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Museu das Aldeias

Quando se podia viajar por este Portugal,  tinha um grupo de amigas que gostavamos de fazer muitas viagens e numa dela fomos até Abrantes a caminho de Vila do Rei. 

Até chegar a uma aldeia de Relva, onde residem pouco mais de 20 pessoas formou-se ao longo de vários anos um espaço bonito mas desconcertante . Muito por causa dos objetos colecionados por Aniceto da Silva Nunes desde 1970, e da família que o acompanha no projeto do Museu das Aldeias, integrado que está numa quinta onde existe também um restaurante-bar, O Elétrico, onde almoçamos razoavelmente .

Este Museu não é convencional. Surpreende por uma desarrumação  organizada. Objectos de diversas providências desde o lixo até comprados em antiquários 

Ficamos logo com um sorriso nos lábios porque tudo é engraçado é bem pensado.

No Museu, a primeira sala é a do barbeiro dentista. A segunda é do sapateiro, depois a do ferreiro, do carpinteiro e muitas outras profissionais hoje inexistentes ou em vias de extinção. 

Noutro piso há a sala do azeite, outra da rega, do poço e dos tanques, o curral com uma vaca empalhada. “Viveu aqui na Quinta e não quis que saísse daqui” explica Aniceto.

Na sala ao lado as armas de caça, as malas porventura algumas de cartão e os utensílios usados na tradicional matança do porco.

Mais acima a sala da costura com modelos antigos pendurados, outra de música com piano e concertinas, uma biblioteca com um móvel onde estão expostas cédulas de um e dois centavos emitidas em 1921 e 1922 pela Câmara Municipal de Vila de Rei, no período que se seguiu à I Guerra Mundial. 

“Nessa época foram feitas cédulas dinheiro de necessidade ou emergência,  pelas câmaras municipais e casas comerciais, mas só a casa da moeda tinha autorização para emitir esse dinheiro, todas as outras foram emitidas à revelia da lei”, pode ler-se.

Nesse mesmo piso, a família Nunes tentou reproduzir, seguindo a memória de Aniceto, a decoração do solar nos tempos que era habitado pelos descendentes dos capitães da Relva. Como comprou a casa vazia, foram adquiridos móveis de época.

A cozinha, a sala de jantar, uma sala de chá onde permanecem as pinturas de origem nas paredes e no teto, um quarto de dormir e uma reprodução da capela. 

Isto porque houve em tempos na Casa Grande uma capela ou oratório particular que era utilizada não só pela família da casa mas também pela população do casal, que ali se reunia à noite para fazer a oração.

No último andar uma sala escola, com dois pequenos quadros negros em ardósia, mapas e carteiras de madeira caraterísticas do modelo escolar dos tempos da ditadura.

Ao lado, curiosamente, uma sala com brinquedos antigos, uma sala de fiação de linho, outra com rádios, gira-discos e velhos telefones. Nas paredes várias telas pintadas por Aniceto o dono .

Um museu nada convencional mas muito apelativo que recomendo vivamente , aconselho que telefonem para saber se está aberto por causa da Covid

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