Cravos, lamenta nunca ter recebido um convite para estar presente nas comemorações oficiais do 25 de Abril.

A sua vida acabaria por ser marcada pela tragédia no incêndio do Chiado, em Agosto de 1988.

O seu quarto alugado ao pé dos Armazéns do Chiado foi destruído pelas chamas. 

Confessa que perdeu tudo, mas o que lamenta mais, são as fotografias de toda uma vida. 


Com uma reforma muito pequena que não chega aos 400 euros, Celeste vive numa rua paralela à Avenida da Liberdade, a maior conquista da revolução à qual deu o nome.

Viva Celeste!

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