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O Tríptico da Natividade

Fui por aí fora até chegar a Guimarães.

E depois entrei no Museu Alberto Sampaio diretamente onde está o Tríptico da Natividade uma raridade da arte medieval europeia.  

É um altar portátil, em prata e prata dourada, com 1,30m de altura por 1,50m de largura.  

O Tríptico da Natividade está envolto num mistério: foi encomendado por D. João I de Portugal depois da vitória de Aljubarrota, onde os portugueses derrotaram os castelhanos em apenas meia hora e com um terço dos homens?  

Ou pertencia a D. João I de Leão e Castela que o deixou para trás na fuga da batalha? Mistérios.  

É uma obra lindíssima e a sua origem está relacionado com a Batalha de Aljubarrota. 

Porém, há um sentimento nacionalista que resiste e se fortalece na figura do Mestre de Avis que muitos serviços prestara na defesa do reino, com o apoio de D. Nuno Álvares Pereira e de um grupo fiel de partidários.  

Será ele aclamado rei nas cortes de Coimbra, e terá ainda muitas batalhas pela frente: a última, em Aljubarrota. 

As tropas portuguesas andavam pelos 10 mil homens, os castelhanos dobravam o número e sentiam-se confiantes na vitória.  

O monarca espanhol fazia-se transportar com a sua baixela e a sua capela, com peças emblemáticas do património castelhano.  

Uma delas pode muito bem ter sido um altar portátil em prata dourada, o Tríptico da Natividade, que ficou perdido no campo da batalha ganha pelos portugueses em trinta minutos. 

Este altar, peça magnífica de ourivesaria, seria o melhor troféu de uma vitória que reafirmava a independência portuguesa perante o mundo.  

O soberano português irá oferecê-lo em sinal de agradecimento a Nossa Senhora da Oliveira, de quem era devoto. 

Ou não terá sido assim?  

Outra tese defende que o retábulo de prata dourada foi feito com os despojos da batalha de 14 de agosto de 1385… 

Certo é que a peça que representa o nascimento de Cristo, única em Portugal, sobreviveu mais de 600 anos para nos recordar Aljubarrota.  

Durante muitos anos foi sempre protegida e escondida pelos habitantes de Guimarães até que finalmente muitos séculos depois aí está ele no Museu para quem o quiser conhecer.  

Vale a pena 

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