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Histórias boas

 Hino Nacional

Alfredo Cristiano Keil , é filho do alfaiate Hans-Christian Keil e de Maria Josefina Stellflug, ambos de origem alemã e radicados em Portugal. 

A sua educação básica deu-se igualmente na Alemanha, berço do romantismo.

Esta foi, talvez, uma das razões pelas quais o artista seguia a reboque das novas tendências, já estabelecidas.

Estudou desenho e música em Nuremberg. Em 1870, devido à guerra Franco-Prussiana regressa a Portugal.

Em 1890 o ultimato inglês a Portugal deu a Alfredo Keil a inspiração para a composição do canto patriótico “A Portuguesa”, com versos de Henrique Lopes de Mendonça.

A cantiga/marcha, tornou-se popular em todo o país e seria mais tarde feita hino nacional de Portugal – A Portuguesa.

A 1 de Fevereiro de 1890, no decorrer de um sarau no S. Carlos exibindo bailados da ópera cómica em 3 actos Dinorah, é tocada pela primeira vez em público, A Portuguesa que se tornaria o nosso Hino.

Entretanto, na então chamada África Portuguesa, em finais do século XIX, havia graves conflitos com a Grã-Bretanha e o caso do “Mapa cor-de-rosa” que correspondia à perca de uma larga fatia do território português no continente africano, entre Angola e Moçambique, veio a desembocar, em 1890, no chamado “Ultimato inglês”. É então que Alfredo Keil, animado de sentimentos patrióticos, compõe a marcha “A Portuguesa” – ao som da qual, no ano seguinte, os revoltosos de 31 de Janeiro proclamaram a República no Porto.

Porém foi preciso aguardar mais uns anos para que o ciclo do regime monárquico desse lugar à República, a 5 de Outubro de 1910.

Até esse dia, “A Portuguesa” esteve proibida de ser tocada em público. Depois, em 1911 é adoptada pela nova Constituição como Hino Nacional da República Portuguesa.

Alfredo Keil, que viajava muito e passava temporadas em Itália, a pátria da ópera, conseguia dividir o seu tempo entre a pintura e a composição musical.

Como pintor, Alfredo Keil deixou mais de 2000 obras, entre telas e desenhos, Como conhecedor de arte foi um grande colecionador.

Adquiriu telas de pintores como Lucca Giordano e diz-se que talvez possuísse um Brueghel.

A sua coleção de instrumentos musicais antigos, cerca de 500, encontra-se no Museu da Música, em Lisboa.

Este autor, multifacetado legou-nos também obras escritas, contos e romances dos seus verdes anos e estudos como “Breve História dos Instrumentos de Música Antigos e Modernos” em 1904.

A 4 de Outubro de 1907, três anos e um dia antes de ser proclamada a República, Alfredo Keil morre, em Hamburgo, vítima de doença. Contava apenas 57 anos e deixou inacabada a ópera “Índia”, que começara a compor para as comemorações da chegada de Vasco da Gama à Índia.

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