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Bárbara Ramos Dias

Foi numa tarde de muito sol que conheci a psicóloga clínica Bárbara Ramos Dias,

Para além das consultas a Bárbara decidiu lançar o livro “Guia de Cabeceira para Pais Desesperados“.

Foi esse o pontapé de partida para uma conversa animada com a autora.

Como foi que sentiu que sua carreira seria ajudar adolescentes a terem a uma vida mais feliz? 

Há 20 anos que o faço e é uma grande paixão. Sinto que na minha adolescência tive diversos desafios, que me tornaram na pessoa que sou hoje. É uma fase muito bonita. De construção de identidade e por isso é bastante gratificante perceber os sorrisos nas carinhas dos adolescentes que se sentem perdidos no seu eu.

Na adolescência, existe uma coisa que é “monstro do espelho”, em que os adolescentes olham para o espelho e não se reconhecem. Ainda não são adultos, mas também já não são crianças. Pelo que se sentem perdidos,

Por outro lado, é nesta fase que eles testam as regras e os limites, iniciando os conflitos com os pais.

Assim, é com grande prazer que vejo o seu sorriso voltar aos seus corações, vê-los mais organizados, valorizados, com objetivos e a conhecerem o seu novo eu.

Construir uma família pode ser uma missão muito difícil? 

Se for na base da verdade, clareza das regras e limites, compreensão, empatia, muito amor e colo, alguma paciência e positividade em vez de castigos e gritos, é mais fácil. Nós é que por vezes a tornamos difícil. Claro que há dias mais desafiantes, e gritamos, mas há que saber pedir desculpa, afinal mais tarde eles irão espelhar o nosso comportamento.

Guia de Cabeceira para Pais Desesperados, que livro é este? 

É uma ferramenta que vai ajudar os pais a melhorarem a comunicação e relacionamento com os seus filhos. É um livro que vai ajudar as famílias a ter mais harmonia e paz familiar.

Como trabalho com Eneagrama (estudo de personalidade) há muitos anos, tinha bastante material, casos práticos e até testemunhos que poderia utilizar pata ajudar outras famílias a melhorarem o seu relacionamento, bem como comunicação, traduzindo-se em maior harmonia familiar, em vez de gritos todos os finais de tarde e fins de semana.

Os pais queixam-se de que os filhos não fazem nada, os filhos queixam-se que os pais só sabem gritar e que já não aguentam o barulho na cabeça, referem que chega a fazer eco. Assim, surgiu este Guia, que vai ajudar pais, educadores e professores a conseguirem perceber melhor a personalidade das suas crianças e adolescentes.

O leitor vai encontrar o teste de personalidade, que é apenas o início do processo de auto-conhecimento, dicas para lidar com cada tipo de personalidade (família, escola, etc), frases comuns usadas pelos diferentes tipos de personalidade, e ainda casos práticos ilustrativos de cada tipo de personalidade. Neste Livro decidi dar também o meu exemplo e dos meus filhos, para que se compreenda melhor.

O facto de ter filhos ajudou na criação deste guia? 

Sim, obvio ter 3 filhos muito diferentes e estar sempre muito próxima das minhas sobrinhas, foi uma grande ajuda. 

Como se identifica a personalidade de uma criança? 

O início da identificação da personalidade das crianças e adolescentes, passa num primeiro momento, pela aplicação de um teste que pode encontrar no livro. Seguem-se algumas perguntas, a observação das características, talentos e desafios a melhorar. No entanto, através de uma consulta com especialista conseguimos confirmar o tipo de personalidade.

Mas atenção, não existem bons e maus tipos de personalidade, existem sim pessoas diferentes. 

É de lembrar, que as crianças estão em constante desenvolvimento emocional e cognitivo, pelo que o estudo da personalidade com o Eneagrama, não é o fim de um processo, mas sim o início do estudo de um processo contínuo.

Este guião serve para ajudar a corrigir comportamentos? 

Este é um guia para ajudar os pais, professores e educadores a valorizarem mais os talentos e desvalorizarem birras e maus comportamentos. Assim, obvio que vai influenciar os comportamentos, porque se os pais mudarem a sua atitude, se se conseguirem colocar no seu lugar do filho, percebendo melhor a sua personalidade, o comportamento da criança muda também como espelho.

Os pais devem corrigir ou deixar que as crianças sejam como são? 

Obvio que os pais devem corrigir as questões relacionadas com valores, regras, limites, respeito pelo outro, etc. No entanto, também acho que os pais devem deixar os seus filhos serem quem querem ser, não os obrigando a ser quem eles acham que devem ser. Trata-se de crianças e não robots.

Bárbara Ramos Dias

O que pode deixar um pai desesperado? 

Não conseguir lidar com os filhos, não saber lidar com birras, com falta de limites, o tentarem tudo e não conseguirem, e até chegarem ao ponto que são os seus filhos que mandam nos pais. Que decidem, que batem, que gritam, enfim falta de regras e limites parentais.

Os filhos não são o espelho dos pais? 

Sim, as crianças são o espelho do que vêm e ouvem, se os pais gritam e ofendem é isso que eles aprendem. Por outro lado, se ouvirem reforço positivo, frases de esperança e positividade, é assim que eles crescem. A escolha é nossa😊

Quem vai ter muito prazer em ler este guia? 

Quem de fato quer melhorar o seu relacionamento e comunicação com os seus filhos. Quem quer optar por ter maior força, energia positiva, vontade de mudar, mais harmonia, maior compreensão do outro, saber colocar no lugar dos filhos. Mas principalmente para quem quer ter dicas e “truques” para um melhor relacionamento, com fins de tarde em paz, em vez de desespero e gritos.

Lembro, os miúdos são o nosso espelho, se nós mudarmos o nosso comportamento, eles também irão mudar. Assim, vão ter o prazer de conseguir lidar com os seus adolescentes e crianças de forma mais positiva, ou seja, pela valorização dos talentos e com incentivos, em vez das habituais críticas e castigos.

O que é uma criança feliz? 

É uma criança que consegue ser ela própria, que tem vários momentos de diversão, que é elogiada em vez de criticada, que é valorizada pelo esforço e não pelo resultado. Uma criança que tem balizas, regras, limites, todos eles precisam disso para se sentirem mais seguros.

E claro, uma criança que se sente amada 

Bárbara Ramos Dias
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